Marca brasileira insere tema afro em material escolar e faz sucesso

Marca faz a alegria das crianças na sala de aula. Foto: Monica Silva
Marca faz a alegria das crianças na sala de aula. Foto: Monica Silva

Há um ano e dois meses, a empresária Ana Claudia Silva decidiu que queria se reencontrar profissionalmente e que desejava que mais produtos com a temática afro fizessem parte da realidade escolar das crianças brasileiras. Pensando nisso, ela criou a marca Afra Design.

Em entrevista ao Yahoo, a empresária diz que crianças negras ficam realizadas com os produtos e que a alegria delas quando adquirem um produto é tão grande que elas já querem sair com ele nas mãos e nem pedem uma sacola para levar para casa.

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“Nossos clientes são cativos e compram os produtos da Afra pelo conceito da marca, qualidade, utilidade e exclusividade dos nossos produtos”, explicou Ana Claudia.

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Agora, a marca de São Paulo quer expandir para outros quatro Estados: Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília e Bahia. “Ser referência no ramo de papelaria e bolsas afro é algo que temos como meta. Para isso, temos prazos e estratégias traçadas”, afirmou.

Leia a entrevista completa:

De onde veio a ideia de criar a marca?

Ana Claudia Silva: A marca veio, inicialmente, de uma necessidade pessoal de me reencontrar profissionalmente, mas a principal causa foi a minha percepção da lacuna de produtos afros voltados à educação.

Como ela começou? 

Ana Claudia: Ela iniciou a partir do amadurecimento do meu conceito do que era ser empreendedor. Isso aconteceu a partir do dia 9 de setembro de 2018. Eu busquei cursos, passei por muitas mentorias e planejei bastante o negócio. Bons afroempreendedores me orientaram ainda quando estava formatando o negócio. Fui mentorada por Adriana Barbosa [fundadora da Feira Preta], Fernanda Ribeiro [fundadora e CEO da Afrobusiness] e Antônio Pita [CEO Diáspora Black]. Eu recebi muitos aconselhamentos de afroempreendedores mais experientes que já estavam no mercado a mais tempo. Esse estudo de mercado e alianças estratégicas me deram segurança para tirar a ideia do papel e fundar minha própria empresa.

Ana Claudia afirma que queria se reencontrar profissionalmente quando criou a marca. Foto: Monica Silva
Ana Claudia afirma que queria se reencontrar profissionalmente quando criou a marca. Foto: Monica Silva

Quando percebeu que ela era um sucesso? 

Ana Claudia: Costumo dizer que o boom vem a cada pequena conquista que temos. Somos uma empresa iniciante e ainda pequena, mas já demos passos que muitos empreendedores veteranos não deram. O boom veio em janeiro deste ano na realização da nossa primeira sessão de fotos para divulgação dos cadernos da Papelaria Étnico (cadernos e agendas com capas de personagens negros), onde em uma campanha de uma semana, com chamamento em cinco grupos de WhatsApp, conseguimos reunir mais de 160 crianças negras com suas famílias em um parque público de São Paulo para participarem da campanha.

Teve outro momento que te marcou?

Ana Claudia: Nosso primeiro desfile. Ele foi realizado em um prédio histórico de São Paulo em parceria com uma agência de modelos profissionais, a Namib Pro Models. O sucesso está em cada criança feliz com a compra do seu caderno.

Qual a importância de marcas como a sua? 

Ana Claudia: Marcas como a Afra Design buscam atuar na mudança, na inclusão da diversidade por meio dos produtos, das experiências de consumo, do atendimento primando a conscientização racial, cultural e educacional. Pensamos, a todo tempo, como agregar valor ao que já temos e como valorizar pessoas. O afroempreendedorismo teve um crescimento relevante nos últimos anos.

Pretende aumentar a marca?

Ana Claudia: Crescer faz parte do processo e do projeto. Ainda estamos muito a nível São Paulo, mas a ideia a curto prazo é chegar a ao menos mais quatro Estados [Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília e Bahia]. Ser referência no ramo de papelaria e bolsas afro é algo que temos como meta. Para isso, temos prazos e estratégias traçadas.

A marca tem ítens de papelaria e bolsas escolares. Foto: Monica Silva
A marca tem ítens de papelaria e bolsas escolares. Foto: Monica Silva

Qual a ambição de vocês?

Ana Claudia: Nossa ambição é pequena perto dos nossos sonhos e de onde sabemos que vamos chegar. Estamos procurando constituir a Afra como um baobá: robusta, grande, com múltiplas utilidades e que dure por gerações. 

Como os clientes reagem ao saberem da marca?

Ana Claudia: Nossos clientes são cativos e compram os produtos da Afra pelo conceito da marca, qualidade, utilidade e exclusividade dos nossos produtos. É sempre gratificante ver o sorriso das crianças ao saírem com o caderno que escolheram. Às vezes, elas nem querem sacola. Os adultos compram para eles e ainda levam para presente. Enfim, as reações são sempre positivas.

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