Maratona de Nova York e Berlim canceladas pelo coronavírus

AFP
Corredores cruzam a ponte Verrazzano-Narrows durante a maratona de Nova York em novembro de 2019.
Corredores cruzam a ponte Verrazzano-Narrows durante a maratona de Nova York em novembro de 2019.

A maratona de Nova York e a de Berlim foram canceladas nesta quarta-feira(24) devido à pandemia de coronavírus.

A corrida pela Big Apple completa 50 anos neste ano e esta será a segunda vez que não será realizada. A maior maratona do mundo estava marcada para 1º de novembro com mais de 50.000 atletas.

Desde a sua criação em 1970, ela só foi suspensa em 2012 devido ao impacto causado pelo furacão Sandy.

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"Cancelar a maratona deste ano é uma grande decepção para todos os que estão associados a ela", lamentou Michael Capiraso, CEO da New York Road Runners (NYRR), organizador da prova, citado em um comunicado. "Mas esse era, claramente, o caminho a seguir, em vista da segurança sanitária", completou.

Nova York foi o epicentro da pandemia nos Estados Unidos e ainda é a cidade com mais mortes pelo vírus, cerca de 22.000 das mais de 121.000 mortes no país.

A situação vem melhorando nas últimas semanas na cidade. As autoridades reportaram os números mais baixos desde o início do surto e a economia está sendo reativada.

Ainda assim, autoridades e organizadores concluíram que seria difícil manter distâncias seguras entre corredores de muitas partes do mundo e o risco seria muito alto.

"Aplaudo a decisão da New York Road Runners de priorizar a saúde e a segurança dos espectadores e dos corredores", disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em nota.

Na semana passada, o governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, autorizou o Aberto de Tênis dos Estados Unidos a ser realizado no final de agosto em Flushing Meadows, mas sem a presença de espectadores.

Os organizadores da maratona vão oferecer aos inscritos o reembolso da taxa de inscrição, ou a possibilidade de garantir antecipadamente sua participação em 2021, 2022, ou 2023.

Procurado pela AFP, o vice-presidente de mídia da NYRR, Chris Weiller, afirmou que, antes do cancelamento, a organização esperava "mais de 53.000" corredores este ano, incluindo cerca de 25.000 do exterior.

- Berlim, palco de recordes -

Minutos após o anúncio em Nova York, os organizadores da maratona de Berlim também anunciaram o cancelamento da edição 2020 desse prestigioso evento, cenário dos últimos sete recordes mundiais masculinos.

A corrida, marcada para 27 de setembro, tem uma rota plana e especialmente favorável para grandes marcas.

Todos os recordes mundiais batidos desde 2003 foram na capital alemã, onde dezenas de milhares de pessoas também participam todos os anos.

O recorde atual pertence ao queniano Eliud Kipchoge, com 2 horas, um minuto e 39 segundos, alcançado em setembro de 2018.

Último vencedor em Berlim, em 2019, o etíope Kenenisa Bekele ficou a dois segundos do recorde mundial, após um final antológico.

Levando em conta a proibição de todas as multidões de mais de 5.000 pessoas em Berlim até 24 de outubro, a organização estudou opções para adiar o evento, mas a tentativa de fixar um protocolo falhou.

"Trabalhamos muito duro, mas, hoje, não é possível organizar a maratona. O prazer, o bom humor, a saúde e o sucesso são elementos que a caracterizam", declarou a organização.

"Não estamos em condições de garantir tudo isso neste momento", completa.

A pandemia de coronavírus convulsionou o calendário esportivo de 2020, causando o cancelamento de outras maratonas tradicionais.

No final de maio, a Maratona de Boston, a mais antiga realizada anualmente no mundo, foi cancelada pela primeira vez em seus 124 anos de história e a maratona de Londres foi adiada para outubro.

A maratona de Chicago ainda está programada para 11 de outubro e a de Paris para 18 de outubro, enquanto a de Tóquio foi realizada em 1º de maio com apenas um pequeno grupo de corredores de elite .

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