Maradona me fez amadurecer

Mauro Beting
·2 minuto de leitura
MEXICO CITY, MEXICO - JUNE 22: Diego Maradona of Argentina kicks the ball to score the second goal of his team during a 1986 FIFA World Cup Quarter Final match between Argentina and England at Azteca Stadium on June 22, 1986 in Mexico City, Mexico. (Photo by Archivo El Grafico/Getty Images)
Maradona marca o segundo gol na vitória contra a Inglaterra na Copa de 1986 (Archivo El Grafico/Getty Images)

A gente torcia pela Inglaterra no Day After da eliminação do Brasil pela França nos pênaltis, na Copa-86. De fato, torcíamos mesmo era contra a Argentina, no auge da rivalidade com os co-hermanos.

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Eu tinha 19. Segundo ano de Direito e de Jornalismo. Na casa cheia de meus pais com meus amigos até hoje, ainda reclamávamos do gol com a mão del diablo quando Diego começou a carreira de 10 segundos que, 34 anos depois, parecem durar os 106 anos de rivalidade no futebol entre brasileiros e argentinos.

A cada inglês caído, era um brasileiro que caía de amores por Maradona. Rendido como se fosse nas Malvinas que eram mesmo Falklands. Rendido como ficamos nós que torcíamos contra eles meio que torcendo a favor dele.

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Maradona não apenas começou a ganhar a Copa ali. Ele conquistou milhares pelo mundo que não eram argentinos. Driblados pelas gambetas galhofeiras que eram mundiais.

"A gente começou a amadurecer naquele lance. Já estávamos detonados pelos quase 16 anos sem títulos do Brasil. Já estávamos desamparados pelos quase 10 anos sem títulos do Palmeiras. E nós crescemos naqueles 10 segundos o que não tínhamos amadurecido em quase 20 anos". Assim me explicou o amigo Eduardo Cecchini quando comentou o que não é preciso dizer mais nada.

Maradona não apenas ganhou ali uma Copa pra Argentina, e um lugar eterno no time dos sonhos.

Maradona ali arregimentou uma legião maradoniana que torceu por ele. Até escondida. Até arrependida. Envergonhada. Até com pesar. Com ressalvas pelas falhas desumanas e pelos erros humanos dele.

Mas naquela carreira brilhante ele fez muita gente virar adulta. E ainda nos faz adolescentes de todas as idades quando celebramos o gozo do gol que não é nosso. O êxtase da vitória que é deles.

Obrigado, Maradona. Não por te me feito campeão. Mas por ter me deixado mais humano e tolerante com as diferenças vencidas pelo talento e paixão.

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