Maracanã 70 anos: Sinval recorda conquista da Conmebol pelo Botafogo

Fernanda Teixeira e Sergio Santana
LANCE!


Até a conquista da Recopa Sul-Americana pelo Flamengo, no início desse ano, o Botafogo era o dono do único título internacional de um clube carioca dentro do Maracanã, com a Copa Conmebol de 1993. No aniversário de 70 anos do estádio, o LANCE! conversou com Sinval, o grande personagem da histórica conquista alvinegra. Ele falou sobre o sentimento de ter o nome marcado em um dos grandes palcos do futebol mundial.

– O Maracanã é tudo. Eu cresci sonhando jogar no Maracanã, ainda mais porque comecei a acompanhar futebol na época do Zico, Roberto Dinamite, cresci vendo esses caras jogar. Nunca pensei em poder fazer parte da história do Maracanã. É uma satisfação enorme, não tem preço nenhum. É o maior de todos – recordou Sinval.

Na decisão contra o Peñarol, há quase 27 anos, o ex-camisa 9 cobrou falta que encobriu o goleiro uruguaio do Peñarol, Rabadja e virou o jogo para o Botafogo. A partida terminou empatada, em 2 a 2 e a taça foi decidida nos pênaltis. O herói quase virou vilão ao desperdiçar a cobrança, mas foi salvo pelos companheiros e pelos erros dos uruguaios.

– Eles fizeram um gol logo no primeiro tempo, mas depois eu marquei daquela maneira fantástica. Só tenho que agradecer. Nos pênaltis, tem até minha imagem chorando. Eu errei, achei que teria estragado tudo. Mas os outros jogadores me ajudaram no meu erro, o Perivaldo, o William Bacana.






Confira outras respostas de Sinval ao LANCE!

Algum dia sonhou em fazer parte da história do Maracanã?

Não, quando saí de Andradina meu sonho era simplesmente ser jogador. Quando o tempo vai passando você vai vendo como isso vai desenvolvendo. O título e o Maracanã vieram de uma maneira fantástica. Eu só tinha o sonho de jogar, mas fazer parte dessa história é um orgulho muito grande.

O que a conquista da Conmebol representa na sua carreira?

É o momento mais marcante no Botafogo e na minha carreira como um todo. Joguei em alguns times de expressão, foram mais de 30 times. Aquele título me fez virar um jogador de verdade, quando me firmei como um dos grandes do país. Depois disso, a estrada ficou reta, sabe? Antes, os caminhos ainda tinham curvas, era tudo meio torto.

Como foi a trajetória do Botafogo até a conquista?

Foi uma coisa difícil, pela situação que o clube tava naquele momento. O Emil (Pinheiro) tinha tirado o time inteiro, o Botafogo teve que usar quase a categoria de base inteira. A dificuldade era grande, tivemos sorte. Conseguimos superar nossas dificuldades e focamos naquilo todos os dias. A gente tinha muita vontade, depois que nós vimos que poderíamos vencer a Conmebol, vimos que poderíamos reivindicar outras coisas, aí tivemos dificuldades no Campeonato Brasileiro. Enquanto não focamos nas dificuldades, fomos muito bem. A gente não tinha outra alternativa, íamos treinar de ônibus, já chegamos em jogos atrasados porque não tínhamos como chegar juntos, e mesmo assim as coisas aconteceram.

Acredita que falta um maior reconhecimento por parte do Botafogo?

Nos falta um pouco de valorização. A gente vê a diretoria fazendo campanhas de marketing com o time de 89 e 95, mas todos esquecem a equipe de 93. Acho que a gente podia ser lembrado pouco mais. Ganhamos o único título internacional da história do clube












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