Maracanã 70 anos: como o apoio da torcida do Flamengo desagradou o técnico do Brasil na véspera da Copa

Matheus Dantas
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Em 22 de junho de 1950, somente dois dias antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo, em casa, um jogo-treino contra o time Flamengo serviu como a preparação final no Maracanã. Aquela, que foi a primeira vez do Rubro-Negro no palco - a estreia oficial foi em 23 de julho -, também foi a primeira mostra da paixão da Nação no estádio. "Vibrando a favor apenas do Flamengo" diante da Seleção, a torcida presente, formada por "penetras, espiões e (operários)" irritou o histórico técnico Flávio Costa, publicou o Jornal dos Sports na época.

- O que chamou a atenção e o que perturbou em parte os misteres do selecionador e a tarefa dos cracks, foi exatamente a torcida que, em vez de olhar só, olhar civilizada e construtivamente o que se passava nas quatros linhas, saiu logo a tomar partido, a gritar, a vibrar, a aplaudir e vaiar, apenas vibrando a favor do Flamengo, aplaudindo o Flamengo e malquerendo o scratch - relatou em matéria Geraldo Romualdo da Silva, antes de completar:

- Como o Flamengo serviu de "sparring" para o scratch, parecia que o que estava em jogo era o prestígio do Flamengo. Parecia que o estádio todo era Flamengo - dizi a reportagem sobre a preparação da Seleção Brasileira para a estreia na Copa do Mundo, contra o México, no dia 24 de junho de 1950.

De acordo com a reportagem do Jornal dos Sports, a plateia foi formada pelos operários que trabalhavam no Maracanã - que abriram mão do horário de almoço para "arriscar um olho e torcer" -, pelos "penetras" - aqueles que não tinham muito o que fazer - e pelos "espiões, mexicanos e americanos (seleções que participaram da Copa do Mundo de 50) que foram assistir ao jogo-treino e se contentaram e comentar e fazer anotações do que rolava nas quatro linhas.





BAILE RUBRO-NEGRO POR 40 MINUTOS

O jogo-treino, que serviu para o técnico Flávio Costa definir a escalação que mandaria a campo dois dias depois, contra o México na estreia do Grupo A, teve duração de 60 minutos no Maracanã, dois quais 40 minutos foram um "baile rubro-negro", reportou Geraldo Romualdo, cronista e comentarista esportiva e com passagens pelo Jornal dos Sports e O Globo, entre outros.

- (...) Já que o "sparring" Flamengo andava mandando no campo e fazendo os gols que queria. Fez um, fez dois; caminhava para o terceiro quando a retaguarda decidiu reagir e acabar de uma vez com a festa. Praticamente, o "baile" durou quarenta minutos, tendo principiado com um tento de Lero culminado com outro de Esquerdinha. Daí em diante, acabou-se o rubro-negro.

Nos 20 minutos finais, a Seleção Brasileira, que seria vice-campeã mundial semanas depois, virou o placar com um gol de Augusto e dois de Zizinho, atacante que havia deixado o Flamengo meses antes e acertado com o Bangu.






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