Marília tem surto de Covid no time após viagem dupla pela Copa do Brasil

JOÃO GABRIEL
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cinco dias depois de jogar a partida da primeira fase da Copa do Brasil contra o Criciúma, em Cariacica, no Espírito Santo, o Marília anunciou que 15 pessoas, entre atletas, comissão técnica e funcionários do clube, estão com coronavírus. O vice-presidente do clube, Alysson Aex, afirmou à reportagem que o clube já recebeu 20 resultados e espera mais 15. Dentre os positivos, 9 são jogadores, 4 membros da comissão técnica e 2 funcionários de outros departamentos. O jogo contra o Criciúma (0 a 0 que eliminou os paulistas) aconteceu no último dia 18 de março. A partida inicialmente estava prevista para a cidade de Marília, mas teve que ser realocada após o governo de São Paulo suspender o futebol no estado. Primeiro, foi marcada para Minas Gerais, e todo o elenco do Marília chegou a viajar até Varginha e passou dois dias por lá. Após o governo local também proibir o futebol, dois dias antes do jogo, o duelo foi novamente transferido, dessa vez para Cariacica. Alex afirma que não há como provar quando a primeira contaminação aconteceu, mas defende que a partida não deveria ter saído de São Paulo no primeiro momento, e que as idas e vindas aumentaram o risco da operação. "Seguimos o protocolo, mas nessa viagem se tornou difícil [fazer o controle] e acredito que até pode ter sido quebrada alguma diretriz em decorrência da distância, de ser inviável fazer uma viagem desse tipo de ônibus. Só fomos de ônibus [inicialmente] porque a viagem não era para Cariacica, mas para Varginha", diz. "Na ida para Varginha, os protocolos foram seguidos, são 500 km [de distância], não é uma viagem tão longa. E aí você é comunicado que vai ter que ir para outro estado mais distante, ficamos 15 horas dentro do ônibus, com parada no caminho para abastecer, para se alimentar num restaurante aberto ao público, aí tem contato, e por aí vai, começa a fugir dos protocolos", completa. Ele explica que a segunda parte da viagem deveria ter sido feita de avião, mas que isso não foi possível primeiro porque não haveria tempo para viabilizar financeiramente mais um deslocamento. Depois, porque em translados de ônibus o clube embala a bagagem em pequenos contêineres, método proibido em aeronaves. A manutenção do futebol mesmo no momento mais crítico da pandemia se baseia nos protocolos sanitários aprovados por autoridades no ano passado e no estudo realizado pela CBF na temporada de 2020, mas enfrenta críticas de especialistas. "Não é negacionismo da nossa parte, pelo contrário, eu tenho trabalhado pessoalmente em home office, já tive Covid no ano passado. Minha família se cuida, vamos tomar a vacina, somos a favor. Sabemos que a doença é perigosa, perdi muitos amigos", afirma o dirigente. Defensor da manutenção do futebol, Aex diz que preferia que a partida tivesse sido adiada e jogada em sua cidade, mas que por outro lado o clube não tem condições financeiras de aguentar dois meses sem jogar. Reclama, principalmente, das decisões divergentes das autoridades. "A ciência é mais uniforme, mas as autoridades politizam as ideias ao ponto de que você tinha um jogo em Marília com portões fechados e viaja quase 2.000 km pra jogar também de portão fechado", afirma. Disputando a Série A3 do Campeonato Paulista, o clube não tem outros jogos marcados até o dia 30 de março, data atualmente prevista para o fim da suspensão do torneio em São Paulo. No dia 31 está marcado um jogo contra o Desportivo Brasil.