Manda quem tem juízo e direito de transmissão na nova ordem da bola

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Flamengo voltou a jogar pelo Campeonato Carioca 2020. Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images
Flamengo voltou a jogar pelo Campeonato Carioca 2020. Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images

Presidente Jair Bolsonaro tanto conversou com o presidente Rodolfo Landim, do Flamengo, que no dia da volta antes da hora do futebol no Rio (ou do Flamengo ao futebol), o presidente cutucou a Globo. E pode mudar mais uma vez o cenário dentro e fora de campo.

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Mas não é para agora. Como falam três experts em marketing esportivo e negócios do futebol.

ERICH BETING, diretor da Máquina do Esporte: “Em 2003, a União Europeia publicou um estudo da venda de direitos de transmissão na Premier League. Eles entenderam que a venda coletiva é importante para preservar o equilíbrio entre os clubes. Na época, analisaram que o modelo brasileiro era o melhor (por ter a anuência de mandante e visitante).  Desde então, a venda por lá é coletiva. Agora, no Brasil, na prática, os clubes vendiam 38 jogos do Brasileirão. Passaram a vender 19 – como mandantes. Isso realmente é bom? Quanto ao monopólio [da Globo], os clubes eram incompetentes. Eles davam tudo para a Globo. Eles não sabiam gerenciar o conteúdo. Com a entrada da Turner isso mudou um pouco. Porém, achar que essa Medida Provisória assinada hoje vai acabar com o monopólio da Globo é uma visão completamente tosca. Os clubes vão querer mostrar seus jogos nas próprias plataformas? Não vão ganhar mais dinheiro do que ganham hoje. Onde o patrocinador vai querer aparecer? O que deve acontecer: o torcedor ganha mais opção de assistir aos jogos. Mas, em médio e longo prazo, pode acontecer o risco da chamada “espanholização”. Os clubes mais fortes vão ficar ainda mais fortes. E os outros torcedores vão se desinteressar pelos campeonatos. E os próprios vencedores e/ou clubes mais fortes também vão se desinteressar pelas ligas locais que vão ficar mais “fáceis”.

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AMIR SOMOGGI, diretor da Sports Value: “É algo positivo, mas de uma maneira muito negativa. É uma MP no meio da maior crise política da história, parecida com a da Dilma em relação ao Profut. Deram aos dirigentes algo que eles mereciam, que podem agora fazer streaming, o que quiserem. Mas primeiro eles precisam zerar a conta com a Globo, com a Turner, com as luvas já recebidas e a receber, com tudo que já receberam e já venderam. Mas, na prática, o que temos de destruidor na MP agora é que não teremos mais punição por falta de publicação de balanço, de não pagamento de jogador. Muitas conquistas da Lei Pelé de 1998 estão se perdendo nisso. Estão dando os direitos de transmissão por um lado, mas estão também tirando muitas conquistas do futebol. Acho um absurdo um clube não ser punido por não publicar balanço em 2020. A revolução vai ser lenta e gradual, de acordo com cada clube, porque cada um tem muitas dívidas e muitos recursos antecipados pelas emissoras. Essa discrepância de fazer o bem dando aos clubes o direito de fazer o que eles entendem com seus direitos não compensa e não justifica a grande derrota de décadas, o retrocesso na transparência nas contas e gestão dos clubes.

FERNANDO FERREIRA, diretor da Pluri: “é positiva em um âmbito geral a Medida Provisória. A tendência é que dê mais autonomia e mais força aos clubes com a entrada deles no mundo digital. Isso pode fazer que o bolo total da conta aumente. Tem mais players entrando na negociação desse modo. Mas, ao mesmo tempo, por exemplo, o Flamengo pode ir na Amazon e negociar diretamente por um preço enorme. Isso pode acabar desequilibrando o bolo se os clubes partirem para negociações individuais. Porém, se eles se unirem de alguma forma, podem gerar mais receitas, negociações melhores, mantendo o negócio e todo o futebol mais equilibrado e competitivo.

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