'Malvado favorito' de Rebeca Andrade, russo foi demitido em seu país após decepção em Londres

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.06.2021 - Retrato da ginasta Rebeca Andrade no Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.06.2021 - Retrato da ginasta Rebeca Andrade no Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A trajetória olímpica de Rebeca Andrade, 22, medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio, tem como coadjuvante um treinador com passagem controversa na ginástica artística russa.

"Meu malvado favorito", escreveu a segunda colocada na prova individual da modalidade no Japão, num post do Instagram em 2016 —uma brincadeira com o anti-herói da animação homônima sobre um vilão de coração mole.

"Fico feliz em saber que mesmo partindo você continuará acreditando no meu potencial. Você não é uma pessoa fácil de lidar, e eu também não, mas aprendemos a viver e conviver. Obrigada pelo ótimo trabalho que fez comigo junto com os meus treinadores. Serei grata para sempre. Beijos da sua super pup [pupila]."

Referia-se ao linha dura Alexander Alexandrov, russo que por três anos foi técnico-chefe da seleção brasileira feminina do esporte.

Parte do talento da paulista foi lapidado pelo técnico demitido pela federação russa após os Jogos de Londres, em 2012, acusado de favorecer a ginasta Aliya Mustafina. Era seu treinador pessoal enquanto também comandava a equipe da Rússia.

Para dirigentes conterrâneos, a predileção de Alexandrov por sua protegida ajudou a explicar o que consideraram como um fiasco do time russo naquelas Olimpíadas.

Não que as ginastas russas tenham ficado na lanterninha. Mas as medalhas de prata conquistadas no feminino por equipes e no individual, para eles, não bastaram. A análise foi a de que não eram condizentes com a capacidade das atletas, especialmente no individual, em que Viktoria Komova, promessa da ginástica russa, foi superada pela americana Gabrielle Douglas, vista como uma zebra na competição.

Campeã mundial em 2010, já sob as orientações de Alexandrov, Mustafina levou o bronze nos Jogos de Londres, reforçando a ascensão que vinha tendo desde que passou a trabalhar com o técnico.

Ao justificar a demissão do treinador, a federação russa de ginástica afirmou em nota que não podia "ter um técnico do time que também é técnico individual''. "Ele apostou em sua aluna."

O argumento não convenceu o técnico, que acredita ter sido demitido por razões pessoais, principalmente porque Irina Viner, treinadora do time russo de ginástica rítmica até hoje, também treinava à época alguns atletas individualmente.

Alexandrov, que foi técnico da antiga União Soviética, foi repatriado depois de um período trabalhando nos Estados Unidos, para onde ele foi depois do fim do bloco comunista.

Trazê-lo de volta em 2008 foi uma tentativa de fazer a Rússia reviver os tempos de glória do passado soviético na modalidade. Os russos queriam brigar de igual para igual pelo título olímpico por equipes, algo que não conseguia desde 1992, quando disputou os Jogos de Barcelona com o Time Unificado, que representava as ex-repúblicas soviéticas.

O jejum só acabaria no Japão, tanto no masculino como no feminino, porém novamente sem a bandeira russa, proibida de ser usada como punição pelo escândalo do doping patrocinado pelo Estado nas Olimpíadas de Inverno de Sochi (Rússia), sete anos atrás. Os atletas do país competem como Comitê Olímpico Russo (ROC, na sigla em inglês).

Demitido, Alexandrovfoi convidado a comandar a seleção brasileira de ginástica artística. Assumiu em julho de 2013 e participou de todo o ciclo olímpico dos Jogos Rio-216, o primeiro disputado por Rebeca, aos 17 anos.

Quando o contrato dele não foi renovado, a brasileira exaltou o trabalho dele nas redes sociais. "Agradeço os ensinamentos, os acertos, os erros, a força e a garra que você me ensinou a ter. Fico feliz em saber que mesmo partindo você continuará acreditando no meu potencial."

Quando chegou ao Brasil, Alexandrov via em Rebeca o futuro da ginástica brasileira. E quis o destino que ela ajudasse o treinador a sentir um gostinho de vingança sobre a seleção do país natal. Ao garantir a prata em Tóquio, ela superou duas russas, Angelina Melnikova, bronze, e Vladislava Urazova, quarta colocada. Pior para os russos foi ainda ter de ver a americana Sunisa Lee com a medalha de ouro.

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