Maioria de argentinos rejeita sediar Copa América por covid, diz pesquisa

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Vista da Conmebol em Luque, no Paraguai, em 14 de maio de 2021

A maioria dos argentinos expressou sua rejeição a sediar a Copa América de 2021 em seu país, atingido por uma onda de casos da covid-19, segundo pesquisa de opinião publicada nesta sexta-feira (28).

Questionados sobre a possibilidade do país sediar o torneio continental de seleções no período de 13 de junho a 10 de julho, 70% responderam que a Argentina "não deveria organizar (o campeonato)", enquanto apenas 20% foram a favor e 10% não souberam opinar.

A pesquisa telefônica realizada pela consultoria Poliarquía foi feita com 1.274 pessoas maiores de idade e habitantes de grandes centros urbanos entre quinta e sexta-feira, e contempla uma margem de erro estatística de 2,8% com um nível de confiança de 95%.

Segundo o mesmo levantamento, 59% dos argentinos têm alta ou média preocupação com o avanço do novo coronavírus no país.

- Cumprimento dos protocolos -

A pesquisa acontece dois dias depois de o governo condicionar perante da Conmebol a organização do evento no país ao cumprimento de rígidos protocolos sanitários por parte das delegações.

"Precisamos saber se a Conmebol tem possibilidades de cumprir com as requisições que estamos fazendo", anunciou o chefe do gabinete, Santiago Cafiero, na quinta-feira.

Entre essas demandas está a diminuição no número de integrantes de cada delegação. Enquanto analisa os protocolos, a Conmebol começou a imunizar diversos jogadores, mas com a vacina chinesa Sinovac, que não foi aprovada pelas autoridades argentinas.

"Vacinar 15 dias antes da competição não é solução. Estamos preocupados que seja uma falsa sensação de segurança porque a vacina seria mais uma ferramenta, porém de forma alguma substitui os protocolos, as prevenções", alertou a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, nesta sexta-feira à Radio Con Vos.

Ela acrescentou que "a vacina Sinovac tem 50% de eficácia na prevenção dos casos, previne doenças graves e morte. Mas, neste contexto, buscaria-se interromper a transmissão e nenhuma vacina a previne num contexto de concentração e de competição".

No entanto, Vizzotti havia dito dias atrás que "receber estritamente entre 1.000 e 1.200 pessoas de diferentes lugares com um protocolo rígido não é uma situação epidemiologicamente de grande relevância".

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina atingiu um recorde de 41.080 pessoas infectadas na quinta-feira e alcançou um total de 3.663.215 casos positivos desde o início da pandemia, enquanto registrava 551 mortes em 24 horas, ultrapassando os 76.000 mortos.

A terceira economia latino-americana vem passando por um aumento incessante de casos e mortes diárias há semanas. Para combatê-lo, o governo decretou um confinamento com restrições à mobilidade da população por nove dias, que termina no próximo domingo, duas semanas antes do apito inicial da Copa América.

Ainda não está definido se a Argentina será o único organizador da Copa ou se outro país entrará no lugar da organização após a exclusão da Colômbia, por conta de fortes protestos sociais.

Em um clima de desânimo, os argentinos sofrem com a crise econômica e um novo freio diante de uma incipiente retomada, por causa da segunda onda da covid, além da alta inflação que afeta fortemente o poder de compra dos salários.

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