Magrão foi de “traidor” do Palmeiras a pai de nova joia do clube

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Magrão durante treino do Palmeiras em 2005 (Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)
Magrão durante treino do Palmeiras em 2005 (Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)

Por Bruno Soares

O ex-volante Magrão é um desses personagens que está em falta no futebol moderno. Com uma carreira consolidada em clubes de destaque no Brasil, ele passou por situações diversas dentro de campo; desde perder dentes em uma disputa de bola até ser chamado de traidor pela torcida do Palmeiras ao jogar no grande rival Corinthians.

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Aposentado desde 2015 e hoje atuando como empresário de jogadores, Magrão conta que relutou em sair do Palmeiras em 2005. Campeão da Série B de 2003 e muito identificado com o clube, o ex-volante chegou a recusar uma boa proposta para jogar na Rússia, mas meses depois foi pressionado pela diretoria a fechar acordo com o Yokohama Marinos, em 2005, mesmo que a contragosto. Na época, a equipe alviverde tinha limitações financeiras, algo distante da realidade atual.

“Fui muito pressionado a aceitar a proposta do Japão, pois não aceitei uma da Rússia seis meses antes e tive que sair”, disse em entrevista ao Yahoo Esportes.

Após ficar um ano no Japão, Magrão teve a oportunidade de retornar ao Brasil e acertar de novo com o clube que era ídolo, mas um desentendimento com a diretoria o fez aceitar uma proposta do Corinthians.

“A situação não foi com o Palmeiras instituição e sim com a diretoria da época que não permitiu a minha volta. Eu tinha duas propostas, uma do Inter e outra do Corinthians, como queria ficar em São Paulo e tinha todo um histórico familiar aceitei o desafio”, disse.

Com contrato assinado com o Corinthians, o ex-volante passou a viver com a pressão pelo histórico no clube alviverde e também com as críticas da torcida do Palmeiras, que considerou uma traição o acerto com o maior rival.

“Não foi fácil a pressão, mas sempre fui movido a essa pressão, me fazia crescer. Então não me arrependo de ter ido ao Corinthians, porque seria desonesto da minha parte dizer que me arrependo de ter jogado em um clube que me abriu as portas e me tratou com muito respeito e carinho, mas se faria isso com a cabeça de hoje, não sei te responder. Sou grato ao Palmeiras pois mudou minha vida e, como disse, meu problema foi com a diretoria da época”, relembra.

Pai, empresário e técnico

Hoje, aos 40 anos, a rotina de Magrão é totalmente diferente. Ele acompanha de perto a trajetória do filho Pedro, de 14 anos, que atua como lateral esquerdo nas divisões de base do Palmeiras. Ele revela que às vezes é difícil deixar de lado a parte de paizão, mas que sempre busca passar o máximo de experiência não só para o filho, mas também para outros atletas que agencia como o volante Matheus Henrique, que atua no Grêmio, e o zagueiro Roberto, do Internacional.

“Sobre ser pai, ex-jogador e hoje empresário, é difícil separar as coisas. Primeiro porque aí vem o lado passional à frente de tudo. Eu tento ao máximo separar, nos falamos ao final de quase todas as partidas, ele me dá um feedback de como foi o jogo. E eu tento orientá-lo, quando temos tempo tento ensinar algumas coisas que aprendi ao longo da minha carreira que ninguém me ensinou. Resumindo, tento ser um atalho das coisas que estão acontecendo e das que estão por vir para ele e pra todos meus atletas, por isso não me considero apenas empresário. O legal é que ele pega rápido, de forma natural e isso é importante.

Pedro, filho de Magrão, em ação pelo Palmeiras. Foto: Arquivo Pessoal/Magrão
Pedro, filho de Magrão, em ação pelo Palmeiras. Foto: Arquivo Pessoal/Magrão

Magrão também não esconde que deseja ver o filho fazer sucesso no Palmeiras e também no Internacional. Ele também afirma que usa as próprias experiências no futebol para aconselhar Pedro para que sua carreira não seja tão ligada a do pai.

“A minha história pode ser positiva ou negativa para a carreira do Pedro, depende de como vamos enxergar. Eu vejo como positiva, pois posso dar algumas dicas que ninguém nunca me deu. Sei da dificuldade, de o quanto foi difícil as conquistas que tive. E isso que passo para ele, só qualidade não basta. E gostaria de vê-lo atuar pelo Palmeiras, como está acontecendo, até pela história e por tudo que o Palmeiras fez por mim, e não vou mentir que queria muito ver ele atuando pelo Internacional também”, conta.

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