'Minha mãe foi assassinada', diz filho de vítima de incêndio em hospital

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Claudia Martini/Futura Press
Claudia Martini/Futura Press

Filho de uma das 11 vítimas fatais identificadas até o momento no incêndio que atingiu um hospital no Rio, Emanoel Santos Melo, 61, filho de Luzia Santos Melo, 88, afirma que sua mãe “foi assassinada”.

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Em entrevista ao jornal ‘Extra’, Emanoel fez diversas críticas ao hospital e até à reação de um dos bombeiros em seu momento de desespero. Segundo ele, antes do incêndio houve uma falta de energia momentânea no local.

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O que mais revoltou Emanoel, no entanto, foram os procedimentos de remoção dos pacientes e acompanhantes. Segundo ele, sequer máscaras para facilitar a respiração em meio à fumaça o hospital tinha.

“Eles queriam tirar minha mãe sem máscara. Aí eu fiquei doido. Falei que precisava ter uma máscara. O que é isso? Aí, eu percorri a área onde fica a enfermagem. Estava tudo abandonado já e encontrei uma Só. Coloquei na minha mãe. Tirei a camisa que usava e tapei o rosto para poder sair. Não tinha ninguém orientando. Nós que fomos procurar a saída. Minha mãe estava no box 2. Por estar longe da saída, ela praticamente foi a última a ser retirada do CTI”, conta Emanoel.

Emanoel ainda afirma que tentou acompanhar sua mãe, mas foi impedido com um soco no peito por um dos bombeiros que fazia a segurança do local no momento em que as chamas cresceram. Por conta do modo como foi retirada, acredita Emanoel, sua mãe acabou morrendo.

“Minha mãe foi assassinada. Ela tinha 88 anos? Sim. Tinha probabilidade de falecer? Sim. Mas não desse jeito”, se revolta ele.

O incêndio

O incêndio que atingiu o Hospital Badim, no bairro do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, na noite da última quinta (12) matou 11 pessoas - duas identificadas - e deixou pelo menos quatro bombeiros feridos, informou o Corpo de Bombeiros nesta sexta (13).

Até as 7h50 (Brasília) desta sexta, haviam sido reconhecidos os seguintes corpos:

  • Irene Freiras de Brito, 84;

  • Luzia dos Santos Melo, 88;

A direção do hospital abriu os canais suportefamiliares@badim.com.br e 97101-3961 (com acesso ao WhatsApp) para atender parentes.

O combate às chamas no Hospital Badim, da Rede D`Or São Luiz, começou na noite de quinta-feira e invadiu a madrugada, de acordo com nota dos bombeiros.

Cerca de 90 pacientes que estavam na unidade no momento do início das chamas precisaram ser transferidos para outras unidades, e o transporte contou com ambulâncias de diversos hospitais, além das vitaturas dos bombeiros.

O incêndio teria sido causado por um curto-circuito no prédio antigo do hospital, que passou recentemente por uma obra para reformas e expansão, de acordo com suspeita dos bombeiros. A corporação, no entanto, destacou que a apuração de causas não faz parte do escopo de atuação do Corpo de Bombeiros.

Segundo testemunhas, o fogo se alastrou rapidamente, causando pânico e correria dentro da unidade. Médicos, enfermeiros e funcionários do hospital, além de parentes dos pacientes, se mobilizaram para socorrer pessoas internadas.

As vítimas fatais teriam inalado muita fumaça e tiveram intoxicação.

No momento do incêndio, havia 103 pessoas internadas no hospital, que lamentou o ocorrido. “O Hospital Badim mais uma vez externa sua imensa tristeza diante do ocorrido“, disse o hospital em nota.

A cidade do Rio de Janeiro decretou luto devido ao incêndio.

A última nota oficial do hospital foi divulgada na madrugada desta sexta, leia:

A direção do Hospital Badim continua acompanhando o trabalho do Corpo de Bombeiros. Os familiares dos pacientes e funcionários envolvidos no episódio receberam atendimento pelo comitê de apoio do hospital, inclusive de uma assistente social.

Todas as providências estão sendo tomadas para acolher as famílias. Informamos que a direção do hospital irá se pronunciar após a inspeção do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, que deve acontecer ainda na manhã desta sexta feira (13/9).

Com REUTERS

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