Machucado, Morato conta rotina de torcedor e avisa: 'São Paulo não cai'

William Correia

Nessa segunda-feira, Morato completou quatro meses de uma rotina ingrata: operou o joelho direito para reconstrução dos ligamentos colateral medial e cruzado posterior e pouco tem esperança de, ao menos, treinar normalmente neste ano. Mas o atacante incorporou no dia a dia um espírito de torcedor do São Paulo, e confia plenamente em quem entra em campo.

- Não perco um jogo no Morumbi. E é lógico que o São Paulo não vai cair. Pode escrever aí: o Morato disse que não cai - disse o atacante, em entrevista exclusiva para o LANCE!, relatando de forma tranquila como convive com a expectativa de ficar no clube e os elogios que ainda ouve de torcedores.

Morato, que completou 25 anos de idade no último dia 1º, chegou ao São Paulo em abril, a pedido de Rogério Ceni, emprestado pelo Ituano até dezembro. Foi a surpresa do técnico no jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, no Mineirão. Deu assistência, encarou Rafael Sobis e se destacou na vitória por 2 a 1, em 19 de abril.

O time foi eliminado e, em meio a um período sem partidas oficiais, houve um jogo-treino contra o Oeste, em 6 de maio. Querendo mostrar serviço, Morato deu um carrinho e se machucou, acabando com sua temporada. Ainda sem saber se renovará ou terá que voltar ao Ituano, ele vira torcedor. E se anima com a longa carreira que ainda terá.

- Uma hora vou ter que voltar, e tenho que voltar bem. Não posso voltar mais ou menos. É o que me anima todos os dias, o que me dá forças - disse o jogador, vinculado ao Ituano até dezembro de 2018 e ciente de que é possível que jogue o próximo Campeonato Paulista pela equipe de Itu.

Confira a entrevista de Morato ao LANCE!:

Você tem ido ao Morumbi ver os jogos?
Tenho. Depois do período em que não pude ir porque não podia andar, não perdi um jogo. Vou sempre. Com a minha esposa, meus amigos, mas sempre estou lá. Com ou sem eles.

A torcida te tieta?
Nada. Às vezes, passo até batido. Dou uma passada pela avenida, ouço alguém falando 'pô, aquele cara parece o Morato, hein?'. Mas passo batido. Ainda dá para ir nos lugares, está tranquilo.

E como é ver os jogos? Fica imaginando o que poderia fazer se estivesse em campo?
Não, porque na hora coloco a mão no joelho e sinto que dói (risos). Não dá. Não tem como pensar nessa situação. Só torço para a galera ainda.

Mas ainda dói o joelho?
Um pouquinho. Sinto umas pequenas dores. Mas estou evoluindo Faço academia já. Em tudo que faço de novo, o joelho grita, dá uma resposta e, com o tempo, vai reacostumando. É assim. Está voltando a ser um joelho.

E você se machucou dando carrinho em um jogo-treino, né?
Foi, lá em Cotia. Não gosto nem de lembrar. Mas vivo disso, faz parte.

Mas imagino que faça parte do seu estilo. No seu único jogo pelo São Paulo, a torcida gostou que o Rafael Sóbis foi te intimidar e você o encarou...
Foi até uma situação engraçada. Aconteceu. Tem coisas que acontecem e você não tem controle. Que bom que foi um fato engraçado e, no final das contas, isso até, de certa forma, colaborou para apontarem o Morato brigador, como o pessoal tem falado. Foi bacana. Teve que acontecer. Mas não tenho nada pessoal nem profissional contra ele. Se um dia reencontrá-lo, vou cumprimentar normalmente.

Quando você se machucou, a diretoria disse que avaliaria renovar seu contrato, porque você agradou no único jogo que fez pelo clube. Há essa expectativa?
Tenho essa expectativa todos os dias. Mas não é o momento. Com a situação que estamos vivendo, nem tocamos no assunto porque não é o momento. Na hora certa, a gente vai resolver se fico ou não.

Se o São Paulo for rebaixado, como fica a situação para você renovar?
Então, vai atrapalhar se isso acontecer. Mas deixa na mão de Deus. A rapaziada está bem focada para não deixar isso acontecer. Vamos esperar, o tempo vai dizer.

Pelo jeito que você está falando, não dá para discutir renovação nesse momento...
Exatamente. Não tem como eu ser prioridade em uma situação dessas. É o clube em primeiro lugar, sempre. Só torço para que as coisas comecem a dar certo. É uma coisa de cada vez: que a gente saia dessa situação e venha a renovação.

Mas você quer ficar?
Muito. Não tenha dúvidas.

Algum outro clube te procurou?
Não, até pela situação. Estando machucado, é bem difícil alguém te procurar.

E se não renovar com o São Paulo e tiver que voltar ao Ituano?
Volto, né? É a vida, não tem jeito. Se não for aqui no São Paulo, será em outro lugar. Minha carreira não vai parar, não pode parar. Vamos torcer para que as coisas caminhem para o lado certo.

Você agradou muito naquele seu único jogo pelo São Paulo. Fica revendo os lances?
Evito. Até para não ficar pensando: 'p... que pariu, foi bom para caramba, hein? Podia ter sido mais'. Até para não criar algo que não é nem uma expectativa. É mais uma boa lembrança que acaba sendo uma falsa lembrança. Tenho de lembrar que tem um tempo longo ainda no Reffis. Venho tratando, com a mente bem boa para não me iludir nem criar expectativa demais.

As informações são de que os torcedores, na reunião com o time no CT, te citaram como exemplo. E você deve acompanhar quando te citam em redes sociais. Como é conviver com isso tendo jogado só um jogo?
É meio estranho. Em relação à reunião, peço desculpas porque foi uma situação fechada e fizemos um pacto para que ninguém abra para ninguém. Mas acompanho as redes sociais. O pessoal tem sempre mandado mensagens de boa recuperação, para voltar logo. Isso me anima nesse meu período afastado e tem contribuído bastante para a minha recuperação.

Você conversa frequentemente com o Dorival?
Sim. Vira e mexe, a gente se encontra nos corredores. Ele me conhece, conversa, sempre pergunta como estou, se estou evoluindo bem. Não pergunta pelo prazo porque já sabe da situação. Mas temos uma relação legal, até porque nos vemos pouco.

O Rogério Ceni, que pediu sua contratação, conversou com você depois que saiu?
Conversou com o grupo. Veio um dia se despedir e falou com todos, no geral.

E como fica a concorrência na sua posição? Você parecia ter saído na frente dos outros naquele seu único jogo e, depois disso, chegou mais gente, como Maicosuel, Marcos Guilherme, Denilson...
Isso não é nem preocupação. Estamos falando em clube grande, precisa ter peças de alto nível. Como foi o Luiz Araújo, agora o Wellington Nem machucou, mas tem ainda o Marcinho, Marcos Guilherme, Lucas Fernandes... Tem uma galera aí. O importante é manter sempre o alto nível da equipe. É o que importa.

Como está a recuperação?
Estou bem. Já se passaram quatro meses da operação e estou evoluindo bem, e bem controlado, nada extrapolado, sem qualquer situação que avance o trabalho além do tempo. Está bem controladinho o tempo e os exercícios que venho fazendo no Reffis.

Você está em qual estágio da recuperação?
Estou fazendo transport agora, agachamento, começando academia devagarzinho. Estou evoluindo. Do que eu fazia um tempo atrás para o que faço hoje, já faço muita coisa.

Recentemente, você apareceu no campo para dar uma olhada no treino. Quis matar as saudades?
Foi até engraçado. Eu estava fazendo gelo, ia falar com um estudantes de jornalismo e aproveitei para dar uma olhada no treino. Para matar um pouquinho da saudade.

Mas você evita ver o treino? Como você lida com essa saudade?
Não evito, não. É que o Reffis me toma muito tempo. Geralmente, quando estou acabando ali, o pessoal já está terminando no campo. Muitas vezes, não dá para ver o treino deles mesmo. Mas, se desse o horário, com certeza assistiria ao treino tranquilamente.

Como é a sua rotina no Reffis?
São dois períodos. De manhã, começo às 9h e termino 12h. Volto 14h30 e fico até umas 16h30. Na parte da manhã, por enquanto, é mais a parte da academia, no transport, na bicicleta. À tarde, é na piscina, o trabalho que faço na hidro.

Parece que trabalha mais do que quem está jogando...
E como, viu, cara. Como trabalho. Tem que trabalhar, não tem jeito. Se eu não trabalhar, não volto.

Como você tem se motivado nesse tempo sem jogar?
Penso que uma hora vou ter que voltar, e tenho que voltar bem. É o que me anima todos os dias, o que me dá forças. Sei que o dia a dia é complicado, mas me apego a isso. Vou ter que voltar, e quero voltar bem. Não quero voltar mais ou menos.

Existe alguma expectativa de você, pelo menos, voltar a treinar normalmente neste ano?
Bem difícil. Se agora está completando quatro meses, em dezembro estará completando sete, e o médico deu oito. Em dezembro, começarei a fazer a transição, bem devagarzinho. Jogar neste ano é quase impossível.

Deixa uma mensagem passar para esses torcedores do São Paulo que não esquecem daquele seu único jogo.
Aquilo foi uma parte do que é o Morato. Independentemente de ter altos e baixos, jamais vai faltar comprometimento. Aquilo é um pouco do que sou. Espero, quem sabe, no ano que vem, mostrar para eles mais da minha capacidade.

O São Paulo vai cair?
Lógico que não. Pode escrever aí: o Morato disse que não cai.
















































































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