Lutador que recebeu doação de rival gastou R$ 850 só de passagem para lutar

BRUNNO CARVALHO
Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Quando soube que lutaria no Brazil MMA, em Salvador, na Bahia, Rilcedi Escorpião procurou passagens de avião para viajar de Belém, do Pará, para a capital baiana. O valor acima dos R$ 2 mil era inviável para quem tem uma renda mensal de R$ 600. Restou a opção mais difícil para um lutador que precisava perder quatro quilos para lutar: encarar dois dias de ônibus ao custo de R$ 854,18.

Com a promessa de que ganharia R$ 500 para lutar e mais R$ 500 se vencesse, Rildeci pegou emprestado o cartão da irmã para comprar as passagens. A derrota para Filipe Esteves parecia ser o início de mais um problema para o atleta. Mas, então, o rival chegou ao seu ouvido e avisou que doaria o prêmio a ele.

"Quando terminou a luta, ele veio com aquela surpresa maravilhosa. Eu comecei a chorar e abracei ele. Veio no meu coração que foi Deus que colocou ele no meu caminho para me abençoar. Porque eu vivo disso. Tenho aluguel para pagar", afirmou.

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Natural de Almeirim do Pará, a dois dias de balsa da capital Belém, Rildeci divide seu tempo lutando, dando aula em um projeto que tem junto com a mulher e em um bazar, fundamental para o complemento da renda. "A gente vende roupas usadas na praça. A gente monta uma barraca e anuncia o bazar".

A vida fica um pouco melhor quando tem luta para fazer. O paraense sobe no ringue desde 2009 e já fez combates na Rússia e no Japão. Com uma média de um duelo a cada quatro meses, ele prevê dificuldades para encontrar novos confrontos com duas derrotas seguidas no cartel. "É difícil conseguir luta para mim assim".

Rildeci tem um cartel no MMA de 32 lutas. São 23 vitórias e nove derrotas na carreira ao todo.

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