Luta pela igualdade: o zagueiro georgiano que desafiou o próprio país e ganhou prêmio da Uefa

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Guram Kashia comemorando vitória do Vitesse (VI Images via Getty Images)
Guram Kashia comemorando vitória do Vitesse (VI Images via Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

No dia em que o zagueiro Guram Kashia vestiu uma braçadeira de capitão com as cores do arco-íris em apoio à comunidade LGBT durante uma partida de futebol na Holanda, ele provavelmente não sabia o tamanho da repercussão que seu gesto causaria. O jogador encarou desde uma onda de ódio em seu país natal, a Geórgia, até um prêmio inédito concedido pela Uefa.

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Tudo começou em outubro do ano passado, quando Kashia atuava pelo Vitesse, clube da Primeira Divisão do futebol holandês. Na ocasião, o zagueiro aderiu a uma campanha de apoio aos direitos LGBT e decidiu a vestir a distinta braçadeira em jogos de competições nacionais. O gesto, no entanto, não agradou a todos. O atleta passou a sofrer represálias em seu país e houve até quem pedisse para que ele deixasse a seleção da Geórgia.

O momento mais delicado aconteceu no início de novembro, quando oito pessoas foram presas em meio a um protesto que reuniu dezenas em frente à sede da Federação de Futebol da Geórgia. Os manifestantes entoaram músicas anti-LGBT e queimaram uma bandeira com as cores do arco-íris. Semanas antes, o jogador havia sido criticado em um dos jornais mais populares do país.

“Kashia deve ser cortado da seleção da Geórgia. Os responsáveis pela equipe devem saber que os homens da Geórgia irão boicotar o time se Kashia ousar vestir a camisa da seleção”, escreveu um colunista do jornal Asavali-Dasavali.

Mesmo diante dos protestos, Kashia manteve a postura nos jogos seguintes pelo Vitesse e continuou vestindo a braçadeira multicolorida. Embora tenha desencadeado uma onda de rejeição, houve também quem apoiasse a atitude do jogador. Domenti Sichinava, ex-presidente da Federação de Futebol da Geórgia, foi um dos que saiu em defesa do zagueiro.

“Guram, para mim, você é e sempre será para da seleção da Geórgia. Você já mostrou repetidas vezes que é honrado para representar a bandeira da Geórgia e estou orgulhoso de ter trabalhado com você por tantos anos”, disse Sichinava.

Nas redes sociais, enquanto alguns criticavam a atitude com comentários ofensivos, outros demonstravam admiração. Houve até quem trocasse a imagem de perfil por uma foto do jogador.

A postura inabalável de Guram Kashia em meio à polêmica rendeu a ele o primeiro prêmio #EqualGame, concedido pela Uefa a partir deste ano a atletas que promovem a diversidade, inclusão e acessibilidade no futebol.

“Me sinto honrado por ter sido escolhido para receber o prêmio. Acredito na igualdade para todos, independentemente daquilo em que cada um acredita, de quem ama ou de quem é. Agradeço ao presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, por esta distinção e vou continuar sempre defendendo a igualdade de direitos para todos por onde eu jogar”, agradeceu o zagueiro, que atualmente joga na Major League Soccer, nos Estados Unidos, pelo San Jose Earthquakes.

Na seleção, a situação de Guram Kashia não foi abalada. Mesmo após os protestos, ele seguiu servindo à equipe e participou de todos os compromissos da Geórgia desde então. A última vitória dos georgianos, inclusive, contou com um gol do zagueiro – no triunfo por 1 a 0 contra Malta, em junho deste ano.

O maior gol de sua carreira, no entanto, Guram Kashia já havia marcado oito meses antes.

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