Luta histórica entre Ali e Foreman na África faz 40 anos

AFP

Há quatro décadas, Mohammad Ali nocauteava George Foreman no 'Rumble in The Jungle' (Rugido na Selva), uma luta disputada na África que ficou na memória como uma das maiores de todos os tempos.

O combate completa 40 anos na próxima quinta-feira e os dois protagonistas continuam sendo considerados lendas vivas do esporte, apesar de ambos terem perdido o ímpeto da juventude.

A irreverência de Ali foi silenciada pelo Mal de Parkinson, enquanto Foreman deixou a frieza de lado para lançar uma linha de grill e sanduicheiras com seu nome.

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A luta do dia 31 de outubro de 1974 foi organizada por Don King, até hoje um dos empresários mais influentes do mundo do boxe, em Kinshasa, capital do Zaire (hoje República do Congo), então governado pelo ditador Mobutu Sese Seko.

Muitas estrelas da música negra americana, como James Brown, foram à África para fazer shows poucos dias antes do evento.

Apoiado pela imensa maioria da plateia local, aos gritos de "Ali Bumaye" (Ali, mate-o), Ali reconquistou o título dos pesos pesados que havia perdido em 1967, por ter se recusado a entrar nas Forças Armadas americanas para lutar no Vietnã.

A carreira do maior lutador da história ficou travada por três anos e meio, mas em 1971 a Suprema Corte dos Estados Unidos o liberou para voltar aos ringues.

Enquanto isso, Foreman era o novo terror do boxe mundial, atropelando um adversário atrás do outro em menos de dois rounds.

Para derrotá-lo, Ali usou a estratégia "Rope-A-Dope", que consiste em ficar nas cordas para aguentar melhor os golpes, deixando 'Big' George cansar antes de castigá-lo no oitavo assalto.

Ali maior que o boxe

Muhammad Ali foi um gênio do boxe, mas sua grandeza vai muito além do esporte. Sua luta pelos direitos civis dos negros americanos e pela justiça social deixaram um legado muito mais significativo do que qualquer cinturão de campeão mundial.

"Muhammad sempre foi maior que o boxe", reconheceu o próprio Foreman num artigo publicado no seu site. "Ele foi o maior, porque nunca houve um homem tão jovem, tão bom no que fazia, e ele fez muito. Quando atores, atletas, políticos e líderes mundiais estavam preocupados em vender refrigerantes, Ali tomou uma posição", elogiou.

"O boxe é pequeno demais para Muhammad Ali. Ele mudou o mundo. Nenhum outro boxeador poderia fazer isso", completou Foreman, que sempre foi mais reservado que o rival, atraindo menos fãs.

Em 1990, Ali visitou o Iraque para negociar a libertação de 14 reféns americanos retidos por Saddam Hussein. Em 2005, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos Estados Unidos.

Mas seu maior prêmio foi acender a pira olímpica dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. As imagens da mão do ex-pugilista tremendo ao carregar a tocha por causa da Mal de Parkinson emocionaram o mundo.

Nos últimos anos, houve muitos rumores de que Ali, hoje com 72 anos, estaria num estado grave, mas ele mesmo nega qualquer boato.

"Não acreditem no que dizem. Estou tendo um ótimo dia hoje", publicou recentemente no Twitter, ao lado de fotos tiradas em uma escola da sua cidade natal de Louisville, no Kentucky.

O porta-voz da família Ali, Bob Gunnell, disse ao jornal local Louisville Courier-Journal que o boxeador é "uma pessoa forte para a sua idade, apesar da doença", embora reconheça que não consegue se expressar bem.

"Está falando mais baixo e o tom vai diminuindo ao longo do dia, ele não fala tão bem à tarde", explicou.

Um novo Foreman

Foreman, hoje com 65 anos, chegou a se aposentar do boxe em 1977, mas voltou atrás dez anos depois, quando o esporte estava sendo dominado por Mike Tyson. Chegou a enfrentar Evander Holyfield, para quem perdeu por decisão dos juízes depois de 12 assaltos, em 1991.

Mas em 1994, usando o mesmo calção vermelho com o qual perdeu para Ali vinte anos antes, 'Big George' nocauteou Michael Moorer para se tornar aos 45 anos o mais velho campeão da história dos pesos pesados.

A boa forma exibida em uma idade 'avançada' levou um fabricante de aparelhos grill e sanduicheiras a usá-lo como garoto-propaganda de uma linha que permite o preparo de alimentos grelhados. Os aparelhos são vendidos com o nome do ex-boxeador até hoje.

Graças a essa parceria, sua fortuna foi avaliada em 200 milhões de dólares.

Hoje em dia, o boxe vem perdendo espaço para outros eventos de luta, como o Ultimate Fight Championship (UFC), talvez por não ter grandes ídolos e rivalidades histórias, como aconteceu com Ali e Foreman.

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