Livre, Lula se pinta para a guerra

O ex-presidente Lula recebe o apoio de aliados após deixar a carceragem da PF em Curitiba. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters
O ex-presidente Lula recebe o apoio de aliados após deixar a carceragem da PF em Curitiba. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters


Vinte e quatro horas após a decisão do STF sobre a prisão em segunda instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a carceragem da Polícia Federal prometendo rodar o país.

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A caminho de São Paulo, em um ato improvisado ainda em Curitiba, ele agradeceu aos membros da Vigília “Lula, Livre”, que toda manhã gritava “bom dia, presidente” em frente à sede da PF. Estava cercado de aliados, entre eles Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad.


“Aos 74 anos, meu coração só tem espaço para o amor”, disse, antes de acionar a artilharia contra figuras-chave da Lava Jato, em um discurso para inflamar a militância e atiçar opositores.

Chegou a dizer que, se Deltan Dalagnoll, Sergio Moro e o “lado podre” da Receita e da polícia fossem colocados em um liquidificador, o que sairia não teria 10% da honestidade que ele representa.

Ele atribuiu sua condenação a uma campanha de criminalização. Escolheu como alvo a Rede Globo, também declarada inimiga pelo seu opositor, Jair Bolsonaro - a quem Lula ironizou a baixa patente. Foi uma chamada clara para a briga.

Apostando na linha direta com os populares, o ex-presidente disse que dignidade não se compra em shopping center.

Lembrou de sua mãe, dona Lindu, que lhe passou o ensinamento e, segundo ele, morreu analfabeta.

Disse que desde sua prisão o país só piorou. Citou a crise econômica e os trabalhos precários disponíveis no mercado.

Lamentou ainda que seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, tenha sido “roubado” em uma eleição vencida por um presidente que escolheu para a pasta um “ministro da grosseria” que quer acabar com a universidade.

O discurso, de 15 minutos, mostrou que Lula não está disposto a bater em retirada e responder em silêncio aos processos que ainda correm contra ele na Justiça.

Pelo contrário: vai ser uma voz constante daqui em diante. Essa voz vai apostar até o limite na polarização.

Mesmo inelegível, Lula quer chamar para si o papel de anti-Bolsonaro - uma figura que a oposição, nem ao centro, nem à esquerda, conseguiu produzir em mais de dez meses de governo.

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