Luiz Gomes: Pandemia é mais uma chance para o Brasil seguir o mundo

Luiz Fernando Gomes
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Há seis anos, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo da Fifa, em junho e julho de 2014, o Campeonato Brasileiro foi mutilado, não apenas pela necessidade de ser paralisado durante o Mundial, mas pelo período anterior, onde algumas dezenas de jogos tiveram de acontecer em estádios alternativos, já que havia obras em arenas como o Mineirão, o Maracanã, o Beira-Rio ou a Baixada.

Dois anos depois, quando o Rio sediou as Olimpíadas, uma situação bem parecida se repetiu, já que o futebol tinha sedes espalhadas por outros estados onde estádios ficaram à disposição do COI, um tempo antes do início dos jogos. Com o agravante de que o Brasileirão continuou normalmente... E não estamos nem falando da overdose de Copa Américas que invariavelmente atropelam o calendário brasileiro, por vezes com jogos simultâneos nos campeonatos nacionais.

Todas essas foram oportunidades desperdiçadas pela CBF para alterar o nosso calendário integrar o Brasil ao restante do mundo.

Uma nova chance de mudança surge agora. É verdade que da pior maneira possível, resultado de uma pandemia que jamais imaginávamos ter de enfrentar um dia. Mas o fato é que a suspensão do futebol por aqui - ainda que decidida tardiamente pela cartolagem - nos leva à reflexão de que passos vamos seguir. E o bom senso deveria prevalecer.





A discussão nos gabinetes da CBF, sobre o que fazer com o Brasileirão-2020, revela a miopia - e o provincianismo - da cartolagem brasileira. Fala-se em mudar a fórmula de disputa, na volta dos mata-matas, de dividir os clubes em grupos e outras balelas oportunistas. Quando a solução mais óbvia é, tão somente, transformar o Brasileirão desse ano em Brasileirão 2020/2021. Exatamente como no resto do mundo.

Sim, assim funcionam as ligas europeias, cujas temporadas não seguem o ano regular. Aliás, assim funcionam também as ligas americanas de outras modalidades esportivas. E se não é assim que se dá na América do Sul, alguns campeonatos, como o argentino, se dividem em torneios de apertura e clausura permitindo que os Hermanos joguem o ano inteiro no mesmo ritmo do futebol internacional do mundo civilizado.

Ah, mas aqui tem o verão, como vai ser jogar em janeiro? Ora, quantas vezes já se jogou em janeiro, sem respeitar-se sequer a integridade das férias dos jogadores e a pré-temporada dos clubes? E que argumento é esse em um país que obriga ainda hoje os jogadores a entrar em campo às 11h da manhã com temperaturas que beiram os 40 graus? Isso é conversa fiada. Como também é hipócrita a ‘preocupação’ dos cartolas com as férias dos jogadores, que precisam ser no verão para que possam curtir junto com os filhos. Como se isso fosse algo de que nós, a maior parte dos brasileiros pudéssemos desfrutar.

Problemas reais de fato existem para implementar a mudança. A manutenção dos campeonatos estaduais, especialmente no formato atual, ocupando tantas datas, talvez seja o maior deles. O calendário da Conmebol também atrapalha e precisaria ser adaptado. Não há uma receita exata para resolver. Mas, basta uma rápida consulta no Google para ver que propostas não faltam. Umas mais sérias, fundamentadas e bem viáveis, construídas por entidades e estudiosos do futebol; outras mais informais, de leigos e curiosos do assunto.

Este triste momento por que passa o mundo, sem futebol a alegria do futebol, deveria estar sendo usado no Brasil para uma discussão verdadeiramente séria. Um debate que realmente pudesse fazer o futebol brasileiro renascer diferente depois da crise. Mas, convenhamos, infelizmente parece ser muito esperar algo de bom dessa gente.








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