Luiz Antônio e os três novembros de Bahia e Flamengo

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Luiz Antônio durante sua passagem pelo Bahia (Felipe Oliveira/EC Bahia)
Luiz Antônio durante sua passagem pelo Bahia (Felipe Oliveira/EC Bahia)

Por Josué Seixas (@josue_seixas)

Reservam-se três meses de novembro na mente do meio-campista Luiz Antônio. Era dia 27 na primeira vez em que o penúltimo mês do ano quis marcá-lo. Marca de sucesso, porque em 2013 foi campeão da Copa do Brasil com o Flamengo, último título nacional do time rubro-negro. Também foi maestro, já que o elegeram melhor jogador da final Copa do Brasil de 2013, naquela vitória por 2 a 0.

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No mesmo novembro, desta vez em 2016, Luiz balançou a rede pelo Bahia pela última vez. Foi naquele jogo que o time conquistou os três últimos pontos da Série B, o suficiente para ter o acesso que é protegido até hoje. No dia 19 de novembro daquele ano, Luiz Antônio calçou as chuteiras de Juninho, que estava lesionado, e balançou a rede num golaço, o último dele no time nordestino. 

A nova data é comemorada à distância. Luiz Antônio agora veste a camisa Baniyas, dos Emirados Árabes, e assiste ao futebol brasileiro de vez em quando, porque o fuso horário não ajuda. É nesses pequenos intervalos que vê as imagens ou lê as notícias, mas sempre torce para que Flamengo e Bahia chamem atenção. 

Ao Yahoo Esportes, o meia elogiou os trabalhos de Jorge Jesus e Roger Machado. Os dois se enfrentam no próximo domingo, às 18h. 

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A história com o Bahia

A passagem durou seis meses, mas rendeu boas histórias. O Bahia disputava a Série B e precisava subir. De acordo com Luiz Antônio, havia a dificuldade de que o time ganhava dentro de casa e não ia bem fora, então as pessoas começaram a dizer que o time não poderia jogar com dois segundos volantes por causa da ofensividade. 

A dupla Juninho e Luiz Antônio, dois jogadores que batiam bem na bola, precisou se separar. Amigos por causa do Rio de Janeiro, os dois entenderam a situação e seguiram.

“O Juninho é um pouco mais velho do que eu, mas já tinha me visto jogar pelo Flamengo, então se tornou uma amizade longa. Com esse conflito de posições, era eu ou ele e eu saí”, conta o volante. 

Luiz Antônio estava sentado no banco de reservas quando viu Juninho fazer uma jogada e torcer o tornozelo. Não aguentaria continuar a partida. Também não conseguiu voltar a tempo do fim do campeonato. Luiz Antônio se levantou do banco de reservas, só teve de aquecer um pouquinho e foi para o campo. O Bahia venceu aquele jogo por 1 a 0, contra o Sampaio Correia. Era novembro.

Duas partidas depois, veio a homenagem de Luiz Antônio para Juninho. Foi calçando as chuteiras do amigo que ele balançou a rede pela última vez com a camisa do Bahia, num chutaço de fora da área.

“O Juninho ainda estava no tratamento, todo mundo achando que ele iria voltar. E eu garanti a ele que, se ele não jogasse, eu iria jogar com a chuteira dele e fazer um gol com aquela chuteira. Éramos amigos. Depois do gol contra o Bragantino, o primeiro do jogo e nossa última vitória naquela Série B, doamos a chuteira”, disse. 

Paixão antiga sempre mexe com a gente

Na vida de Luiz Antônio, é impossível esquecer do Flamengo. Foi lá que ele passou pelas maiores dificuldades para se tornar jogador de futebol. Acordava cedo para ir, porque não tinha muitas condições financeiras, então madrugava nos transportes e tinha de dormir nos contêineres para descansar um pouco antes dos treinos. Era a mesma estrutura da tragédia do Ninho, ao que ele relembra com tristeza. Embargou a voz para falar do assunto.

“Passaram várias coisas na minha cabeça. Esses meninos… Eu passei por tudo isso que eles passaram. Poderia ser uma história muito linda. Espero que Deus conforte os pais e os familiares”.

Pelo Flamengo, Luiz Antônio alguns dos melhores momentos da carreira. Esteve por lá durante 12 anos e fez muitas amizades, além de ter jogado com craques como Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love e Leonardo Moura, como ele mesmo diz. Até as brincadeiras com Renato Abreu e Negueba ficam na memória. Tinha 21 anos quando invadiu uma coletiva dos amigos e levou todo mundo às risadas. 

“Eu sou Flamengo desde pequeno, então meu lado flamenguista, carioca, de ter passado um longo tempo lá, do Flamengo ter me dado todo suporte e oportunidade de jogar no profissional é muito forte. Eu sempre gostei de brincar, vivíamos momentos muito engraçados e saudáveis dentro do clube. É muito bom lembrar isso. O final da Copa do Brasil de 2013 é o jogo inesquecível para mim”.

É pelo Flamengo que Luiz Antônio vai torcer no próximo domingo. Ele não quis ficar em cima do muro, porque sabe que “o empate não ajuda ninguém”. É pelo carinho que teve na Bahia que ele também acredita numa vitória do time. O coração carioca que falou mais alto na hora da análise.

“Eu torço para que seja um bom jogo, que seja bonito, porque os dois times vêm jogando um futebol muito bonito. Jesus e Roger têm feito um trabalho muito bom. Pelo que tenho visto, o que tenho acompanhado, com o Flamengo em primeiro lugar e jogando um futebol diferente, acredito que possa ser uma vitória do Flamengo”.

Hoje Luiz Antônio joga no Baniyas, dos Emirados Árabes (Baniyas)
Hoje Luiz Antônio joga no Baniyas, dos Emirados Árabes (Baniyas)

As coisas são diferentes no exterior

Luiz Antônio está jogando em Abu Dhabi, onde só três estrangeiros podem estar no time. Os árabes predominam e a cultura é diferente, já que as coisas lembram o Antigo Testamento da Bíblia, como a rigidez. O horário de treinos é diferente, mas o brasileiro garante que fez uma boa escolha. 

“As pessoas podem não achar, mas o futebol é muito forte, competitivo. Eu tive a oportunidade de jogar fora em um país totalmente diferente da cultura, então fico feliz. Tem umas boas diferenças..., No fuso, você começa meio sem entender. Depois, aprende. Aqui, se treina só à noite. Treinei bem pouco no começo, no sentido de força, porque se faz um trabalho a mais. Eu trabalho dois períodos todos os dias, para poder sobressair em campo e dar o meu melhor”.  

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