“Patrão”, Lucas Veríssimo vira dono da defesa do Benfica e exemplo de adaptação na Europa

Lucas Verissimo comemora gol marcado pelo Benfica (Foto: João Rico/NurPhoto via Getty Images)
Lucas Verissimo comemora gol marcado pelo Benfica (Foto: João Rico/NurPhoto via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Foram diversas semanas até que Lucas Veríssimo acabasse, enfim, apresentado como reforço do Benfica em 9 de fevereiro. O dia escolhido para o anúncio de sua chegada foi uma mera formalidade, no entanto, porque a sua preparação para deixar o Santos e embarcar no novo desafio começou muito antes.

Preocupado com a sua adaptação na Europa, ele manteve contato, por exemplo, com o ex-auxiliar do alvinegro, o português Pedro Bouças, que trabalhou com Jesualdo Ferreira na Vila Belmiro. Por trás das conversas com Bouças, Veríssimo queria saber como as defesas de seu futuro treinador, Jorge Jesus, se comportavam. Foi, então, municiado de um denso material para aterrissar no estádio da Luz e não perder qualquer tempo.

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Aliado a isso, conversou também com uma série de brasileiros que já haviam jogado sob o comando de Jesus.

Em suma, fez toda a lição para provar rapidamente que “não era apenas um zagueiro de futebol brasileiro”. Mais do que qualquer ganho financeiro, esse sempre foi um dos objetivos que o moveu em sua carreira e o fez pressionar tanto para que a transferência para o Benfica se concretizasse.

Acima de tudo, Veríssimo nunca duvidou de seu talento.

Com menos de um ano em Lisboa, essa autoconfiança já se mostrou mais do que justificada. O ex-santista é hoje o patrão da zaga dos portugueses, foi comparado à lenda Carlos Mozer, que defendeu a seleção brasileira, e teve recentemente o seu nome ligado a uma possível ida para o Tottenham.

Nada disso surpreende. Na linha de trás, o atleta de 26 anos desbancou nomes muito mais experientes como Nicolás Otamendi e Jan Vertonghen e viu a sua chegada revolucionar o sistema tático de Jesus, que passou a atuar com três peças. Na avaliação do ‘Mister’, com o reforço de 6,5 milhões de euros (R$ 41 milhões), ele passou a contar com uma alternativa mais rápida do que qualquer outra que tinha à disposição em seu elenco.

Algo que Bouças já antecipava.

“Ele é realmente muito bom. E você pode pensar assim: ‘ah, você o conhece, por isso que diz isso’. Mas você não vai me ouvir dizer o mesmo de mais nenhum jogador. O plantel (no Santos) era curtíssimo para as nossas exigências, então, se digo o contrário do Lucas é porque efetivamente ele era o contrário (do resto)”, afirmou ao podcast Futebol de Bancada.

“Até nas rodas de bobinho, mesmo sendo zagueiro, era o cara com mais categoria, uma qualidade técnica abismal”, completou.

Esses recursos fazem de Veríssimo uma das rotas de saída para o Benfica construir os seus ataques. Até aqui, ele marcou quatro vezes pelas Águias, mais do que o compatriota Gabigol em sua passagem pela Luz.

O seu sucesso é um alento para Jesus, que, ao deixar o Flamengo para retornar ao Benfica, trouxe em sua bagagem reforços do Brasil como o lateral direito Gilberto e o atacante Everton Cebolinha. Ao contrário do defensor, nenhum dos dois convenceu em sua primeira temporada. Não é surpresa, portanto, que Veríssimo desponte agora como candidato forte a ficar com a quarta vaga da retaguarda da seleção para a Copa do Mundo de 2022.

Marquinhos, Thiago Silva e Éder Militão estarão certamente em muito boa companhia.