Liverpool pode dar à Europa hegemonia inédita no Mundial de Clubes

ALEX SABINO
Folhapress
DOHA, CATAR, 18.12.2019 – LIVERPOOL-MONTERREY: Partida entre Liverpool e Monterrey, válida pela semifinal do Mundial de Clubes da Fifa, realizado no Estádio Khalifa International Stadium, em Doha (Catar), na tarde desta quarta-feira (18). (Foto: Ricardo Moreira/Zimel Press/Folhapress)
DOHA, CATAR, 18.12.2019 – LIVERPOOL-MONTERREY: Partida entre Liverpool e Monterrey, válida pela semifinal do Mundial de Clubes da Fifa, realizado no Estádio Khalifa International Stadium, em Doha (Catar), na tarde desta quarta-feira (18). (Foto: Ricardo Moreira/Zimel Press/Folhapress)

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - O sofrido gol de Roberto Firmino nos últimos minutos da semifinal não manteve apenas o Liverpool na disputa do Mundial de Clubes no Qatar. Derrota tiraria da Europa a chance de obter sua sequência recorde de conquistas na história do torneio e igualar a melhor série sul-americana.

Caso a equipe inglesa seja campeã no sábado (21), diante do Flamengo, os times europeus terão sete troféus consecutivos. Uma hegemonia que começou em 2013, com o Bayern de Munique.

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Depois disso, o Real Madrid ganhou quatro vezes, e o Barcelona, uma. O último sul-americano vencedor do mundo foi o Corinthians, em 2012.

"Chegou a hora de conseguir o que viemos fazer aqui: colocar as mãos nesse troféu. Nós não saímos de Liverpool para perder", disse o lateral esquerdo escocês Andrew Robertson após a apertada vitória sobre o Monterrey por 2 a 1, nesta quarta (18), em Doha.

O gol decisivo de Firmino saiu apenas aos 46 minutos do segundo tempo.

Jamais os europeus tiveram tamanho domínio. Antes disso, haviam obtido a melhor sequência entre 2007 e 2011, quando venceram em cinco anos consecutivos (Milan, Manchester United, Barcelona duas vezes e Internazionale).

Uma vitória do Liverpool sobre o Flamengo igualaria as sete conquistas da América do Sul de 1977 a 1984. Em 1978, o torneio não foi disputado porque os europeus se recusaram a jogá-lo. O título era disputado na época em partidas de ida e volta, e o ganhador da Copa da Europa (atual Champions League) sempre reclamava da violência dos rivais e das arbitragens duvidosas.

No período, Boca Juniors-ARG, Olímpia-PAR, Nacional-URU, Flamengo, Peñarol-URU, Grêmio e Independiente-ARG ficaram com a taça.

"Agora nós vamos assistir a mais jogos do Flamengo. Vimos a semifinal [diante do Al-Hilal-ARS,] mas não acredito em ciência de uma partida. Temos de ver três ou quatro e vamos fazer isso amanhã [quinta]", afirmou o alemão Jurgen Klopp, técnico do clube inglês.

O Liverpool é a equipe que mais vezes teve direito a jogar a competição sem obter sucesso. Nas cinco temporadas anteriores à de 2019 em que foi campeão europeu, abdicou em 1977 e 1978. Perdeu em 1981 (Flamengo), 1984 (Independiente-ARG) e 2005 (São Paulo).

"Quem está aqui tem o orgulho de representar seu país ou seu continente. Sabíamos que teríamos alguns problemas [contra o Monterrey], mas os garotos jogaram muito bem", disse Klopp.

A partir de 2005, quando o Mundial de Clubes com a participação de todas as confederações se tornou anual, os europeus levantaram o troféu 11 vezes, contra 3 dos sul-americanos.

Isso foi decisivo para o continente ter vantagem no retrospecto geral. São 32 títulos, contra 26 dos clubes da Conmebol na competição que iniciou em 1960.

Além de 1978, os europeus também se recusaram a participar em 1975. Em 2000 há dois campeões considerados oficiais, porque a Fifa realizou pela primeira vez o torneio expandido com clubes da África, Ásia e América Central-Norte e Oceania. O Corinthians foi campeão.Só  que a então chamada Copa Intercontinental também aconteceu, e o Boca Juniors bateu o Real Madrid para ficar com o título.

"A gente sabe que faz tempo que o futebol sul-americano não conquista esse título, que é o mais importante de todos. Vamos fazer o máximo para que o Flamengo seja o time time a quebrar esse tabu", disse Rafinha, lateral do clube carioca.

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