Listas de bilionários mostram que dinheiro muda de mão devagar no país

BRUNA NARCIZO
·5 minuto de leitura
Joseph Safra dont le frère le milliardaire Edmond Safra est décédé dans l'incendie de son appartement à Monaco en 1999, téléphone, le 21 novembre 2002 au palais de justice de Monaco, au premier jour du procès de l'infirmier américain Ted Maher, auteur présumé de l'incendie.  Joseph Safra, the brother of billionaire banker Edmond Safra arrives 21 November 2002 at the court house of Monaco for the start of Ted Maher's, 44, a former US soldier accused of a 1999 arson attack that killed Safra, trial. (Photo by Pascal GUYOT / AFP)        (Photo credit should read PASCAL GUYOT/AFP via Getty Images)
Joseph Safra, que morreu em dezembro passado (Foto: Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A roda da fortuna é a carta do tarô que representa os altos e baixos da vida e pode ser usada como analogia sobre como as grandes fortunas trocam de mãos ao longo da história à medida que a economia se transforma. No caso do Brasil, a roda gira muito lentamente.

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O economista Pedro Belisário, professor do Ise Business School, afirma que as famílias ricas no país, no geral, aumentam ainda mais o seu patrimônio ao longo dos anos.

Belisário ampara a afirmação em dados de pesquisas que realizou em 2018 e 2019 sobre Single Family Offices no país.

Um family office é uma empresa que gerencia os investimentos e o patrimônio de uma família rica. O serviço chamado single é ainda mais exclusivo e voltado para famílias com grande patrimônio. "A impressão é que, de fato, o dinheiro não muda de mão", afirma Belisário.

A revista Forbes Brasil, que traz o ranking de bilionários nascidos no país, reforça essa percepção. Uma comparação entre a lista da primeira edição brasileira, de 2012, e a da edição mais recente, de 2020, sinaliza o enriquecimento da tradição.

Quatro empresários permaneceram entre os dez mais ricos e elevaram o seu patrimônio no período. O banqueiro Joseph Safra, que morreu no início de dezembro de 2020, era o primeiro colocado ao final da década, com um patrimônio de R$ 119,08 bilhões. Em 2012, figurava na terceira posição, com R$ 25,97 bilhões.

O empresário Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G Capital, que controla empresas como AB InBev e Americanas, é o segundo colocado nas duas listas. Em 2020, seu patrimônio foi registrado com R$ 91 bilhões, enquanto em 2012 era de R$ 29,30 bilhões.

Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, sócios de Lemann, também estão na duas listas. Em 2020, Telles estava em quarto, com patrimônio de R$ 54,08 bilhões, e Sicupira era quinto, com R$ 42,64 bilhões. Em 2012, estavam, respectivamente, em quinto (R$ 13,43 bilhões) e sétimo (R$ 11,87 bilhões).

Duas pessoas figuram como estreantes entre os top 10 em 2020. Na sexta colocação, Alexandre Behring, outro sócio de Lemann, Telles e Sicupira. Patrimônio: R$ 34,32 bilhões.

Em nono apareceu o empresário Ilson Mateus, dono do Grupo Mateus, rede de varejista das regiões Norte e Nordeste. Com patrimônio avaliado em R$ 20 bilhões, Mateus teve uma ascensão atípica entre seus pares. Começou como garimpeiro e virou história de sucesso quando levou sua empresa a uma histórica abertura de capital na Bolsa, em 2020.

Ainda estão entre os dez, na terceira colocação, o cofundador do Facebook Eduardo Saverin, com R$ 68,12 bilhões, depois que sua fortuna subiu 61% em relação ao ano anterior.

A empresária Luiza Helena Trajano, principal acionista do Magazine Luiza, subiu 16 posições no ranking de bilionários, com patrimônio de R$ 24 bilhões, e se tornou a mulher mais rica do Brasil.

Luiza e Mateus são vistos como sinais da mudança em um setor da economia. "De 2012 para cá, o varejo cresceu e se concentrou em algumas empresas. Isso tem a ver com a mudança de comportamento do consumidor", afirma Belisário, professor do Ise.

No caso do Magazine Luiza, faz diferença também a questão do avanço tecnológico, representado pelo marketplace, por exemplo. Ele afirma que o modelo de negócios do Magalu, que oferece a plataforma de vendas para que outras empresas e pessoas, mudou o consumo no Brasil e colocou a empresa em outro patamar.

"Hoje, as ações do Magazine Luiza valem 200 vezes mais do que há dez anos, então, a Luiza aumentou --e muito-- seu patrimônio", afirma.

Existe até a percepção de que o mercado de ações pode fazer a roda da fortuna girar mais depressa e diversificar a geração de riqueza no Brasil. "Com o boom de mercados de capitais, vemos agora uma série de empreendedores de sucesso criando enorme riqueza em pouco tempo", diz Ricardo Lacerda, diretor-presidente do BR Partners Banco de Investimento, especializado em assessoria a grandes empresários.

"A mobilidade empresarial cresceu muito desde a década de 1990, quando a riqueza do país era ainda concentrada em poucos grupos."

Os dois nomes restantes da lista de 2020 reafirmam o momento econômico brasileiro. O banqueiro André Esteves, na sétima colocação, com R$ 24,96 bilhões, cresceu com a procura por diversificação de investimentos. Em 2012, Esteves era o 11º, com R$ 6,24 bilhões.

Por fim, o empresário Luciano Hang, da Havan, outro do setor de varejo, completa a lista. Ele ficou em décimo, com R$ 18,72 bilhões.

As operações deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal tiraram da lista duas pessoas que eram destaque em 2012. O primeiro colocado daquele ano, Eike Batista, tinha patrimônio de R$ 30,26 bilhões. Depois, teve problemas com suas empresas antes de ser preso, em 2017, acusado de corrupção.

E em oitavo estava Norberto Odebrecht e família, com R$ 9,10 bilhões. O Grupo Odebrecht, rebatizado de Novonor, está em recuperação judicial, considerada a maior da história do país, com dívidas estimadas em R$ 98,5 bilhões.

Outras duas pessoas que estavam em 2012 morreram, e o dinheiro foi dividido entre os herdeiros, que em sua maioria também seguem na lista, mas em posições mais baixas.

É o caso de Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, que morreu em 2014 e estava em quarto lugar, com R$ 21 bilhões. Assim como Francisco Ivens de Sá Dias Branco, então presidente do conselho de administração da indústria alimentícia M.Dias Branco. Seu patrimônio era de R$ 7,2 bilhões.

Completam a lista de 2012 Roberto Irineu Marinho, da Rede Globo, em sexto lugar, com patrimônio de R$ 12,86 bilhões, que passou a 22º, com R$ 12,06 bilhões. E Abilio Diniz, na décima posição, com R$ 6,80 bilhões. Em 2020, Diniz foi o 21º colocado, com R$ 12,48 bilhões.

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