Ligas femininas de futebol se reformulam para fortalecer a modalidade

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O futebol feminino está ganhando muita força na última década. Impulsionado pelo sucesso da Copa do Mundo e pelo domínio dos Estados Unidos em competições internacionais, as principais ligas nacionais estão se consolidando como alternativa para as grandes jogadoras da atualidade.

Dos países que disputaram o torneio olímpico, Estados Unidos, Brasil, Suécia, França e Alemanha possuem campeonatos relevantes em seus países, incentivando minimamente a formação de novas atletas. A Inglaterra, que não se classificou, também tem clubes tradicionais apoiando a iniciativa, como Manchester City, Chelsea, Arsenal e Liverpool, por exemplo. Atualmente, além das ligas domésticas, também temos a Liga dos Campeões e a Libertadores (dominada por clubes brasileiros desde a sua criação, em 2009).

Brasil: há muito o que melhorar, mas o progresso é visível

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Ainda que no Brasil o esporte não receba tanta atenção quanto os clubes masculinos, o Brasileirão está em sua quarta edição e ganhando terreno. O público é pequeno e ainda está se consolidando, mas o fato de ter uma competição oficial em caráter nacional demonstra a evolução das meninas. Ter um gênio histórico como Marta pesa para que mais jovens tentem a sorte no futebol. E mesmo sem ganhar o Ouro olímpico ou um troféu mundial, o Brasil se mantém entre as principais seleções, angariando um enorme carinho do público. Isso tudo veio sem o apoio dos grandes clubes, que em maioria não possuem equipes femininas para a disputa.

Até agora, no Brasil, a única equipe de primeira divisão a conquistar o título é o Flamengo, atual campeão nacional em cima do Rio Preto, que é um caso em que o time feminino obtém sucesso maior do que o masculino jamais conseguiria. E o que dizer do São José, tricampeão da Libertadores? Dos 20 participantes do Brasileiro Feminino (divididos em quatro grupos), temos apenas Flamengo, Vitória, Corinthians, América Mineiro e Santos como times que estão na primeira divisão nacional masculina. Há um investimento e uma estrutura para que as mulheres joguem futebol no país, mas existe também a noção de que o apoio poderia ser maior a respeito de transmissões, distribuição de verbas e por que não a criação de elencos femininos por parte das principais forças brasileiras.

Os EUA como uma potência mundial no esporte

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Nos Estados Unidos a situação é promissora. Mesmo na posição de super campeãs internacionais e olímpicas, as americanas já tiveram pelo menos três tentativas de fundação de uma liga profissional, mudando demais os clubes e a base fundamental para a disputa. Em 2001, a primeira competição nacional profissional feminina foi criada nos EUA. Desde então, já tivemos outras duas versões do campeonato desmanteladas por falta de investimento e organização. O modelo atual, chamado de National Women’s Soccer League, tem 10 equipes e atrai grande parte das melhores jogadoras americanas em suas equipes. Há uma preocupação de tornar a liga em uma vertente do modelo equilibrado de distribuição financeira e de craques, como nos outros esportes nacionais: cada clube da NWSL tem três jogadoras da seleção americana, duas da seleção mexicana e quatro vagas para estrangeiras. O resto do elenco, que deve ter no máximo 20 atletas, precisa ser composto por atletas locais.

O que diferencia a questão financeira aqui é o seguinte: as Federações nacionais é que pagam os salários das jogadoras de seleção. O teto salarial para o restante do elenco é de 278 mil dólares. O mínimo que uma atleta pode receber é 7 mil dólares e o máximo é de 39 mil dólares por ano. A situação força que muitas jogadoras busquem outros empregos enquanto a temporada está parada por seis meses, em virtude do calendário curto. Além da primeira divisão americana, temos mais duas abaixo: a WPSL (Women’s Premier Soccer League), com mais de 100 clubes em múltiplas conferências e a UWS (United Women’s Soccer), com 11 participantes divididos em duas conferências. Abaixo dessas está a United States Adult Soccer Association, que reúne outras competições regionais.

A transmissão televisiva é feita pela Fox Sports, mas a maioria dos times da NWSL exibe os jogos pelos canais do Youtube ou sites oficiais.

As precursoras suecas

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Apesar da Suécia não ter nenhum título mundial, o país é fortíssimo no futebol feminino e tem uma liga estabelecida desde 1973, dividida por regiões. Em 1988, foi criado o formato atual, a Damallsvenskan, com 12 equipes. É lá que a nossa craque Marta atua, pelo Rosengard, atual campeão nacional e maior detentor de títulos, com 10. A brasileira, sozinha, tem sete conquistas e já foi três vezes artilheira da Liga. A Damallsvenskan também conta com sistema de rebaixamento e promoção. A segunda divisão é chamada de Elitettan. A média de público na Suécia é baixíssima. Em apenas dois anos os números foram acima de 1000 pessoas nas arquibancadas, em 2004 e 2005. Dificilmente o público ultrapassa os mil pagantes.

Ninguém organiza um campeonato como os ingleses

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Enquanto no futebol masculino a estrutura dos ingleses é invejável e com vários níveis profissionais com boa projeção financeira, no feminino a evolução está a caminho. Fundada em 2011, a liga exclusiva para mulheres está crescendo bastante e hoje conta com três divisões profissionais. Os principais times do país criaram divisões específicas para garotas e toda a ação é supervisionada e chancelada pela Associação de Futebol, a FA.

A primeira divisão, a Women’s Super League (WSL), tem nove clubes e possui relação direta com a WSL2, com 10 competidores e acesso/rebaixamento. Abaixo deste nível, temos a FA Women’s Premier League, com duas conferências nacionais de 12 clubes cada. Abaixo disso, são competições regionais e amadoras, em sua maioria. O único problema para o futebol inglês feminino é o custo. Atualmente, se inscrever na FA Cup, a Copa da Inglaterra, gera prejuízo enorme para as equipes. No ano passado, o Notts County venceu a competição e mesmo assim não conseguiu recuperar os gastos com logística, transporte e inscrição.

Arsenal (2x), Liverpool (2x) e Chelsea são os campeões da Liga desde 2011. O Manchester City e o Birmingham também possuem bastante força no cenário local, disputando a primeira divisão e brigando sempre pelo título.

A tradição da Alemanha também precisa ser respeitada

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A primeira competição nacional da Alemanha na modalidade feminina aconteceu em 1990. A Bundesliga local, com o mesmo nome do masculino, foi criada com 20 times, divididos em duas conferências. Sete anos depois, como o retorno não foi significativo, houve uma diminuição para apenas 12, com o apoio de divisões inferiores. Abaixo do segundo nível, a estrutura consiste em competições regionais.

Ao analisar os participantes, podemos ver o apoio integral de equipes tradicionais no masculino. Bayer Leverkusen, Bayern de Munique, Werder Bremen, Hoffenheim, Wolfsburg, Freiburg e Colônia montaram elencos para a disputa. O FFC Frankfurt é o maior vencedor, com sete conquistas, seguido pelo Turbine Potsdam, com seis. O Bayern, potência alemã em geral, tem apenas dois. O apoio ao futebol feminino na Alemanha impulsionou também o sucesso da seleção nacional e dos clubes fora do país na Liga dos Campeões.

A Alemanha é a única nação a conseguir o bicampeonato mundial feminino, em 2003 e 2007, desde a criação da Copa do Mundo da modalidade, em 1991. Na Champions, as equipes germânicas dominam com nove conquistas. Só o FFC Frankfurt tem quatro taças. A comparação com outras ligas é brutal: a França tem três, com o Lyon, a Suécia tem duas com o Umea e a Inglaterra possui um único com o Arsenal.

O profissionalismo tardio na França

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Apesar do futebol ser um esporte popular entre o público feminino francês, apenas em 2009 as jogadoras começaram a assinar contratos profissionais com seus clubes. A Liga existe desde 1974, mas antes o caráter era amador, mesmo com o apoio da Federação.

São 12 clubes na elite e o Lyon é o maior campeão com folgas: somando 14 conquistas, o time lionês é seguido de longe pelo Juvisy e pelo Saint-Maur, com seis. O Paris Saint-Germain também possui uma divisão feminina e recentemente investiu pesado na montagem do elenco. Jogadoras importantes para o cenário mundial como Laure Boulleau, Sabrina Dellanoy, Laura Georges, Érika, Cristiane, Verónica Boquete e Anja Mittag fazem parte do plantel, que até agora não conseguiu ser campeão nacional pela Liga, apenas pela Copa da França, em 2010.

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