Libertadores: Perto do tri mais rápido desde os anos 70, Palmeiras e Flamengo flertam com grandes histórias

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A “glória eterna”, lema da Copa Libertadores, se aplica mais do que nunca na final de hoje à tarde, entre Flamengo e Palmeiras. Quem vencer o duelo no Centenário, em Montevidéu, leva a taça e também a distinção do tricampeonato, um feito realizado apenas por três equipes brasileiras, num celeiro propício para a criação de ídolos e grandes histórias.

Último a chegar à terceira taça, em 2017, o Grêmio viveu um dos melhores momentos recentes de sua história na época da conquista. Apesar da atual situação dramática da equipe, há três anos, a conquista abriu espaço para a exaltação de místicas do clube, reforçadas pela alcunha de “imortal”.

O mesmo aconteceu ao “soberano” São Paulo do início do século, que dominou o cenário brasileiro e assustou os rivais continentais, além do Santos de Neymar e dos “meninos da Vila”, um segundo capítulo em espírito do sucesso do peixe de Pelé nos anos 60.

— Os mitos construídos acerca desses maiores campeões partiram muito desse avançar das conquistas. O Grêmio ficou conhecido como um time copeiro, o São Paulo começou a construir o mito a partir das conquistas na geração Telê Santana e que se concretizou com o time tricampeão brasileiro. O Santos, com essa questão de time que constrói sua base, que traz seus jogadores — diz Eduardo Gomes, doutor em História e pesquisador do Laboratório Sport, da UFRJ.

O historiador acredita que o mesmo tipo de construção narrativa deve acontecer com o rubro -negro ou o alviverde. Equipes que vivem um grande momento financeiro, os rivais de hoje e campeões das duas últimas edições têm feito refletir a dominância também dentro de campo. Para Eduardo, a conquista da Libertadores deve marcar tanto os ídolos de campo como também esse momento das equipes.

— Quando estudarmos de forma mais profunda a história, nos lembraremos desse momento por esses clubes como modelos de organização para alcançar essas trajetórias. Já as narrativas que se consolidam entre torcedores vão muito além do extracampo. Questões que vão remeter aos ídolos, jogadores como o Dudu, que tenta sua primeira conquista, o Gabigol que tenta novamente fazer sua história cada vez maior — avalia.

Mudança de cenário e aumento de vagas

Em 2005, quando o São Paulo sagrou-se o primeiro time brasileiro tricampeão da América, clubes tradicionais do continente já chegavam a meia dezena de troféus da Libertadores. Boca Juniors e Peñarol já tinham cinco e o Independiente, sete. Uma balança que pouco a pouco tem pesado mais para os clubes brasileiros.

Hoje, o clube que for campeão registrará o menor intervalo entre um bi e um tri desde o Estudiantes de 1969 e 1970 e o menor entre todos os brasileiros. Foram 12 anos para o São Paulo, 22 para o Grêmio e 48 para o Santos. Para o comentarista do Grupo Globo Paulo Vinícius Coelho, o PVC, parte desse cenário se dá pelo aumento das vagas de classificação ao torneio.

— É mais um símbolo da mudança da época. Dos anos 60 para 2011, já se teve dois representantes brasileiros, hoje se tem até oito. Com o aumento da rotina das equipes em disputar o torneio, se aprende a disputá-lo. Nunca houve um nível de disputas tão frequentes, constantes. As chegadas frequentes à decisão têm a ver com isso.

O “clube dos tri” está empatado em troféus com Olimpia-PAR e Nacional-URU, mas segue atrás de uma galeria argentina, com Independiente (7 títulos), Boca (6), River Plate (4) e Estudiantes (4), além do Penãrol-URU (5).

— Tem um domínio brasileiro, mas eu não acredito em hegemonia ou polaridade dois clubes, e o Atlético-MG mostra que não faz sentido pensar em “espanholização”. Mas será mais frequente ver brasileiros nas finais, como tem sido. Não consigo prever que Palmeiras ou Flamengo vão “empilhar” taças, mas os clubes brasileiros vão quase sempre chegar — analisa PVC.

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