Libertadores: Flamengo fica refém de quarteto ofensivo e não repete fórmula de sucesso de 2019

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Da fábrica de talentos forjados na Gávea, os craques que o Flamengo fez em casa sustentaram uma era de ouro, entre o início dos anos 1980 e meados de 1990. Só que a geração de Zico, Júnior e companhia, ídolos eternos, ganhou a partir de 2019 concorrentes do mesmo patamar.

Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro, que representam um Flamengo forte economicamente, que não apenas forma, mas compra grandes jogadores, não foram capazes, sozinhos, de promover um sucesso esportivo consistente, que parecia distanciar o clube da tentativa frustrada do ano do centenário, em 1995. Na ocasião, o “melhor ataque do mundo” (Romário, Sávio e Edmundo) foi mera megalomania e decepcionou.

Ao longo dos últimos anos, é verdade, o tal quarteto criou vida e dinâmica próprias. Teve seu ápice com Jorge Jesus, mas mesmo após a saída do técnico português sustentou todas as conquistas do Flamengo. Entre o título de 2019 e a frustração de 2021, o clube negociou Rafinha, Pablo Marí e até Gerson, vendido este ano para ajudar a pagar as contas da pandemia.

Mas deu de ombros para investidas da Europa e do mundo árabe pelos seus homens de frente. Mesmo que não joguem juntos tanto quanto a torcida gostaria, Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro se entendem no olhar. As movimentações ofensivas são automatizadas e a memória tática é preservada. A soma de talentos incomparável no futebol brasileiro tornava o quarteto mágico. Em 2021, a magia se perdeu.

Em 2019 Gabigol foi artilheiro com nove gols, dois deles na grande decisão, e repetiu a artilharia neste ano, agora com 11 gols. Um deles na reação diante do Palmeiras. Pouco diante do que o time todo apresentou. E pouco por perder outra chance claríssima antes.

No mata-mata de 2021, Bruno Henrique quem brilhava. Foram seis gols no total, quatro nas fases finais. Na decisão, perdeu força e velocidade, acometido por uma tendinite no joelho e por sucessivas lesões musculares.

Arrascaeta, de volta na final, tentou ser ainda mais decisivo desta vez. Com quatro gols contra apenas um em 2019, repetiu a reção em 2021, com assistência linda para Gabigol. Conseguiu se recuperar de lesão apenas para este jogo. Deixou de lado as partidas do Brasileiro devido a sua importância, mas seu protagonismo não foi suficiente. Acabou saindo no começo da prorrogação, depois da falha de Andreas e o segundo gol do Palmeiras.

Já Everton Ribeiro teve papel menos decisivo nas duas decisões. Nesta, passou despercebido, e saiu no segundo tempo. Do quarteto, é o elo mais frágil. Talvez por isso o ataque tenha perdido a liga que já teve. O Flamengo sabia que dependia dela para superar o Palmeiras independentemente das escolhas do técnico Renato Gaúcho.

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