Libertadores 2019 do Flamengo é gigante e inquestionável

Times da Arábia Saudita e da Tunísia vão se enfrentar para definir o rival do Rubro-Negro na semifinal do Mundial de Clubes da Fifa, no Qatar
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O Flamengo de 1981 era um trator. A equipe de Zico, Júnior, Adílio, Andrade, Leandro e tantos outros já vinha estabelecendo uma das maiores dominâncias do futebol quando bateu o Cobreloa, do Chile, em uma melhor de três para conquistar o seu primeiro título de Libertadores naquele ano.

Mas aquele título também é marcado por um jogo envolto em polêmicas e controvérsias, classificado até mesmo como “farsa” em matéria do jornal britânico The Guardian: o fatídico duelo contra o Atlético-MG, que definiria quem seguiria vivo, e no qual o Galo teve cinco jogadores sumariamente expulsos pelo árbitro José Roberto Wright.

Aquele jogo não fez do Flamengo um campeão indigno daquela Libertadores. Os erros foram todos do árbitro e o time, além de leal e repleto de craques, tinha um domínio gigante sobre seus adversários. Vinha de um tricampeonato estadual (78-79-79), numa época em que tais competições tinham relevância enorme, e em 1980 havia batido justamente o Atlético-MG para conquistar o seu primeiro título brasileiro.

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Nos anos seguintes, aquele Flamengo ainda seguiria a escrever o que até hoje é o seu capítulo de maior dominância no futebol brasileiro. Em uma época onde a grande maioria dos nossos jogadores ainda permaneciam no país.

Em meio às provocações que tomaram as décadas seguintes no Rio de Janeiro, além de sempre relembrarem o “protagonismo” de José Roberto Wright, os rivais do Rubro-Negro também diminuíam aquela edição através de uma mentira: a de que nem Boca ou River disputaram aquela Libertadores, afirmação errada uma vez que os Millonarios jogaram o torneio mas foram eliminados precocemente.

Trinta e oito anos depois, o Flamengo voltou a dominar o continente e, para desespero de seus rivais, da forma mais incontestável possível.

Especialmente após a chegada de Jorge Jesus, o Rubro-Negro engoliu adversários um após o outro, com destaque para a semifinal contra o Grêmio, até então tido como time que jogava o melhor futebol do Brasil.

Mesmo com três gols anulados, que apesar de corretamente anulados deixaram no ar o senso da injustiça cósmica no primeiro encontro com o Tricolor (milímetros que hoje não são mais detalhes e denunciam um impedimento), o time carioca não se abalou: empate por 1 a 1 na ida e baile de 5 a 0 na volta. O futebol mais bem jogado em anos no Brasil.

E a final não poderia ser mais grandiosa. Depois de bater o Boca Juniors nas semis, o River Plate chegou com o seu gigantismo e rótulo de campeão vigente do torneio continental. Um adversário do tamanho do Flamengo, tanto na camisa quanto na tradição e qualidade técnica – ao contrário do Cobreloa, time que teve brilho rápido nos anos 80, impulsionado pela ditadura chilena.

O River Plate fez excelentes 70 minutos na final única disputada em Lima, no Peru. Abriu o placar cedo, contando também com uma sucessão de erros do Fla, e praticamente anulou o espetacular ataque carioca no primeiro tempo. A equipe de Jorge Jesus cresceu especialmente na metade final da segunda etapa, e conseguiu o título de forma emocionante nos minutos finais: Gabigol, aos 89’ e depois aos 92’, protagonizou uma das maiores viradas na história das finais continentais.

Virtual campeão brasileiro, este Flamengo 2019 vai igualar uma marca que no Brasil apenas o Santos de Pelé conseguiu: o de ser campeão brasileiro e da Libertadores no mesmo ano.

A campanha de sucesso continental terminou com o Flamengo tendo o melhor ataque (24 gols) da competição, além do artilheiro (Gabigol, com nove tentos) e líder de assistências (Bruno Henrique, com cinco passes para gols). O Rubro-Negro não esteve envolto em nenhum tipo de polêmica de arbitragem, e bateu o melhor River Plate da história do futebol moderno. E fez tudo isso jogando muito ao longo da campanha.

Um título inquestionável, gigante, emocionante e merecido. Mais perfeito, para o torcedor, impossível.

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