Leven Siano x Jorge Salgado: a batalha de narrativas em torno da eleição à presidência do Vasco

Felippe Rocha
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Um vence uma eleição e comemora. Uma semana depois, outro vence novo pleito, comemora, mas um movimento do Judiciário gera empolgação no que venceu a primeira disputa. Assim se resumem as duas últimas semanas do processo eleitoral do Vasco, que tem como protagonistas Luiz Roberto Leven Siano (Somamos) e Jorge Salgado (Mais Vasco). E os próximos passos vão se desenrolar no mundo jurídico, nos próximos dias e semanas: quem convencer bastidores e influenciar a narrativa da torcida deve ser feliz no final.

A cadeira da presidência do Cruz-Maltino será disputada ao longo dos próximos dias em diferentes instâncias, e o processo até aqui também é criticado, com intensidades diversas por cada lado. Cada um contando a história de uma forma, sempre ancorados no estatuto, para validar o pleito que venceram.

Leven Siano tentou inviabilizar a eleição deste sábado (14/11) em diferentes instâncias. Acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi pouco depois do fim da apuração que um movimento do STJ foi considerado como uma vitória pela Somamos, que comemorou efusivamente - talvez mais do que a Mais Vasco, que também celebrou.

Por sua vez, Jorge Salgado tem estilo mais discreto e, publicamente, deixa com os membros do Judiciário a decisão de quem será o próximo presidente cruz-maltino. Nos bastidores, porém, o corpo jurídico da chapa pode, inclusive, receber o apoio da Sempre Vasco, que foi liderada por Júlio Brant - este mais enfático, nos últimos dias, sobre a invalidez do ocorrido em São Januário no último dia 7 e que desejou sorte, num claro gesto de reconhecimento do mérito do vencedor do pleito mais recente.

O entendimento deles era o mesmo: a eleição do dia 7 foi convocada de última hora, por Alexandre Campello (presidente da diretoria administrativa, que não deveria ser o responsável pelo ato); após suspensa, uma ordem judicial foi descumprida; e o modo de apuração teria maculado o processo.

Leven sempre discordou daquela interrupção, considera válido tudo o que ocorreu no ginásio de São Januário, tem falado como presidente eleito desde semana passada e, para corroborar tal narrativa, retirou a candidatura para o pleito do dia 14, na sede do Calabouço. Ainda teve a figura do senador Romário numa entrevista coletiva na semana passada. Advogado que é, opinou de forma contrária à postura do STJ no primeiro pleito.

Para finalizar, criticou a relação entre a chapa Sempre Vasco e Faués Mussa, presidente da Assembleia Geral (que tem por missão organizar o processo eleitora) e entre eles e a empresa "Eleja Online", escolhida para conduzir a votação e apuração online. Tudo isso com advogados influentes em sua defesa, como Wadih Damous, ex-deputado federal e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

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A decisão da noite do sábado mais recente sábado, do STJ, derrubou a suspensão da votação do fim de semana anterior. Portanto, naquela em que Leven Siano foi o mais votado. Este ponto justificou a celebração do mais votado naquela ocasião. Mas é natural que Jorge Salgado e a Mais Vasco não deixem barato. Assim como novos contra-ataques do rival são esperados.

No clube, os membros da Mesa Diretora da eleição, menos Mussa, assinaram carta reconhecendo a vitória de Leven. Já Alexandre Campello, atual mandatário do clube e, desta forma, naturalmente responsável pelo processo de transição do poder, tem mais trânsito com Jorge Salgado.

Quem sentará na cadeira da presidência do Vasco no próximo triênio só o tempo e a narrativa vencedora poderão dizer.