Leonardo DiCaprio rebate Bolsonaro: 'orgulho de estar ao lado dos grupos' que protegem Amazônia

Leonardo DiCaprio durante evento sobre cinema em Nova York, setembro de 2019. Foto: REUTERS/Eduardo Munoz
Leonardo DiCaprio durante evento sobre cinema em Nova York, setembro de 2019. Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

Após ter sido acusado de financiar queimadas na Amazônia, o ator norte-americano Leonardo DiCaprio respondeu, por meio de nota à imprensa, as acusações feitas pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, nesta semana.

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“Apesar de merecerem apoio, nós não financiamos as organizações que estão atualmente sob ataque”, disse o ator de Hollywood em referência à ONG Projeto Saúde e Alegria (PSA) e à Brigada de Alter do Chão, acusadas pela Polícia Civil do Pará de promover queimadas na floresta amazônica.

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“O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem”, acrescentou DiCaprio, elogiando ainda “o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural”.

Durante uma transmissão ao vivo feita em seu canal no Facebook na quinta-feira (28), o presidente Bolsonaro declarou: "Eu falei que suspeitava de ONGs e a imprensa passou três dias comendo meu fígado. Agora a casa caiu".

Bolsonaro fez referência à prisão preventiva de quatro membros de uma ONG local, a Brigada de Incêndio de Alter do Chão, após uma investigação da Polícia Civil do Pará. Eles foram detidos na terça (26), soltos pela Justiça nesta quinta e responderão ao caso em liberdade.

Segundo o inquérito comandado pelo delegado José Humberto Melo Júnior, da polícia paraense, os quatro homens faziam imagens dos incêndios e revendiam para outras ONGs – o delegado disse que a WWF-Brasil comprou fotos das queimadas por R$ 70 mil que teriam sido usadas para obter doações internacionais. Melo Júnior citou no inquérito uma suposta doação de US$ 500 mil do ator Leonardo DiCaprio à ONG.

"Uma ONG contratou R$ 70 mil por uma fotografia de queimada. O que eles fizeram? 'Taca fogo no mato'. Tira foto, filma, manda para a ONG, ela entra em contato com o Leonardo DiCaprio e ele doa US$ 500 mil dólares para o pessoal que está tacando fogo", disse Bolsonaro.

Em seguida, o presidente ironizou o ator, que é ativista do meio ambiente. "Leonardo DiCaprio, você tá colaborando com a queimada na Amazônia, assim não dá. Pisou na bola, pelo amor de Deus."

O caso

O delegado Melo Júnior utilizou como provas contra os brigadistas vídeos publicados no YouTube de "um local onde estão só eles e o fogo está começando" e grampos de conversas entre os acusados, segundo a Folha de S.Paulo.

A WWF-Brasil negou ter recebido doação de Leonardo DiCaprio e afirmou que os R$ 70 mil repassados à ONG não estavam relacionados à compra de imagens e eram parte de uma parceria técnica em que a Brigada e outras ONGs locais pudessem usar equipamentos de combater ao fogo.

Após a prisão, o Ministério Público Federal em Santarém (PA) afirmou que, em sua investigação paralela sobre as queimadas, não há indícios de que brigadistas e ONGs estão entre os suspeitos. Segundo o MPF, que requisitou acesso ao inquérito da Polícia Civil paraense, o assédio dos grileiros, a ocupação desordenada da região e a especulação imobiliária estão entre os possíveis responsáveis pelo fogo.

Depois dos questionamentos, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), determinou que o delegado que comandava o inquérito fosse trocado "para que tudo seja esclarecido da forma mais rápida e transparente possível". O governador colocou no comando da investigação o diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire.

Na quinta, após a repercussão do caso, o mesmo juiz que ordenou a prisão preventiva dos quatro brigadistas determinou a soltura dos acusados, que responderão ao caso em liberdade.

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