Leicester já chegou ao seu limite na Liga dos Campeões?

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Recém-recuperado da fase ruim que levou à demissão de Claudio Ranieri, o Leicester está invicto e renovado em sua empreitada com o interino Craig Shakespeare. Até agora, o novo comandante dos Foxes não perdeu e conseguiu a façanha de classificar a equipe para as quartas de final da Liga dos Campeões. Mas qual é o limite dos campeões ingleses nesta temporada?

Desde que Shakespeare assumiu, contra o Liverpool na Premier League, foram três vitórias em casa. O time parece ter reencontrado a forma que lhe fez vencer o título em 2016, algo que estava desaparecido nesta campanha. De virtualmente eliminado na Europa, o Leicester remou e fez 2-0 no Sevilla com gols de Morgan e Albrighton, na última terça-feira. E assim, o sonho continua.

Restam 10 times na Liga dos Campeões. Neste momento, ainda falta a definição de Monaco x Manchester City e Atlético de Madrid x Bayer Leverkusen, o que nos leva ao fato de que o Leicester terá um desafio ainda maior pela frente. Pela seriedade que o confronto traz e também em virtude do aumento significativo de qualidade dos adversários. A chance de pegar a Juventus, o Barcelona, o Real Madrid, o Bayern de Munique ou o Borussia Dortmund é enorme. E exceto o Leverkusen, quem vier destes jogos de quarta-feira também pode trazer um problemão para Shakespeare e seus meninos.

O Leicester foi muito bom em neutralizar a ameaça dos grandes clubes ingleses no ano passado, mas é hora de provar que isso também pode acontecer na Europa. Se defender bem e ter noção perfeita de quando usar o contragolpe são boas armas, é claro. Contudo, se olharmos para o elenco dos Foxes, não sobra muitos motivos para apostar que a zebra siga adiante na Champions. É de longe o pior dos sobreviventes no torneio, tecnicamente. Depender só da sorte e de dias inspirados não é suficiente para ser campeão e o elenco deve ter ciência disso.

Ter chegado às quartas já é bem além da expectativa para um plantel que não se reforçou como deveria para subir de patamar. As contratações de Zieler, Ndidi, Kaputska, Mendy, Musa e Slimani são modestas demais para um candidato a título. A questão aqui é que por mais que a história do campeonato inglês tenha sido maravilhosa, o Leicester não representa um exemplo para ninguém.

Mesmo tendo um dono bilionário, os investimentos foram muito baixos desde a promoção à elite nacional e a única coisa que explica a proeza de 2016 é a aplicação de cada jogador, a crença no projeto e a solidez do jogo coletivo proposto por Ranieri. A simplicidade também tem um papel importante na conquista, visto que não houve nenhuma revolução tática ou de postura. Mas nem isso sobreviveu ao segundo ano de trabalho, já que o italiano foi limado pelo grupo por razões que ainda desconhecemos. De que outra forma a equipe reagiria tão bem logo após a demissão do técnico?

Mais uma vez, o Leicester estará desafiando a lógica, algo que já é comum para este grupo. Afinal de contas, eles saíram da posição de favoritos ao rebaixamento para o topo da Inglaterra. Resta saber se Shakespeare conhece bem cada atleta a ponto de retomar a caminhada de sucesso que seguiu outro rumo na primeira metade da temporada.

Em tese e analisando todos os possíveis adversários, o Leicester não tem chance alguma de avançar, mas nós também repetíamos isso antes deles serem campeões. Nunca se sabe o que o futebol pode reservar para este desfecho na Champions. Quem pode dizer o quão longe eles podem chegar com 100% de certeza? A teoria é só um prognóstico baseado em desempenho e competência. E o esporte costuma ser mais que isso, felizmente.