Leco, ex-presidente do São Paulo, fala sobre dívida do clube e cita 'culpados'

Leco falou sobre dívidas criadas no seu comando e sobre o momento atual do clube (Rubens Chiri/SPFC)


Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, assumiu a presidência no São Paulo em outubro de 2015, após a renúncia de Carlos Miguel Aidar - afastado por escândalos envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro.


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No mandato de Leco, a dívida do Tricolor passou de R$ 300 milhões para R$ 600 milhões - no final de 2020. Hoje, está estimada em R$ 700 milhões, de acordo com balanços mais recentes.

Em entrevista à 'ESPN', Leco explicou estes gastos e quem foram os 'culpados' por trás de tudo isso e das falhas do seu mandato. Para o ex-presidente, um destes pontos, inclusive, foi o responsável por tirar a chance de Fernando Diniz de ser campeão brasileiro em 2020.

- Tive particularmente duas coisas muito marcantes. Aquela inundação imensa que destruiu o parque social do São Paulo [ocorrida em março de 2019, após fortes chuvas que atingiram a capital paulista e alagaram o complexo de piscinas e parte do estádio]. Ele precisou ser refeito inteiramente. Muito dinheiro gasto na infraestrutura. Muito, muito. Essa reconstrução do clube foi dispendiosa, além de paralisar atividades e gerar custos e despesas muito grandes - disse.

- Outro aspecto: a pandemia. Paralisou o futebol e reduziu significativamente todas as fontes de receita. Mas, importante frisar, nenhum dos quase mil funcionários foi mandado embora. E todos receberam. Os únicos que não receberam integralmente, e que precisamos jogar para a frente, foram os jogadores, que são aqueles que montam o custo mais elevado - completou.

Mesmo com todas as polêmicas e dívidas, Leco afirmou que tiveram ações em seu comando que foram positivas para o São Paulo. De acordo com suas palavras, o clube precisa pensar melhor nos investimentos que propõe.

- Nós fomos projetando uma melhora, mas vivi momentos de grande apreensão, sofrimento, angústia, com ameaça de rebaixamento, quando em 2017 trouxemos o Hernanes e ele foi fundamental. Tudo isso são investimentos. Para trazer um Hernanes da China, custou um monte de dinheiro. O Lucas Pratto, o Arboleda nem tanto, o Daniel Alves, que tinha acabado de ser campeão da Copa América e considerado melhor jogador, histórico de torcedor do São Paulo. São investimentos que se precisa fazer buscando atender o desejo do torcedor, e eu sou um torcedor no fundo. Nem sempre isso dá resultado - opinou Carlos Augusto de Barros e Silva.

Sobre a gestão atual, Leco trouxe á tona a mudança no estatuto que ocorreu este ano, permitindo novamente a reeleição de dirigentes. Com a aprovação desta proposta, membros como Julio Casares - atual presidente - poderão voltar a tentar uma reeleição no São Paulo no próximo ano, quando acabam os mandatos.

- Juvenal fez isso, infelizmente, e o Julio acabou de fazer. E, pelo que eu entendo, vem sendo objeto da opinião em geral, daqueles que não estão envolvidos diretamente com o processo e os interesses, de críticas e restrições. Isso eu ouço diariamente. Ele primeiro cultua e depois sedimenta procedimentos que não são exatamente os melhores. Por exemplo, trabalha contra a modernidade, a transparência. Criaram feudos e esquemas que não são os melhores - disse.

O ex-presidente também falou sobre acontecimentos recentes que envolveram o São Paulo. Ao ser questionado sobre a possibilidade de transformar o Tricolor em SAF, disse que - talvez - poderia ser um caminho.

- Acho que deveria abrir mais. No estatuto que foi elaborado e aprovado, e eu não tive nenhuma influência nisso, existe até a previsão de formação eventualmente de uma Sociedade do Futebol, onde o clube teria uma prevalência, uma parte maior. Mas que fosse feita de forma mais profissional. Acho que deveria se abrir mais, sim. As práticas das gestões tradicionais hoje já não cabem mais. O mundo mudou, está informatizado, muito comunicado. [Sobre SAF] pode ser um caminho. Não sei detalhes exatos, mas pode ser - ressaltou.

Por fim, ainda em entrevista à 'ESPN', destacou que o São Paulo necessita voltar a ganhar títulos, citando a final da Copa Sul-Americana deste ano como principal exemplo.

- O São Paulo foi para a [final da] Sul-Americana e perdeu um jogo incontestável e indiscutível, completamente dominado por um adversário de pouca expressão no cenário mundial. Chegou à final sem ganhar os jogos, só empatava e decidia nos pênaltis. Precisa que isso seja modificado. O São Paulo de hoje tem 22 contratações, a grande maioria acabou não dando certo. O São Paulo não tem goleiros à altura de sua tradição e demanda. Precisa se fortalecer no campo para justificar o apoio da torcida e trazer o ânimo. Pode ser feito, mas infelizmente não está mostrando. Não correspondem à nossa história - concluiu.