Líder político japonês destoa do governo ao considerar cancelamento da Olimpíada

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número dois do partido que governa o Japão afirmou que os Jogos Olímpicos de Tóquio podem ser cancelados como último recurso, no momento em que o país enfrenta um novo surto da pandemia de Covid-19. "Precisamos cancelar sem hesitação se eles [os Jogos] não forem mais possíveis", declarou Toshihiro Nikai em entrevista ao canal japonês TBS nesta quinta-feira (15). A declaração repercutiu no país, já que é um raro um político do alto escalão mencionar a possibilidade de cancelamento do evento. "Se os contágios se propagarem por causa da Olimpíada, não sei para que serve a Olimpíada", completou Nikai, secretário-geral do Partido Liberal-Democrata (PLD). Ele acrescentou, no entanto, que vê os Jogos como uma oportunidade e que é "importante para o Japão fomentar o entusiasmo com o apoio da população". As declarações de Nikai foram feitas a 99 dias da cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio-2020, adiados por um ano devido à pandemia. "Definitivamente, queremos fazer [dos Jogos] um sucesso. Para isso, há vários problemas que precisam ser resolvidos. É importante resolvê-los um por um", acrescentou. Nikai mais tarde emitiu uma declaração por escrito para explicar sua posição. "Quero que a Olimpíada e a Paraolimpíada de Tóquio tenham sucesso", disse o comunicado. "Ao mesmo tempo, quanto à questão de se hospedaremos os [Jogos] de qualquer maneira, esse não é o caso. Isso é o que eu quis dizer com meus comentários." No mesmo dia, o ministro japonês responsável pela campanha de vacinação citou a possibilidade de celebrar os Jogos sem público, poucas semanas depois do anúncio da proibição de torcedores estrangeiros. Esse debate deve ser concluído até o fim do mês. "Organizaremos os Jogos Olímpicos de maneira realista. Pode ser que não tenhamos espectadores", disse Taro Kono, citado pelo jornal Asahi. Apesar das garantias do comitê organizador, a persistência da pandemia e os repentinos focos de coronavírus deixam em alerta os preparativos para o evento. Tóquio e outras cidades japonesas adotaram novas restrições sanitárias, e eventos-teste olímpicos foram adiados nas últimas semanas. A capital japonesa registrou 729 novos casos nesta quinta, o maior número desde o início de fevereiro. A vacinação no país avança em ritmo lento -1,1 milhão de habitantes receberam uma dose até agora, em uma população de 126 milhões. O primeiro-ministro Suga mais tarde evitou a pergunta de um repórter sobre o cancelamento ser de fato uma opção, dizendo apenas que o governo continuava comprometido em controlar a pandemia antes das Olimpíada. "Não há mudança na postura do governo, de fazer todo o possível para evitar a propagação de infecções enquanto nos encaminhamos para a Olimpíada", disse ele a repórteres em Tóquio, antes de sua viagem a Washington para se encontrar com o presidente dos EUA, Joe Biden. Questionado sobre os comentários de Nikai, o comitê organizador da Olimpíada disse em um comunicado: "O primeiro-ministro Suga expressou repetidamente o compromisso do governo em realizar os Jogos de Tóquio em 2020. Todos os nossos parceiros de entrega, incluindo o governo nacional, o governo metropolitano de Tóquio, o Comitê Organizador de Tóquio 2020, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e o IPC (Comitê Paralímpico Internacional) estão totalmente focados em sediar os Jogos neste verão."