Kobe Bryant deu valiosa lição aos lutadores do UFC, mas poucos seguiram

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Kobe Bryant ao lado de Dana White, presidente do UFC (Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)
Kobe Bryant ao lado de Dana White, presidente do UFC (Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)

Kobe Bryant morreu de forma trágica no último dia 26, vitimado em um acidente de helicóptero em Los Angeles, e partiu sem que pudesse ver seu importante discurso mudar a forma de pensar dos lutadores de MMA.

Enquanto no basquete norte-americano os atletas recebem boa parte dos lucros gerados pela NBA, representando uma quantia considerável (cerca de 50%) aos atletas que competem nas quadras ao longo de uma cansativa temporada, o modelo de negócios permanece diferente nos ringues e jaulas de MMA.

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Estima-se que apenas 20% dos milhões gerados em eventos do UFC chegam ao bolso dos competidores. Atletas fundaram associações para brigar por divisão mais justa em esportes como futebol americano e basquete, e obtiveram sucesso. Alguns tentaram algo semelhante no MMA, mas a classe de lutadores permaneceu em silêncio com medo de represálias do UFC.

Leslie Smith, uma das atletas mais empenhadas na causa, colocou o pescoço em risco para batalhar por seu ideal. Em maio de 2017, durante um mega-evento do UFC em Las Vegas com a presença de grande parte do plantel da organização, Smith aproveitou a presença de Kobe Bryant em uma palestra para levantar o tópico.

Bryant apoiou abertamente a luta de Smith, ressaltando que mesmo atletas que competem entre si podem — e devem — trabalhar juntos pela melhoria de uma classe.

“Nós entendemos completamente que uma maré alta eleva todos os barcos”, Bryant disse na época. “Então, quando vocês têm essa união e podem operar juntos, todos na mesma página, isso fortalecerá 100% o esporte e o tornará melhor, não apenas para o presente, mas para as futuras gerações que estão por vir. Isso é extremamente importante”.

Bryant foi aplaudido pelas dezenas de lutadores do UFC presentes no auditório aquele dia. Porém, apesar das palavras encorajadoras do astro da NBA e dos esforços de Smith, a ideia ainda engatinha em uma modalidade onde lutadores pensam primeiro em si. Três frentes sindicais surgiram, mas as conversas seguem sem tração.

Coincidência ou não, Smith não pisou mais no octógono do UFC depois daquela palestra. A veterana, que tinha apenas uma luta restante em seu contrato com a franquia após vitórias sobre Irene Aldana e Amanda Lemos, enfrentaria Aspen Ladd em abril de 2018, mas a adversária não bateu o peso. O UFC preferiu pagá-la mesmo sem competir e liberá-la para assinar com outra organização. Smith atualmente tem contrato com o Bellator, mas segue batalhando pela sindicalização dos lutadores de MMA.

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