Ramires diz que faltou paciência com De Bruyne no Chelsea: "Já era diferente"

·3 minuto de leitura
Chelsea's Kevin De Bruyne, Ramires during a training session at the Cobham Training Ground on 1st November 2013 in Cobham, England.  (Photo by Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images)
De Bruyne e Ramires durante treino do Chelsea em 2013 (Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images)

LONDRES (INGLATERRA) - Considerado um dos melhores jogadores do mundo, Kevin de Bruyne é o principal jogador do Manchester City, mas por pouco não se tornou a grande estrela do Chelsea, justamente o adversário dos Citizens na grande decisão da Liga dos Campeões desta temporada, que acontece neste sábado, em Portugal. Pelo menos essa é a opinião de Ramires, multicampeão pelos Blues e ex-companheiro do meio-campista belga durante sua passagem relâmpago por Stamford Bridge.

Contratado em 2012 junto ao Genk, da Bélgica, De Bruyne foi ter suas primeiras oportunidades no Chelsea apenas em 2013, após passar um ano emprestado ao Werder Bremen. Aos 20 anos, atuou como titular absoluto em 34 jogos, somando 10 gols e 10 assistências durante seu período na Alemanha.

Leia também:

O bom desempenho na Bundesliga o fez ser reintegrado ao estrelado elenco dos Blues para a temporada de 2013/14. Apesar da grande concorrência, como o trio brasileiro formado por Willian, Oscar e Ramires, além dos estrangeiros Eden Hazard, Juan Mata e André Schürrle, De Bruyne tinha esperanças de uma sequência para mostrar seu futebol, o que nunca aconteceu.

"A concorrência era muito forte no meio-campo. Ele teria que ter um tempo de adaptação e paciência. O Chelsea não teve paciência com ele. Para um atleta pegar confiança, ele tem que ter sequência, e ele não teve. Ele entrava em um jogo, fazia 20, 30 minutos, e depois não sabia quando ia jogar de novo. Agora, com sequência, você ganha confiança e o futebol sai naturalmente. Se ele foi contratado pelo Chelsea, é porque tinha qualidade. Faltou esse tempo de adaptação", analisou Ramires em entrevista ao Yahoo Brasil.

Sob o comando de José Mourinho, De Bruyne atuou em apenas nove jogos em quatro meses, com uma assistência e nenhum gol. Apesar de ser titular em algumas partidas, o belga nunca teve a oportunidade de jogar por mais que dois duelos seguidos.

Para Ramires, esse tempo de jogo era fundamental para o amadurecimento do jovem jogador, que já dava sinais do que poderia se tornar no futuro durante os treinamentos no Cobham Training Ground, centro de treinamento do Chelsea.

"Ele treinava muito bem, era diferente. Já dava para ver o que iria virar. Era um jogador excelente, uma inteligência fora do normal. Tudo que ele faz hoje, no Manchester City, ele já fazia nos treinos. Mas acho que ele só virou tudo isso pelo fato de estar sempre jogando, ele amadureceu, pegou experiência. Hoje ele ajuda na marcação, dificilmente perde bola, tem um passe excelente, deixa os atacantes na cara do gol. É difícil encontrar um jogador com essas características atualmente. Ele já era assim naquela época. Faltou paciência mesmo", acrescentou.

No meio da temporada, De Bruyne foi vendido ao Wolfsburg, voltando ao futebol alemão, por 22 milhões de euros - negócio considerado bom ao Chelsea, que havia pago apenas oito milhões de euros em sua contratação. Ele precisou de apenas uma temporada completa para mostrar seu potencial. Foram 51 jogos, 16 gols e impressionantes 28 assistências.

O resto é história. Em 2015, foi contratado por 76 milhões de euros pelo Manchester City, onde já conquistou dez títulos em seis anos, sendo o principal jogador do tricampeonato inglês sob o comando de Pep Guardiola - além de somar mais de 60 gols e 100 assistências. Neste sábado, ainda tem a chance de erguer a inédita taça da Liga dos Campeões pelos Citizens, frustrando justamente o Chelsea, que o rejeitou e, de certa maneira, o ajudou a chegar no patamar que está hoje.