Kelvin Hoefler, do skate, é o primeiro medalhista do Brasil em Tóquio

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Kelvin Hoefler comemora após fazer boa volta na final do skate street (Ezra Shaw/Getty Images)
Kelvin Hoefler comemora após fazer boa volta na final do skate street (Ezra Shaw/Getty Images)

O Brasil tem sua primeira medalha nas Olimpíadas de Tóquio! Kelvin Hoefler conquistou a medalha de prata na final do skate street, modalidade estreante nos Jogos de 2020.

O ouro ficou com o japonês Yuto Horigome e o bronze foi para o norte-americano Jagger Eaton, com o brasileiro fechando o primeiro pódio olímpico do skate no Ariake Sports Urban Park, na tarde deste domingo (25), em Tóquio.

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Hoefler teve um ótimo desempenho na primeira parte da prova, marcando 8.98 e 8.84 em suas duas voltas de 45 segundos, abrindo oito décimos para o então segundo colocado Nyjah Houston. Na segunda parte, onde os skatistas fazem apenas uma manobra por tentativa, ele teve as notas 8.99, 0, 0, 7.58 e 9.34. Como as três piores notas são descartadas, ele terminou com a pontuação de 36.15.

Aos 25 anos, o paulista de Itanhahém é um dos principais nomes mundiais da modalidade. Atual número 4 do mundo, Kelvin é hexacampeão mundial, bicampeão do X-Games e agora acrescenta uma medalha olímpica a uma já ilustre carreira.

A carreira de Kelvin Hoefler

Kelvin começou aos 9 anos, quando o pai, Eneas de Souza, policial, e a mãe, Roberta Hoefler, dona de casa, deram um skate de presente para o garoto e montaram uma pequena rampa na garagem, já que a cidade não tinha locais adequados para a prática.

"Ele dormia com aquele skate. No dia seguinte, era skate pela minha cozinha, pela sala, pelo quintal. Era muita alegria, nunca vi ele tão feliz quanto no dia que ganhou esse skate", disse Roberta em entrevista à série "Aspire - Inspire", produzida pela empresa Monster Energy, uma das patrocinadoras de Kelvin.

Em 2010, o brasileiro desembarcou nos Estados Unidos como atleta amador e foi hospedado por um amigo que morava em Atlanta. "Ele falou que o esquema era ir para a Califórnia, e eu nem sabia que porra era Califórnia, mas se ele falou, tudo bem. O cara tinha um carro e era mais novo que eu, que andava de bicicleta no Guarujá, não tinha recurso", relembra.

Na busca por virar profissional, Kelvin começou a correr uma série de eventos para fazer o pé de meia e se arriscou em campeonatos na Europa.

Foi um sucesso, não apenas do ponto de vista esportivo. Numa das viagens, ele conheceu a fotógrafa especializada no esporte Ana Paula Negrão, que morava na tal Califórnia. Não teve dúvidas: pediu abrigo a ela durante uma competição e assim alugou um espaço numa generosa cozinha que dividiu com outros três hóspedes internacionais.

As coisas caminhavam bem em 2011, mas durante nova incursão europeia Kelvin sofreu uma séria lesão no joelho e precisou retornar ao Brasil. Ana foi visitá-lo durante a recuperação, e eles iniciaram um relacionamento -hoje são casados.

Em 2012 e 2013, o skatista competiu no circuito brasileiro e também viajava para eventos no exterior. A competição que mudou tudo ocorreu em 2014, na África do Sul, para onde ele não estava muito disposto a ir naquele momento. Convencido por Ana, decidiu arriscar e venceu, faturando na época um inimaginável prêmio de US$ 100 mil.

* Com informações da Folhapress

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