Juventus, sem rival na Itália sob o ponto de vista econômico

Por Stanislas TOUCHOT
Jogadores do Juventus comemoram vitória após a partida Barcelona vs Juventus no estádio de Camp Nou, em Barcelona, no dia 19 de abril de 2017

Dominante dentro de campo e perto do sexto título italiano consecutivo, a Juventus também não parece ter rival em seu país sob o ponto de vista econômico, apesar da entrada de diversos investidores chineses (Inter e Milan) ou norte-americanos (Roma).

O principal responsável pela solidez financeira da Juventus é seu presidente, Andrea Agnelli, filho de Umberto Agnelli e sobrinho do 'Advogado' Gianni Agnelli, dois ex-presidentes do clube.

Andrea Agnelli assumiu as rédeas da Velha Senhora em 2010, três anos depois do acesso à 1ª divisão. A Juve havia sido rebaixada devido ao 'Calciopoli', um escândalo de tráfico de influências sobre os árbitros que afetou diversas equipes do futebol italiano.

Sob seu comando, o clube mais que dobrou as receitas nos cinco primeiros anos, passando de 156 milhões de euros em 2010-11 para 350 milhões em 2015-16, de acordo com as estimativas realizadas em agosto do ano passado pelo diário esportivo La Gazzetta dello Sport.

Contudo, em 2010, o clube de Turim estava atrás nesse aspecto em relação aos dois clubes de Milão (228 milhões de euros par ao Milan e 217 milhões para a Inter) e praticamente igualado com a Roma.

Em cinco anos, os Bianconeri criaram um abismo entre eles e seus rivais: Milan e Roma arrecadam 220 milhões de euros anualmente e a Inter caiu para 185 milhões de euros.

Um dos primeiros motivos que explicam esta situação é o estádio. Num país em que a maioria dos estádios pertence a prefeituras e nunca se enche, o Juventus Stadium, inaugurado em 2011, pertence 100% ao clube.

Moderno e bem desenhado, tem capacidade apenas para 41.000 espectadores, mas as arquibancadas ficam lotadas em todos os jogos. Ao redor do estádio foram construídos um museu e uma clínica, a 'J Medical'.

- O efeito 'Champions' -

Este 'J' também aparece no novo escudo do clube, revelado em janeiro do ano passado e que se tornou outra prova do grande trabalho da direção para criar uma imagem de marca, o 'merchandising' e as licenças.

Este desenvolvimento econômico é associado ao sucesso esportivo e a Juventus pôde aumentar suas receitas graças às sistemáticas classificações à Liga dos Campeões.

Assim como o Bayern de Munique na Alemanha, a Juventus se vê agora como um clube de ambição europeia mais do que nacional. Com uma final de Champions, em 2015 (perdida para o Barcelona), e pelo menos uma semifinal neste ano no bolso, a entrada de receita gerada pela participação na maior competição de clubes é considerável: cerca de 170 milhões de euros entre 2014 e 2016 e mais de 100 milhões somente nesta temporada.

Estas receitas permitem ao clube de Turim ter uma capacidade de investimento sem comparação na Itália, o que possibilitou a contratação de grandes estrelas dos rivais, como do argentino Gonzalo Higuaín, comprado junto ao Napoli, e do bósnio Miralem Pjanic, que era ídolo da Roma. As duas contratações custaram 120 milhões de euros aos cofres da Juve.

A situação poderia mudar com a chegada do dinheiro chinês aos dois clubes de Milão, mas tanto Inter como Milan terão que aprender primeiro a gastar melhor do que gastar mais.

Enquanto a Inter acumula contratações de mais de 20 milhões de euros sem grande resultados até hoje (Gabigol, Kondogbia, João Maria...), a Juventus e seu diretor esportivo, Giuseppe Marotta, erram pouco.

A dupla francesa Paul Pogba-Kinglsey Coman, por exemplo, não custou à Juventus sequer um milhão de euros e já foram vendidos por mais de 130 milhões de euros juntos.

Enquanto a Juventus seguir tão habilidosa no mercado, continuará intocável, pelo menos a nível doméstico.