Justiça torna réu integrante da Mancha Alviverde por morte de corintiano

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**ARQUIVO**SAO PAULO, SP, BRASIL. 02-03-2017. 18h20min52s.  Fachada da sede da torcida Mancha Alviverde do Palmeiras na Pompeia. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
**ARQUIVO**SAO PAULO, SP, BRASIL. 02-03-2017. 18h20min52s. Fachada da sede da torcida Mancha Alviverde do Palmeiras na Pompeia. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo acatou denúncia do Ministério Público e tornou réu o palmeirense Sidney Teixeira Nicolau, 27, pela morte do corintiano Wallace Thomaz, 29, ocorrida em 30 de janeiro durante confronto entre integrantes da Mancha Alviverde e da Gaviões da Fiel, no Sacomã, zona sul da capital paulista.

Segundo a denúncia do promotor João Carlos Calsavara, Nicolau efetuou "disparos de arma de fogo contra elementos de torcida rival, demonstrando extremada violência, se vingando apenas pelo simples fato de não aceitar que pessoas se dediquem a outras agremiações, demonstrando intolerância e desprezo para com a vida alheia".

À reportagem, o promotor afirmou que Nicolau, que é membro da Mancha Alviverde, a principal torcida organizada do Palmeiras, "agiu de maneira que impossibilitou a defesa da vítima". O Ministério Público também o acusou pela tentativa de homicídio de Wallace Augusto Nascimento dos Santos, 24, baleado na mesma briga, mas que sobreviveu.

O juiz Roberto Zanichelli Cintra decretou a prisão preventiva do palmeirense, já que ele estava detido até então temporariamente. A justificativa dada é de que o "acusado é pessoa irascível e extremamente violenta".

A denúncia realizada pelo Ministério Público contra o palmeirense se respaldou no resultado do confronto balístico produzido com a pistola 380 milímetros apresentada por Nicolau ao se entregar no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), após permanecer por um tempo foragido.

"O laudo de exame balístico visando comparar os projeteis extraídos do corpo da vítima fatal com a supracitada arma entregue por Sidney concluiu pela compatibilidade, ou seja, a arma apreendida foi comprovadamente a que efetuou os disparos que culminaram com a morte do Wallace", explicou para o jornal Folha de S.Paulo o delegado Divisionário da Divisão de Homicídios do DHPP Marcelo Jacobucci.

Wallace Thomaz foi atingido no tórax durante confronto entre integrantes da Mancha e da Gaviões horas antes da final da Copa Libertadores entre Palmeiras e Santos, que aconteceu no Maracanã, no Rio de Janeiro. Integrante da organizada palmeirense, Nicolau contou em depoimento que estava armado naquele dia já que vinha recebendo ameaças de torcedores santistas.

Segundo as investigações, os alviverdes estavam em um ônibus fretado a caminho de um salão de festas dentro da favela de Heliópolis, na zona sul, local em que assistiram ao jogo, quando, por volta das 13h, se encontraram com um grupo de corintianos no cruzamento da Avenida Padre Arlindo Vieira com a rua Brigadeiro Amilcar Veloso Pederneiras, no Jardim Botucatu, região do Sacomã. O local fica a menos de um quilômetro de uma das subsedes da organizada do Corinthians. No dia da briga, 22 torcedores foram detidos por rixa, mas liberados na sequência.

O confronto foi gravado por diversas pessoas que passavam pelo local. Uma das filmagens de um estabelecimento registrou o momento em que Nicolau efetuou disparos. Essas imagens foram fundamentais para que Nicolau fosse identificado.

O Ministério Público também denunciou um outro palmeirense pela briga. Raoni Lopes Benassi vai responder por disparo de arma de fogo. No dia da briga, ele confirmou ter atirado com uma pistola 380 milímetros que possui registro junto ao Exército. O homem, que não teve a prisão pedida, é atirador esportivo.

Procurada, a defesa de Sidney Teixeira Nicolau não se pronunciou.