Justiça suíça anula suspensão de nadador chinês Sun Yang, que será reavaliada

Christophe VOGT
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Sun Yang durante um treino no último Mundial de Natação, em 25 de julho de 2019 em Gwangju, na Coreia do Sul

O chinês Sun Yang, tricampeão olímpico de natação, conquistou uma importante vitória sete meses antes das Olimpíadas de Tóquio, nesta quinta-feira, ao fazer com que a justiça suíça anulasse sua suspensão de oito anos por violação dos regulamentos antidoping.

Mas isso não significa que o atleta, o primeiro campeão olímpico chinês de natação, tenha vencido. O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), a "suprema corte do esporte" com sede em Lausanne, na Suíça, deve reconsiderar o caso com uma composição diferente, decidiu o Tribunal Federal Suíço.

Em fevereiro, o TAS suspendeu Sun Yang por oito anos por destruir com um martelo um frasco contendo uma amostra de sangue durante um teste de doping surpresa em setembro de 2018.

O tribunal civil suíço deu razão a Sun Yang, que denunciou a parcialidade de um juiz. A defesa do nadador chinês destacou, em particular, os tuítes racistas contra a China feitos pelo presidente do júri, o italiano Franco Frattini.

Essa suspensão de oito anos foi uma das decisões mais espetaculares do TAS devido à severidade e ao renome do nadador, que é um grande astro em seu país. Sua apelação ao tribunal civil suíço era seu último recurso.

"A decisão do Tribunal Federal Suíço é baseada em um desafio que afeta o presidente do grupo de especialistas do TAS e não inclui qualquer comentário sobre o mérito da questão", disse a Agência Mundial Antidopagem (WADA) em um comunicado nesta quinta-feira.

A Wada está "disposta a reapresentar seu caso a um grupo de especialistas do TAS diferente no devido tempo", acrescentou o comunicado.

- Suspenso em 2014 -

Sun Yang conquistou medalhas de ouro nas categorias de 400 e 1.500 metros nos Jogos de Londres 2012 e no Rio de Janeiro repetiu o feito nos 200 metros. O impressionante nadador chinês, de 1,98 metros de altura, também detém onze títulos de campeão mundial.

Em fevereiro, quando anunciou sua suspensão, a TAS não anulou os títulos obtidos pelo atleta após esse teste problemático, especificamente as medalhas de ouro de 200 e 400 nado livre no Campeonato Mundial de Gwangju, na Coreia do Sul, porque simplesmente não testou positivo em nenhum exame antidoping.

Em 2014, Sun Yang, de 29 anos, foi suspenso por três meses devido ao teste positivo para um estimulante (trimetazidina).

Desde que a TAS anunciou sua decisão, Zhang Qihuai, o advogado do nadador, acusou a Wada de ter "falsificado os fatos e abusado de seu poder".

"O TAS fechou os olhos para as regras e procedimentos, fechou os olhos para os fatos e aceitou todas as mentiras e falsas evidências", disse o advogado.

Na apelação, o nadador argumentou que os controladores não haviam "mostrado documentos que comprovassem sua identidade", o que não foi levado em consideração pelo TAS.

No entanto, para TAS, Sun Yang não deu em nenhum momento "uma explicação válida para destruir sua amostra" e não era "para ele decidir por si mesmo que um exame antidoping deveria ser invalidado e uma amostra destruída".

A suspensão de Sun havia sido apoiada por muitos atletas, incluindo o australiano Mark Horton, que se recusou a apertar sua mão e subir ao pódio dos 400 metros livres em Gwangju.

"Bravo TAS! Boa decisão", tuitou em fevereiro o sul-africano Chad Le Clos, medalhista de prata de 2016 nos 200 metros, atrás de Sun, acrescentando que "trapaceiros não têm lugar no esporte".

O caso da destruição da amostra do nadador chinês chegou ao TAS após um recurso da WADA sobre decisões anteriores da Federação Internacional de Natação (FINA), que havia eximido Sun Yang de culpa, alegando defeitos de forma.

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