Justiça argentina adia interrogatórios de suspeitos por morte de Maradona

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O Ministério Público da Argentina, que investiga a morte de Diego Maradona, adiou para 14 de junho o início dos interrogatórios de sete pessoas, que estavam previstos para começar na próxima segunda-feira. Elas são suspeitas de terem abandonado o ídolo do futebol "à própria sorte".

A informação foi confirmada à AFP por uma fonte da Justiça, a qual explicou que o Ministério Público se alinhou à decisão da Suprema Corte da província de Buenos Aires de suspender as atividades presenciais devido à nova onda da pandemia na Argentina.

Os sete acusados, entre eles o médico pessoal de Maradona e uma psiquiatra, também são investigados por terem prescrito ao ex-jogador um tratamento "inadequado, deficiente e temerário" em seus últimos dias de vida.

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, durante sua convalescença em uma casa nos arredores de Buenos Aires, após uma cirurgia bem-sucedida na cabeça para remover um hematoma.

- Etapas do processo -

Os interrogatórios serão feitos na sede da Procuradoria Geral de Justiça de San Isidro, na periferia norte de Buenos Aires, que está instruindo o processo. De acordo com o sistema penal da província de Buenos Aires, os réus comparecem perante os promotores para serem informados do que estão sendo investigados. Por se tratar de um ato de defesa, o acusado pode depor ou se recusar a fazê-lo.

Após os depoimentos, a acusação irá encaminhar o caso para o juiz com a recomendação de processá-los ou arquivá-los. Finalmente, após um processo que pode durar muitos meses e até anos, o caso pode chegar a um julgamento popular.

"Eles provavelmente irão a julgamento, nada indica o contrário", disse uma fonte judicial próxima ao caso. Na Argentina, para investigar uma pessoa, ela é primeiro acusada, ou seja, é aberta uma investigação contra ela.

- Profissionais na mira -

O primeiro a prestar depoimento será o enfermeiro Ricardo Almirón (37) e, nos dias seguintes, será a vez da enfermeira Dahiana Madrid (36), o psicólogo Carlos Díaz (29), a médica coordenadora da internação domiciliar Nancy Forlini (52) e o coordenador dos enfermeiros, Mariano Perroni (40). Em seguida, comparecerá a psiquiatra Agustina Cosachov (35 anos), acusada de não garantir "a correta administração da medicação e psicotrópicos" que haviam sido indicados ao paciente.

A rodada será encerrada no dia 14 de junho com o depoimento de Leopoldo Luque, neurocirurgião de 39 anos, que foi médico de família de Maradona e foi o responsável pelo atendimento do campeão do mundo no México em 1986 em seus últimos dias.

O laudo dos peritos concluiu que Luque "evitou atender e/ou pelo menos prestar atenção médica adequada a Maradona, pois não garantiu o seu devido acompanhamento com estudos e controles cardiológicos, nem convocou especialistas em questões cardiovasculares, hepáticas e renais, conforme seu quadro exigia, deixando seu destino à sua própria sorte". Todos os sete estão em liberdade, mas a Justiça proibiu ontem a saída deles do país, a pedido da promotoria.

- Acusação -

A princípio, a morte do astro argentino foi atribuída a suas inúmeras doenças e histórico de vícios e problemas cardíacos. Pouco depois, sua morte foi investigada como "homicídio culposo", com penas de um a cinco anos de reclusão, que se refere à morte causada por uma pessoa a outra de maneira ilícita, mas sem a intenção de matar. A morte ocorre devido ao ato imprudente ou negligente do assassino.

Mas na semana passada, o Ministério Público agravou o caso e passou a apurar os fatos como "simples homicídio doloso", que contempla de 8 a 25 anos de reclusão, com base na investigação da junta médica. Na Argentina, esse crime indica que mesmo sabendo dos danos que uma determinada ação pode causar, a pessoa continua fazendo isso sem evitar o mal.

Segundo o laudo médico, a equipe de profissionais que ficou responsável por Maradona "representou plena e cabalmente a possibilidade do desfecho fatal em relação ao paciente", mas se mostrou "absolutamente indiferente a essa questão".

Da coleta de mensagens entre os réus, pode-se deduzir que eles sabiam que Maradona se entregava a excessos de álcool e medicamentos psiquiátricos e consumia maconha.

Segundo o relatório, "os sinais de risco de vida apresentados" pelo ex-jogador do Barcelona e do Napoli foram ignorados. O controle médico que a lenda do futebol mundial recebeu foi "inadequado, deficiente e temerário", acrescenta.

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