Justiça aceita pedido de recuperação judicial da controladora da rede Ricardo Eletro

Ivan Martínez-Vargas
·2 minuto de leitura
Justiça aceita pedido de recuperação da Ricardo Eletro

SÃO PAULO - O juiz Tiago Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, aceitou nesta segunda-feira o pedido de recuperação judicial da Máquina de Vendas, controladora da rede Ricardo Eletro. A companhia fechou suas 300 lojas físicas em 17 estados e demitiu cerca de 3.600 funcionários.

A dívida da empresa supera os R$ 4 bilhões ao todo, e os maiores credores são os bancos Bradesco, Itaú e Santander, a fornecedora Whirpool (das marcas Brastemp e Consul), o fisco e a gestora de fundos Starboard.

A empresa foi a 22º maior varejista do país no ano passado de acordo com o Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado), com receita anual estimada em R$ 5,5 bilhões. No mesmo ranking, em 2011, estava em 5º lugar. A Máquina de Vendas já passava por dificuldades financeiras há anos, e estava em recuperação extrajudicial desde 2019.

O fundo abutre Starboard, que desde 2018 tem debêntures conversíveis em ações de cerca de R$ 250 milhões, chegou a fazer parte da gestão da empresa, e é considerada por pelo mercado um dos credores com perfil mais agressivo.

Segundo o sócio e presidente da Máquina de Vendas, Pedro Bianchi, a empresa pretende usar R$ 125 milhões que tem depositados na Justiça para pagar a rescisão dos demitidos. O montante, diz o executivo, é suficiente para quitar o passivo com os recém-dispensados.

Com o fechamento das lojas, a empresa passaria a atuar nos canais digitais, que historicamente representam uma fatia menor da receita de varejistas. Também pretende intensificar parcerias com pessoas físicas e empresas para desenvolver o modelo de vendas diretas, em que consultores usam a marca como plataforma de venda e fornecedora.

– A companhia está apostando no ecommerce, que no Brasil não tem um desempenho de vendas tão representativo, com algumas exceções. Além disso, a empresa está em meio a uma repercussão negativa gerada pela dificuldade financeira e a prisão do ex-controlador, o que pode afetar na confiança do consumidor em comprar em seus canais – diz Leonardo Nascimento, sócio-fundador da Urca Capital Partners.

Segundo Nascimento, a tendência é de queda no faturamento, o que deverá se refletir em uma proposta de recuperação judicial em que a empresa busque altos descontos junto a credores.

– Certamente haverá no plano um deságio grande das dívidas. A empresa precisará precisa provar para os credores que vale mais aceitar essa proposta do que liquidar os ativos, o que é arriscado. Se não aceitarem, a empresa vai à falência – afirma ele.