"Juntos elevamos o nível" da seleção francesa, diz Lloris à AFP

O goleiro e capitão da seleção da França, Hugo Lloris, garante que "o desafio é constante" para os atuais campeões do mundo. Em entrevista à AFP, ele diz que a equipe está focada e sabe a "dimensão" de um evento como a Copa do Mundo.

Pergunta: As lesões de alguns jogadores importantes redesenham uma seleção mais jovem. A falta de preparação antes do torneio é prejudicial?

Resposta: "Realmente dois jogadores importantes nos últimos anos se lesionaram. Há jogadores jovens que chegam à equipe e se estão aqui é porque merecem. Não tenho dúvidas de que estão preparados para responder à altura. O fato de contar com menos tempo de preparação não necessariamente facilita as adaptações, mas todos se conhecem muito bem".

P: Entre os 26 jogadores, dez foram campeões do mundo com você. Como é possível aproveitar essa experiência?

R: "Cada competição é diferente, não é um 'copia e cola'. Também vai do 'feeling', você também tem que enfrentar novos desafios. O talento está ali, sem dúvidas. É o espírito de motivação que deve nos permitir vencer isso juntos".

P: Você vai disputar sua quarta Copa do Mundo e vai quebrar vários recordes (número de aparições pela seleção, número de partidas em que foi capitão em um Mundial). Você pensa na marca que deixará na história dos 'Bleus'?

R: "Eu me guio mais pela competição e pela vontade de superar os desafios, o desejo de me superar com ajuda dos meus companheiros de equipe do que por esses números, ainda que sejam muito importantes. Acho que darei ainda mais valor a eles depois que a competição acabar".

P: Você costuma dizer que não se limita. Em breve, você fará 36 anos, tem em mente que pode ser sua última Copa do Mundo ou sua última grande competição?

R: "Sim, há muitas chances de ser a minha última Copa do Mundo porque a próxima será em quatro anos. Eu só quero estar focado nessa competição, aproveitá-la ao máximo. Logo veremos. Não tomei nenhuma decisão a respeito disso. Evidentemente estou na última parte da minha carreira, mas é difícil se projetar muito à frente".

P: O capitão dos campeões mundiais em 1998 se tornou treinador e agora comanda a seleção francesa. Este caso pode se repetir com o capitão dos campeões do mundo de 2018?

R: "Nunca diga nunca. Mas hoje não posso responder a essa pergunta (esboçando um sorriso), não pensei nisso. O futebol me encanta, é minha paixão. Como disse antes, logo veremos".

P: Você é frequentemente descrito como um líder 'natural'. De onde vem isso?

R: "Nunca gostei de falar sobre mim. É mais fácil que os outros me julguem por isso. Quando nos dão essa responsabilidade de ser capitão, temos um dever com os demais: dar o exemplo, mas também ser uma liderança. Não acho que isso mudou a minha natureza. Penso que o garoto de 23 anos que recebeu a braçadeira pela primeira vez e o homem que sou hoje são muito diferentes, embora tenha os mesmos princípios e valores. Cada um é fiel à sua natureza. Tem coisas que não consigo explicar, é o meu 'feeling', raramente calculo".

P :Quando os 'Bleus' tiveram dificuldades, como em junho e setembro, você fez observações lúcidas, às vezes duras. Você sentiu que tinha que ser 'linha dura' com alguns jogadores ?

R: "Nesse nível, cada jogador é consciente do que faz bem ou menos bem. O questionamento é individual e permanente. As vitórias são alcançadas através do coletivo porque vivemos juntos. Quando as coisas correm mal, não é culpa de um, dois ou três jogadores. É porque se criaram desequilíbrios e é preciso voltar aos fundamentos, ao básico, e isso é normal. Nem sempre se pode estar em seu melhor momento, no melhor nível. Existem momentos um pouco mais complicados e é aí que precisamos desses líderes para encontrar soluções para a equipe".

P: Você continua batendo nas paredes?

R: "(Sorrisos) Às vezes pode acontecer, mas o importante não é isso. As palavras são uma coisa, mas o mais importante é o esforço, o que se faz dentro de campo. Agora damos muita importância ao que pode acontecer no vestiário mas, sinceramente, às vezes não é preciso falar. Os jogadores são caras responsáveis. Podemos sentir às vezes a importância de um jogo, se pode ser decisivo para o nosso futuro. De uma forma geral, todos sabemos a dimensão do evento e juntos elevamos o nível e isso se traduz em resultados positivos".

ama-jta/jed/chc/gh/psr/yr/cb