Judoca ‘reaprende’ a andar depois de grave lesão e sonha com Tóquio-2020

Jonas Moura

Com experiência de sparring do medalhista olímpico Rafael Silva, o Baby, Ruan Isquierdo deixou de ser promessa e quer agora seguir os passos do companheiro de Seleção Brasileira. Mas só após viver um verdadeiro drama em um hospital público no Rio de Janeiro que o carioca de 23 anos colocou o esporte como prioridade.

No dia 13 setembro do ano passado, o judoca sofreu grave fratura no tornozelo esquerdo durante o aquecimento de um treino. O episódio aconteceu a menos de quatro meses para a seletiva que definiria a atual Seleção Brasileira sênior.

Após a lesão, Ruan foi levado ao hospital Lourenço Jorge. Com o pé arrebentado, ficou no corredor aguardando mais de uma hora por atendimento. Seu irmão o levou para o Hospital Miguel Couto, na Lagoa, onde uma amiga da família conhecia um médico que poderia ajudar. A fratura ocorreu à tarde, mas só na madrugada ele foi internado.

Mas a missão seria longa. O hospital sempre alegava que um paciente em situação mais grave, como casos de apendicite, deveriam sera atendidos antes. Foram três dias “largado” no Miguel Couto.

A família, então, conseguiu uma transferência para o Hospital Geral do Exército. A operação seria feita de urgência, mas, quando os médicos retiraram o gesso, viram que o pé de Ruan estava cheio de bolhas, e a cirurgia deveria ser adiada. Ela só ocorreu uma semana depois.

– Tive de aprender a andar, mesmo atrofiado. As sessões de fisioterapia eram bem dolorosas e intensas mas era o que eu precisava para competir – contou Ruan, ao LANCE!.

O judoca, hoje no Instituto Reação, estava no Flamengo na época, mas diz que não teve apoio do clube. Faltava preparador físico. Ele colocou parafuso para fixar a fíbula e ficou um mês sem pisar no chão. Mas recuperou-se e garantiu vaga na categoria acima de 100kg da Seleção.

– O rótulo de promessa me atrapalhou. Fiquei acomodado. Por ser medalhista de Mundial Junior, achava que o profissional seria tranquilo e não fazia nada para mudar. Com a lesão, dei mais valor. Agora, quero ir a Tóquio-2020 – admitiu Isquierdo, bronze no Mundial sub-21, em 2013.











Ruan Isquierdo teve de aguardar cirurgia no pé esquerdo (Foto: Arquivo Pessoal)

Ruan teve de aguardar cirurgia no pé esquerdo (Foto: Arquivo Pessoal)

No sábado, Ruan conquistou o bronze no Pan-Americano de judô, na Cidade do Panamá. Neste domingo, ele compete na disputa por equipes. A eliminatória acontece às 13h (de Brasília). As finais serão às 19h.

Em 2017, o judoca já foi ouro no Open Pan-Americano de Santiago e no Open Pan-Americano de Lima.

Rafaela cai, mas novatos lideram

Ouro na Rio-2016, Rafaela Silva foi eliminada na estreia na categoria até 57kg do Pan-Americano no Panamá. Ela perdeu para a cubana Anaylis Dorvigny no golden score. Mas o Brasil está na liderança no quadro de medalhas. Na sexta-feira, Eric Takabatake (60kg), Eduardo Barbosa (73kg) e Jessica Pereira (57kg) foram campeões, enquanto Daniel Cergnin (66kg) e Yanka Pascoalino (63kg) ficaram com a prata. Já Stefanie Koyama (48kg) levou o bronze.

No sábado, Eduardo Yudi (81kg), Samantha Soares (78kg) e Beatriz Souza (acima de 78kg) subiram no lugar mais alto do pódio. Rafael Macedo (90kg) e Leonardo Guedes (100kg), além de Ruan, foram bronze.

O Brasil soma seis ouros, duas pratas e quatro bronzes, e aparece à frente de Cuba, com quatro ouros, duas pratas e cinco bronzes.









BATE-BOLA
Ruan Isquierdo Judoca, ao LANCE!

‘Eu conto com o fator juventude e quer aproveitar minhas chances’

Como é concorrer com o Rafael Silva e o David Moura, os outros dois titulares da categoria?
Nas duas Olimpíadas que o Baby medalhou, estive com ele. Desde a base, sempre tive aquele título de promessa. Eles têm experiência internacional muito maior, mas conto com o fator juventude, sou mais novo e busco aproveitar as oportunidades possíveis. Estou próximo deles, mas quero passá-los.

Em quem você mais se inspira no esporte em geral e no judô?
Eu sempre me inspirei no Ayrton Senna. No judô, gosto dos pesados ágeis. O Teddy Riner (FRA) é minha maior inspiração. Em um treino em Paris, já consegui projetá-lo. Depois, tirei fotos.

Como foi o início no esporte?
Sempre fui uma criança grande gordinha, hiperativa e agitada. Às vezes, acaba machucando os amigos sem querer. Tinha um amigo grande que fazia judô e comecei a praticar com ele, com seis anos anos. Logo no início, consegui me destacar bem, nas primeiras competições. Peguei gosto.











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