Medalhista no Mundial em 2018, judoca se aposenta e celebra nova vida no Canadá

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Erika Miranda comemora após vencer medalha de bronze no Mundial de 2017 (Tibor Illyes/MTI via AP)
Erika Miranda comemora após vencer medalha de bronze no Mundial de 2017 (Tibor Illyes/MTI via AP)

Por Ivo Felipe

A medalha de bronze na categoria até 52kg no Campeonato Mundial de Judô, em setembro de 2018, reafirmava a regularidade de Erika Miranda. Era o quinto pódio seguido no torneio e a mantinha na condição de favoritismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Menos de um mês depois, no entanto, a brasiliense surpreendeu a todos: anunciou sua aposentadoria, passou 2019 longe do holofote e decidiu por uma vida nova, como imigrante no Canadá. 

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“Foi uma decisão difícil, mas a melhor que eu podia ter tomado na minha vida. Apesar dos bons resultados, eu não estava feliz. Meu corpo já não respondia da mesma maneira. Dediquei 21 dos meus 31 anos ao judô, então praticamente não havia vivido fora do esporte até agora. A perda de peso estava me fazendo sofrer muito e é a pior parte do judô.  Posso dizer que em 2019 eu aprendi a andar novamente”, disse Erika, em entrevista ao Yahoo Esportes.

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Erika se mudou ao país norte-americano em maio do ano passado. Passou a cursar Business na SELC Career College, em Vancouver, no Oeste canadense, e desligou-se definitivamente da prática da modalidade que esteve presente em grande parte de sua vida. O esporte, no entanto, segue como meta. Erika também busca ainda certificados na área esportiva no Canadá, para assumir agora um papel diferente. 

“Como judoca, posso dizer que estou 100% afastada. Não tem chance de eu voltar. Na parte de gestão, ou como preparadora, aqui no Canadá ou no Brasil, com certeza há a possibilidade. Ainda não tenho definido o que vou fazer. Muitas portas devem ser abrir depois da Olimpíada, então vou aproveitar este período para me dedicar aos estudos”, comentou a atleta, dona de quatro medalhas de bronze e uma de prata em Mundiais de Judô.  

O Canadá tem sido um destino comum no pós-carreira de judocas brasileiros. No período de adaptação à nova casa, Erika contou com o apoio de dois velhos conhecidos de Seleção Brasileira: Leandro Cunha, duas vezes medalhista mundial, é técnico na província de Ontário, caminho que fora trilhado pelo também ex-judoca Pedro Guedes, que treinou divisões de base do judô canadense e hoje vive na Alemanha. 

Apesar da distância e do “período sabático” tirado do judô, Erika ainda acompanha as antigas companheiras de treino. A modalidade sempre foi um dos principais carros-chefe do Brasil em Jogos Olímpicos. No último Mundial, obteve três medalhas de bronze. O desempenho não se manteve, no entanto, no World Masters de Qingdao (China), segundo evento mais importante do ano, disputado em dezembro, e o país deixou o evento sem nenhum pódio. 

“O brasileiro acostumou-se muito com vitórias no judô, mas este é um ano muito puxado. Como já estive lá dentro não acho que os resultados recentes sejam para se preocupar. O foco é que os atletas consigam fazer o máximo de competições possíveis para que se classifiquem pelo ranking mundial aos Jogos Olímpicos. Ainda há tempo para ajustes sejam feitos no planejamento”, analisou. 

Palavras de quem tem experiência de longa-data. Érika despontou no cenário internacional no Pan-Americano de Judô de 2006, em Buenos Aires, com uma medalha de bronze. Em sua trajetória, faturou quatro ouros, uma prata e um bronze neste tipo de competição. Foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 e prata tanto em Guadalajara 2011 quanto no Rio 2007. A medalha olímpica, única que lhe faltou no currículo, não a faz menos satisfeita com o rumo que tomou. 

“Sou sem dúvida a maior torcedora do judô do Brasil agora, mas feliz com a minha decisão. Estou com o coração em paz por tudo que consegui.” 

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