Judô brasileiro começa caminho para Tóquio-2020 em Grand Prix da China

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Rafaela Siva foi campeã olímpica em 2016, mas não vem bem desde então (David Ramos/Getty Images)
Rafaela Siva foi campeã olímpica em 2016, mas não vem bem desde então (David Ramos/Getty Images)

Por Guilherme Costa

Ainda faltam mais de dois anos para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 mas, para o judô, a competição começa neste fim de semana. O Grand Prix de Hohhot, na China, que tem início nesta sexta-feira, é o primeiro em que os pontos valerão para a classificação da Olimpíada do Japão. A seleção brasileira está praticamente completa, com destaque para as campeãs olímpicas Sarah Menezes (até 48kg) e Rafaela Silva (até 57kg), a campeã mundial Mayra Aguiar (até 78kg), e Érika Miranda (até 52kg), Rafael Silva (acima de 100kg), David Moura (acima de 100kg), Victor Penalber (até 81kg), todos com medalha em Campeonatos Mundiais no currículo. 

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Como de costume, o judô deve ser um dos carros chefes da participação olímpica brasileira em Tóquio-2020. Nem a Confederação Brasileira de Judô (CBJ), nem o Comitê Olímpico do Brasil (COB), falam em número de medalhas, mas a expectativa é que a modalidade vá ao pódio pelo menos três vezes nos Jogos de 2020. Como comparação, na Rio-2016, foram três medalhas (um ouro e dois bronzes). 

– Ainda é cedo para pensar em meta de medalhas, resultados, mas estamos trabalhando para classificar todos os pesos, formar a melhor equipe possível e chegar a Tóquio com reais chances de medalha como fizemos nas últimas nove edições de Jogos Olímpicos em que o judô subiu ao pódio – disse Ney Wilson, Gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Judô.  

O GP da China distribui os primeiros pontos para o ranking classificatório para os Jogos de Tóquio. Pelo regulamento, em maio de 2020, os 18 primeiros colocados em cada categoria (com limite de um por país) estará garantido nos Jogos. Se a Olimpíada fosse hoje, com o ranking mundial atual, o país estaria classificado em 13 dos 14 pesos. 

O judô masculino do Brasil não vive uma fase tão positiva. Na Olimpíada do Rio, com apenas uma medalha de bronze, conquistada por Rafael Silva, os homens tiveram a pior campanha desde 1980. No Mundial do ano passado, apenas no peso pesado, com a prata de David Moura e o bronze de Rafael Silva, o país ficou entre os oito primeiros colocados. 

– O judô masculino passa por um processo de transição que é natural. Nos Jogos do Rio, por exemplo, quatro dos sete atletas eram estreantes em Olimpíadas. Além disso, tivemos bons resultados recentes nas categorias de base, com dois campeões mundiais júnior, um campeão mundial sub-18. Isso mostra que temos talentos e material humano com potencial para mantermos a nossa tradição de conquistas – disse Ney Wilson.

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David Moura é o maior nome do judô masculino atual. Segundo colocado do ranking da categoria acima de 100kg, e vice-campeão mundial ano passado, o judoca não vê um peso muito grande em competir na China já com pontos valendo para a classificação olímpica.

– Não muda muita coisa se é a primeira ou última competição. Todas começam a valer. Nem estou pensando muito nisso. Quero ir para ganhar e treinar para o Mundial, que é minha próxima competição. Estou indo em uma boa de ganhar para embalar, não pensando muito em pontos. Pensando na confiança para o Mundial – disse David Moura, se referindo ao Mundial, que será disputado em setembro, no Azerbaijão.

Por outro lado, o judô feminino está muito bem. Na equipe do Grand Prix da China, há quatro medalhistas olímpicas (Ketleyn Quadros, Rafaela Silva, Mayra Aguiar e Sarah Menezes), além de Érika Miranda e Maria Suelen, ambas já vice-campeãs mundiais. 

Depois do ouro na Rio 2016, Rafaela Silva não embalou bons resultados. É apenas a 12ª do ranking mundial e, no ano passado, sequer passou da estreia no Campeonato Mundial. 

–  A gente sempre pensa em Tóquio. Todo mundo quer participar, quer estar em mais uma Olimpíada, mas penso numa competição de cada vez. Eu entro em toda competição como se fosse uma Olimpíada, um Campeonato Mundial. Eu estou voltando de cirurgia e foquei nas últimas semanas de preparação num processo para ganhar gás, recuperar meu pulmão. Como a competição é na Ásia vai ter muita atleta da Mongólia, Taipei, Japão, China, que são as meninas que movimentam bastante. Então, eu dei bastante ênfase na preparação física, que é o que eu acho que vou precisar nessa competição na China – explicou a campeã olímpica.

É importante lembrar que, para os Jogos de Tóquio, o Brasil chegará com uma chance extra de medalha. Isso porque, no Japão, será disputada, pela primeira vez, o torneio misto por equipes. No regulamento, são três homens e três mulheres no time. Esse tipo de torneio não é disputado em Gran Prix ou Grand Slam, apenas em Campeonatos Mundiais. Ano passado, aliás, a seleção ficou com a medalha de prata. 

Além de ser o primeiro torneio que vale pontos para o ranking olímpico, o GP da China encerrará o processo qualificatório para o Campeonato Mundial, que será em setembro, no Azerbaijão. A principal competição da temporada contará com nove atletas no masculino e nove no feminino, podendo levar até dois competidores em uma mesma categoria. 

Equipe brasileira no GP da China

Eric Takabatake (60kg) – EC Pinheiros
Phelipe Pelim (60kg) – EC Pinheiros
Charles Chibana (66kg) – EC Pinheiros  
Marcelo Contini (73kg) – EC Pinheiros
Eduardo Barbosa (73kg) – Paineiras do Morumby
Victor Penalber (81kg) – Instituto Reação
Eduardo Bettoni (90kg) – Minas Tênis Clube
Rafael Buzacarini (100kg) – Paineiras do Morumby
Rafael Silva “Baby” (+100kg) – EC Pinheiros
David Moura (+100kg) – Instituto Reação

Sarah Menezes (48kg) – CR Flamengo
Gabriela Chibana (48kg) – EC Pinheiros
Érika Miranda (52kg) – Sogipa
Rafaela Silva (57kg) – Instituto Reação
Ketleyn Quadros (63kg) – Sogipa
Maria Portela (70kg) – Sogipa
Mayra Aguiar (78kg) – Sogipa
Samanta Soares (78kg) – EC Pinheiros
Maria Suelen Altheman (+78kg) – EC Pinheiros

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