Jovem morto tinha ido a Paraisópolis para comemorar aniversário

Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)
Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos, um dos mortos em ação da PM no baile funk de Paraisópolis, no domingo (1º), tinha ido ao pancadão comemorar seu aniversário.

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Segundo a irmã, a professora Vanine Cristiane Siqueiras, 39 anos, Bruno fez 22 anos no último dia 28, mas resolveu comemorar com os amigos na noite de sábado (30).  "Ele pegou as coisinhas dele e falou que ia passar a noite com os amigos, comer uma pizza e para comemorar o aniversário", contou, bastante emocionada, após deixar o 89º DP (Morumbi), na manhã desta segunda (2).

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Vanine conta que os amigos de Bruno avisaram a família que ele havia ficado ferido após a confusão no baile funk. Segundo eles, o jovem teria corrido para o lado oposto ao do grupo de amigos durante a confusão.

A professora também contesta a versão da polícia de que o jovem teria morrido pisoteado. Ela disse ter visto imagens dele caído no chão e seu corpo não apresentava sinais de pisoteamento. Ela disse ainda que a família está bastante abalada, pois Bruno foi adotado por eles ainda pequeno e eles moravam em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo). "Ele era uma pessoa tranquila. Agora [a polícia] precisa saber o que aconteceu. Queremos justiça", desabafou.

O CASO

Uma ação policial em um baile funk na madrugada de domingo (1º) terminou com nove pessoas mortas por pisoteamento e outras sete feridas, na favela de Paraisópolis (zona sul de SP). 

O tumulto aconteceu em evento com mais de 5 mil pessoas. Imagens e relatos indicam que a multidão acabou encurralada pela polícia em vielas estreitas -alguns tropeçaram e acabaram mortos. Jovens afirmaram que a ação foi uma "emboscada".

A Polícia Militar afirma que ainda não é possível saber se a ação ocorreu de maneira correta, que algumas imagens divulgadas sugerem abusos e que tudo será investigado. 

A corporação sustenta, porém, que a confusão começou após uma perseguição a suspeitos em uma moto, com quem trocaram tiros. 

Segundo a polícia, a fuga se deu por 400 metros e depois os suspeitos entraram no meio do baile ainda disparando. "Criminosos utilizaram pessoas no pancadão como escudos humanos", disse o tenente-coronel Emerson Massera, da PM. 

Na noite de domingo, centenas de moradores de Paraisópolis tomaram as ruas da favela e arredores para protestar contra o episódio.

Durante a manifestação, os moradores cantaram um trecho de um funk clássico. "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci", entoaram. 

Em parte do trajeto, encontraram com policiais e o clima ficou mais tenso. "Assassinos, assassinos", gritavam. No entanto, não houve conflito.

da FolhaPress

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