Jornalista americano morre no Catar durante cobertura da Copa do Mundo

DOHA, QATAR - DECEMBER 03: FIFA world Cup Qatar 2022 logo prior to the FIFA World Cup Qatar 2022 Round of 16 match between Argentina and Australia at Ahmad Bin Ali Stadium on December 3, 2022 in Doha, Qatar. (Photo by Harry Langer/DeFodi Images via Getty Images)
DOHA, QATAR - DECEMBER 03: FIFA world Cup Qatar 2022 logo prior to the FIFA World Cup Qatar 2022 Round of 16 match between Argentina and Australia at Ahmad Bin Ali Stadium on December 3, 2022 in Doha, Qatar. (Photo by Harry Langer/DeFodi Images via Getty Images)

O renomado jornalista norte-americano Grant Wahl faleceu aos 48 anos nesta sexta (9) enquanto cobria a Copa do Mundo no Catar. A informação foi confirmada pela família de Wahl.

De acordo com o irmão de Wahl, Eric, Grant passou mal na tribuna de imprensa do Estádio Lusail durante a partida entre Argentina e Holanda, e foi submetido à reanimação cardiopulmonar. Ele foi levado de Uber até um hospital e faleceu. Eric ainda menciona que o irmão estava saudável e tinha recebido ameaças de morte recentemente, além de ter sido seguido em território catari.

O repórter do Yahoo Esportes Henry Bushnell estava também na tribuna de imprensa do Estádio Lusail e observou que médicos antenderam Grant por cerca de 30 minutos antes de retirá-lo do local em uma maca.

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Na última segunda (5), Wahl mencionou que tinha visitado um hospital no Catar após sentir um desconforto no peito por alguns dias. Com teste negativo para Covid, os médicos afirmaram que ele poderia estar sofrendo com bronquite. Após ter antibióticos e xaropes receitados, o jornalista afirmou estar se sentindo um pouco melhor.

Wahl era um dos principais jornalistas de futebol nos Estados Unidos e foi um ferrenho crítico da Fifa, até lançando uma candidatura própria à presidente da federação, e recentemente fez inúmeras matérias denunciando violações de Direitos Humanos no país-sede da Copa do Mundo.

Durante o torneio, Wahl foi barrado no Estádio Al Rayyan para realizar seu trabalho na cobertura da estreia de Estados Unidos e País de Gales por causa da vestimenta que ele estava usando: uma camiseta com uma bola de futebol envolta por um arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+.

Em seu perfil oficial no Twitter, o profissional relatou o acontecimento e citou, inclusive, a fala da autoridade de segurança do estádio onde a partida irá ser disputada: "Agora mesmo: Segurança recusando-se a me deixar entrar no estádio para Estados Unidos x País de Gales. 'Você tem que trocar de camisa. Não é permitido'. A segurança da Copa do Mundo do Catar me deteve por 25 minutos por usar uma camiseta de apoio aos direitos LGBTQ, pegou meu telefone à força e exigiu com raiva que eu tirasse minha camiseta para entrar no estádio".

Após um grande período de tempo detido pelos oficiais de segurança do estádio, Grant Wahl foi liberado pela equipe, recebendo, inclusive, um pedido de desculpas por parte de um representante da FIFA. Em seu site, o jornalista relatou que: "Um comandante de segurança se aproximou de mim, disse que eles estavam me deixando passar e se desculpou. Apertamos as mãos. Um dos seguranças me disse que estavam tentando me proteger dos torcedores que poderiam me machucar por usar a camisa".

Aos 48 anos, Wahl era um dos principais jornalistas norte-americanos na cobertura do futebol com uma carreira que começou nos anos 90. Ele foi repórter da revista Sports Illustrated de 1996 a 2020, participando também de coberturas ao vivo com as emissoras de televisão Fox Sports e CBS Sports. Nos últimos anos, ele tocava seu próprio projeto com assinaturas.