Jorginho tentou carreira no Brasil, mas ouviu ‘não’ de Palmeiras, São Paulo e Inter

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LONDON, ENGLAND - JULY 14: Olivier Giroud of Chelsea celebrates after scoring his sides first goal with Jorginho during the Premier League match between Chelsea FC and Norwich City at Stamford Bridge on July 14, 2020 in London, England. Football Stadiums around Europe remain empty due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in all fixtures being played behind closed doors. (Photo by Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images)
Jorginho comemora gol do Chelsea com Olivier Giroud (Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Uma das principais referências do Chelsea, Jorginho tem hoje 28 anos. Quando deixou a sua Imbituba, no litoral catarinense, para tentar a sorte em gramados europeus, ele possuía apenas 15. Mesmo com praticamente metade de sua vida construída no exterior, defendendo a seleção italiana e com uma legião de fãs pelo mundo, o meio-campista carrega na ponta da língua o nome de cada treinador que ajudou a tornar o seu sonho em realidade.

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Enquanto repassa o seu passado, eles surgem um atrás do outro com a maior naturalidade possível.

Primeiro, Peixe. Depois, Mancha. Na sequência, Pepê. E, por fim, Mário Júnior.

Os quatro foram os responsáveis por sedimentar tudo o que Jorginho aprendeu primeiramente nas areias da orla de Imbituba, treinando ao lado de sua maior mentora, Maria Tereza Freitas, sua mãe. Ninguém duvidava que dali sairia jogador. O que surpreendeu, na verdade, foi a sua ida direto para fora. Ele não teve a chance de atuar profissionalmente no Brasil.

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Não foi por falta de tentativa, contudo. Antes de partir em definitivo para a Itália, Jorginho tentou lançar carreira perto de sua família, mas não conseguiu convencer nenhum clube de seu talento.

“Quando eu estava na escolinha do Mário Junior, meu pai tentou me levar para fazer teste. Fui no São Paulo, Palmeiras e Inter”, recorda o atleta ao Yahoo Esportes.

“Quando eu tinha seis anos, meu pai se separou da minha mãe e saiu de Imbituba. Então, ele morava entre Criciúma e São Paulo por causa do trabalho que fazia. De uma certa forma, ele deu um jeito de tentar me ajudar. É por isso que eu digo que ele fez muito esforço e não foi fácil para ele também a separação”, prossegue.

“Eu tinha mais ou menos uns 12 anos quando ele tentou me levar nos clubes. Naquela altura, ele já estava com uma esposa nova, a Dilce, que é um anjo na nossa vida. Ela morava em São Paulo, então, eu ficava na casa dela e ele me levava para fazer testes. Fui no São Paulo, fiz uns treinos, mas não deu certo. Depois, fui para o Palmeiras, dois treinos e também não deu certo. E ainda passei pelo Inter”, acrescenta.

“Em Porto Alegre, no entanto, não foi através do meu pai, mas de uma famosa peneira que teve na minha cidade por meio do Mário Junior e acabaram me escolhendo para poder ir no Inter fazer uma semana de treino. Fui lá, fiz uma semana e voltei para Imbituba”, completa.

Pouco tempo depois, Jorginho atuou em um torneio com a escolinha que defendia e acabou chamando a atenção de empresários italianos que estavam montando um projeto em uma cidade vizinha, Guabiruba. Ele classifica o período como “o mais difícil de sua vida”.

A recompensa veio mais adiante com a chance de ir para o Verona, a transferência para o Napoli e, enfim, o Chelsea.

Ele mantém viva na memória cada passagem que compõe a história por trás dessa caminhada.

“O meu começo foi na areia. A gente sempre menciona minha mãe porque era ela que jogava futebol. O meu pai era perna de pau, mas eu tive muita influência dele também. Ele sempre conversou comigo, me apoiou muito, tentou me levar nos jogos. Quando ficou desempregado, pegava carona de caminhão para poder ir ver minhas partidas. Ele também fez bastante esforço para que desse certo no futebol”, conta.

“Lá em Imbituba, eu treinava com minha mãe na praia quando era pequeno. Depois, comecei na escolinha de futsal do Peixe. Tinha quatro anos e meus amiguinhos ficavam todos: “Você tem que ir no Peixe, Peixe, Peixe”. Jogava bola o dia inteiro. Meu pai colocava o pé em casa e eu falava na mesma hora: “Pai, quero ir no Peixe, Peixe”. Nem sabia o que era. Aí meu pai falou assim: “Você não pode, você é muito pequeno”. Porque a idade mínima era seis anos e eu tinha quatro. Imagina quatro para seis, a diferença é grande. Aí ele falava que eu não poderia ainda, mas eu enchi tanto a paciência dele que falou que ia tentar”, continua.

“Aí ele foi lá conversar com o Peixe, treinador em Imbituba: “Peixe, tenho uma criança, quatro anos, não posso colocar o pé em casa que não tenho paz porque ela quer vir aqui”. Então, o Peixe falou: “Cara, é muito pequeno, não tem como assumir essa responsabilidade, pode se machucar, os meninos maiores podem passar por cima”. O meu pai retrucou: “Peixe, você não está entendendo, ele tem que vir de qualquer jeito”. Aí o Peixe falou: ”Se quiser trazer, traz, mas não é minha responsabilidade, não tenho nada nisso”. No fim das contas, meu pai assumiu a responsabilidade”, adiciona.

“Fui, então, no primeiro dia, uniformezinho, todo empolgado, e treinei. Diz meu pai que fui melhor do treino (risos). Aí acabou o treino, meu pai foi direto no Peixe e brincou: “Peixe, então, agora que ele veio uma vez, deu, né? Não preciso trazer mais”. Peixe fez uma cara de assustado: “Não, não, não, agora você pode trazer que a responsabilidade é minha”. Aí comecei na escolinha do Peixe com futsal. Depois de lá é que fui para o campo. O meu primeiro treinador foi o Mancha, lá em Imbituba mesmo. Na época, era fominha, fazia futsal e campo. Em seguida, na escola, tive o professor Pepê, pessoa muito especial para mim. Depois do Mancha, veio ainda o professor Mário Junior, que foi outra pessoa muito importante”, conclui.

O sonho virou realidade e agora Jorginho trabalha sob as ordens do professor Frank Lampard. Mas, com a perda da titularidade no retorno da Premier League, o seu destino pode passar longe do Chelsea na próxima temporada. Nada que assuste quem lutou tanto para chegar até aqui.

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