Jorge Jesus é Portugal na Libertadores, não o Flamengo

A natureza do povo português, sobretudo no futebol, é ser nacionalista, sendo o próprio JJ um exemplo disso
A natureza do povo português, sobretudo no futebol, é ser nacionalista, sendo o próprio JJ um exemplo disso

Assim como o Flamengo não é o Brasil na Libertadores, o Flamengo não é Portugal na Libertadores. Jorge Jesus é que é Portugal na Libertadores, especialmente na final contra o River Plate

A essência do povo português, sobretudo no futebol, é ser nacionalista. Abraça forte e valoriza os seus ídolos e as suas referências. Não, a proteção não é obrigatoriamente um defeito. Neste caso, é apenas uma constatação, tal qual a enorme qualidade do treinador e o atual sucesso do Rubro-Negro.

Jesus, aliás, é um dos melhores exemplos do patriotismo lusitano. Adora ser idolatrado pelos seus. Sente a necessidade disso, o que é totalmente compreensível. É apaixonado pela sua Terra, ao ponto de propositalmente demorar longos anos no futebol nacional antes de aventurar-se - por falta de espaço no próprio país - na Arábia Saudita e, agora, no Brasil.

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Cristiano Ronaldo é outro perfeito retrato daquilo que respeitosamente quero ilustrar. É, indiscutivelmente, um dos maiores de todos os tempos. Um fora de série que diversas vezes é blindado de forma exagerada por boa parte dos portugueses.

Viver em Portugal e considerar Messi superior é quase um sacrilégio. Como se não fosse possível ser fã incondicional dos dois craques históricos. Como se elogiar o primeiro acabasse por ser automaticamente uma crítica direta ao segundo. Muita calma.

Justo dizer, é claro, que toda generalização é burra. É óbvio que (felizmente) existem inúmeros portugueses com uma visão desprendida do nacionalismo, assim como novos simpatizantes do Flamengo espalhados por terras portuguesas.

Repito: o Flamengo não é Portugal na Libertadores. Isso não significa, no entanto, que o carinho e o interesse pelo Rubro-Negro sejam forçados. Pelo contrário. São verdadeiros e aceitáveis, mas algumas vezes também discutíveis. Falta equilíbrio, até porque nem tudo é emoção.

Hoje, o que é visto em solo português - e também brasileiro - é um frenesim causado pelo espetacular momento de um clube gigante comandando por um treinador brilhante. Quem veste a camisa é (ou pelo menos deveria ser) o torcedor de verdade, aquele que, com toda a razão, não precisa ter razão para ser imparcial. 

O Flamengo já existia antes de Jorge Jesus. O Flamengo vai continuar existindo depois de Jorge Jesus.

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