John John transcende gerações dentro e fora do surfe

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Por Emanoel Araújo

Hoje John John Florence faz 27 anos. Segundo alguns psicólogos, esta é uma das idades mais complicadas da vida. O final da juventude e o início da fase adulta é uma ponte difícil de atravessar. Mas olhando para o passado do surfista havaiano, é possível afirmar que ele aproveitou bem a juventude.

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:: ANTES DOS 27: MUNDIAL

O garoto que encantou o mundo com seus vídeos arojados (Acervo Pessoal)
O garoto que encantou o mundo com seus vídeos arojados (Acervo Pessoal)

Em 2016, seu primeiro título mundial o colocou no seleto hall de campeões com uma dobradinha em Portugal. Venceu a etapa e levantou o troféu da temporada. No ano seguinte, começou como favorito e confirmou as apostas se sagrando bicampeão mundial, mas com apenas uma vitória, em Margaret River (AUS). A atual temporada também começou promissora: entre os quatro eventos que disputou, venceu dois.

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Sua ascensão no ranking só não foi maior do que a queda em Saquarema. O aéreo mal calculado e o encontro com a prancha reacendeu um drama antigo:

A pressão da onda empurrou minha prancha contra a perna e dobrou o joelho direito... Foi super doloroso. Imediatamente, fiquei pensando que fosse de novo meu ligamento cruzado

John John Florence – em entrevista à ESPN

Esta lesão é a mesma que o tirou da temporada passada. Na época, a escolha foi por um tratamento com fisioterapia e estímulos elétricos. A previsão de recuperação, que contava com um combo de seis meses e uma cirurgia, não agradava o surfista que tinha como meta disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

:: DEPOIS DOS 27: OLIMPÍADA

Queridinho até entre os brasileiros (POULENOT/WSL)
Queridinho até entre os brasileiros (POULENOT/WSL)

O próprio John John Florence dá grande importância a sua participação em 2020. Afinal, a relação entre Havaí e os esportes olímpicos começou com o pai do surfe moderno, Duke Kahanamoku. No início do século XX, ele ganhou cinco medalhas na natação (100m livre) em três edições dos Jogos Olímpicos. No próximo ano, o surfe de Duke fará sua estreia em Olimpíadas. A presença de um havaiano seria de grande importância para John John e para o orgulho de todo um arquipélago.

Com tanta motivação ao seu redor, John John tem criado uma rotina cansativa até mesmo para quem está de molho. São três sessões diárias com um trio de aparelhos que vão desde reenergizar células mortas a uma bota de pressão que redireciona o fluxo sanguíneo. Entre uma sessão e outra, ele pega a prancha e sai para remar cerca de 16km. Um fato curioso que ficou conhecido após a divulgação de um vídeo enigmático:

O vídeo foi uma brincadeira, mas com um fundo de verdade. A meta do havaiano é voltar a competir na última etapa do ano, em dezembro, em Pipeline. No entanto, a ideia não é por um retorno triunfal em casa. Até lá ele completará seis meses longe do surfe competitivo e voltar em alto nível está fora de cogitação. A meta é angariar pontos que podem garantir a vaga no Time Estados Unidos nos Jogos Olímpicos.

Farei tudo o que estiver ao meu alcance para fazer parte das Olimpíadas, mas estou muito ciente das coisas que não posso controlar. Estou tentando não reagir às coisas que não posso controlar.

John John Florence – em entrevista à ESPN

:: DENTRO DO OCEANO, FORA DO SURFE

Passeio por baixo do Atol Palmyra (Arquivo pessoal)
Passeio por baixo do Atol Palmyra (Arquivo pessoal)

John John Florence aproveita o tempo fora do surfe e tenta sair da caixa. Distante das mesas redondas do esporte, da produção de vídeos ou até mesmo dos eventos de patrocinadores, o atleta faz uso de sua fama para alertar o que acontece na sua segunda casa.

Ele aproveitou a semana de encontros na ONU sobre mudanças climáticas e se aliou a uma Organização Não-Governamental para ver de perto o impacto disso na natureza. Assim como Greta Thunberg, John John usou um barco a vela (energia limpa) para navegar pelo oceano e rumou ao sul do arquipélago havaiano. Chegou ao distante atol Palmyra e, mesmo com uma proteção no joelho operado, explorou a beleza que só um lugar como esse pode oferecer:

Portanto, o havaiano tem planos ambiciosos para o futuro, ou melhor, para vida a partir dos 27 anos. Seu próximo desafio tem data e local para acontecer. No próximo dia 26 de julho, a praia japonesa de Tsurigasaki pode ser a ponte entre o garoto que conquistou o circuito mundial duas vezes ou o ícone do surfe que trouxe ao Havaí sua primeira medalha no esporte mais popular do arquipélago.

Nos próximos meses, o Yahoo Esportes acompanhará essa travessia e trará todos detalhes pra você. Até a próxima.

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