Jogos do Paulista na capital terão portões fechados por tempo indeterminado

JOÃO GABRIEL, LUCIANO TRINDADE E ALBERTO NOGUEIRA
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou nesta sexta-feira (13) que os jogos do Campeonato Paulista disputados na capital serão realizados com os portões fechados a partir deste final de semana, em razão da pandemia de coronavírus.

A medida, válida por tempo indeterminado, obedece a uma determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e atende a orientações do Ministério da Saúde. Também é o primeiro efeito direto da doença covid-19 no futebol brasileiro.

Com isso, o clássico deste sábado (14) entre São Paulo e Santos, às 19h, no Morumbi, será realizado sem público. O clube tricolor informou que os torcedores que já tenham adquirido ingresso para o confronto terão direito a ressarcimento, ainda com procedimento a ser definido.

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Os portões também estarão fechados no confronto de domingo (15) entre Corinthians e Ituano, às 16h, na Arena Itaquera. A agremiação disse que suspendeu a venda de ingressos para o duelo e também para o clássico contra o Palmeiras, marcado para o dia 22.

A equipe alviverde, aliás, será a única entre as quatro grandes do estado a jogar com público, já que enfrenta a Inter de Limeira no interior, também neste sábado, às 16h30. Isso será possível pois a determinação da CBF, na qual a Federação Paulista de Futebol se baseia, é direcionada apenas às capitais de São Paulo e Rio de Janeiro.

"A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em sintonia com as orientações da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, determina que, a partir desta sexta-feira (13), todas as partidas de futebol marcadas para as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro sejam realizadas sem a presença de público. A CBF monitora de forma permanente o cenário nacional junto ao Ministério da Saúde, cujas orientações continuarão balizando as decisões da entidade", diz trecho do comunicado.

Questionada pela reportagem se poderia se antecipar ao que a entidade que cuida do futebol nacional determinou e estender para o restante do estado a proibição de público, a FPF, por meio de sua assessoria, não respondeu, mas afirmou que "tudo está sendo discutido hora a hora".

Segundo o Ministério da Saúde, o estado de São Paulo concentra a maioria dos casos de coronavírus no Brasil. Até a conclusão deste texto, eram 56 dos 98 confirmados.

Na quinta-feira (12), o governador João Doria (PSDB) afirmou que não tomaria nenhuma medida para suspender eventos esportivos.

"Não há nenhuma recomendação para o cancelamento de eventos, esportivos, musicais, de entretenimento ou conteúdo. Temos que ter cuidado para não levar pânico, que é um efeito extremamente nocivo para a economia de uma cidade, de um estado, de um país", declarou.

Diferentemente de Federação Paulista, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) divulgou, às 18h20, que todas as partidas organizadas por ela, em todo o estado, serão sem a presença de público. O mesmo foi feito por outras federações, como a mineira e a paranaense.

O governador do estado, Wilson Witzel (PSC), foi questionado sobre por que não suspender os jogos. "Serão com portões fechados. Com portões fechados não tem aglomeração. Sobre o contato entre os jogadores... Aí é risco deles", afirmou.

Nas redes sociais, o zagueiro do Vasco Leandro Castan respondeu ironicamente: "Risco é nosso, grande resposta, grande governador, obrigado pelo respeito com os atletas".

A decisão de não ter público em eventos esportivos tem sido comum em diversos países da Europa antes de suspender definitivamente o futebol no país. O caminho foi seguido, por exemplo, pela Itália e pela França.

Nesta sexta, o Campeonato Inglês anunciou a suspensão de seus jogos, fazendo com que todas as principais ligas do continente estejam paradas neste momento.

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