Jogos Olímpicos de Tóquio serão sem espectadores por pandemia

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"Não haverá espectadores" nas instalações dos Jogos Olímpicos de Tóquio (23 de julho a 8 de agosto), devido ao aumento do números de casos de coronavírus na capital japonesa - anunciou a ministra dos Jogos Olímpicos, Tamayo Marukawa, nesta quinta-feira (8).

"Chegamos a um acordo sobre que não haverá espectadores nas instalações em Tóquio", afirmou Marukawa, ao fim de uma reunião com todas as partes envolvidas nos Jogos, incluindo o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Por sua vez, o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga anunciou: "vamos declarar o estado de emergência em Tóquio" que vigorará durante os Jogos.

Essa medida foi justificada pelas autoridades pelo aumento contínuo das infecções por coronavírus na capital, especificamente a variante Delta, cuja rápida disseminação tem colocado o mundo inteiro em alerta.

Os Jogos de Tóquio, adiados no ano passado devido à pandemia, receberão cerca de 11.000 atletas de 200 países.

Ainda no campo esportivo, os Jogos do Sudeste Asiático marcados para novembro no Vietnã foram adiados para 2022, de acordo com Varin Tansuphasiri, membro tailandês do Conselho dos Jogos

A maior parte das instalações dos Jogos se encontra na capital japonesa, mas algumas provas serão em outros departamentos. Neles, também serão tomadas "medidas concretas", em coordenação com os organizadores, acrescentou Marukawa.

Desde o início da pandemia, os Jogos de Tóquio são motivo de debate e um difícil quebra-cabeça para os organizadores.

"Acredito que podemos organizar os Jogos com total segurança, graças a estas medidas", disse mais cedo o premiê Yoshihide Suga.

- Quatro milhões de mortes -

A variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia e considerada mais contagiosa que as demais, está causando uma aceleração da pandemia, que já registra mais de quatro milhões de mortes, segundo uma contagem da AFP com base em dados oficiais.

Além disso, o número de infecções ultrapassa 185 milhões, segundo balanços oficiais que, na opinião da Organização Mundial da Saúde (OMS), podem ser bem inferiores à realidade.

A média diária de mortes na última semana foi de 7.870 e continua diminuindo aos poucos. O número de mortes está longe das 13.700 por dia registradas no final de abril e início de maio.

No entanto, as novas infecções estão crescendo após quase dois meses de declínio (405.000 em média diariamente, + 9% semana a semana) devido ao aumento em países como o Reino Unido, Indonésia e Rússia, duramente atingidos pela variante Delta.

No hospital Mariinskaia, na cidade russa de São Petersburgo, a "zona vermelha" para pacientes com covid tem quase todos os seus 760 leitos ocupados. Em apenas meia hora na UTI, os corpos de dois pacientes foram removidos em bolsas mortuárias pretas.

Mas "felizmente a maioria dos pacientes está salva", afirma o chefe do serviço, Pavel Ermakov.

Na Indonésia, com seu sistema de saúde sobrecarregado, muitos cidadãos recorrem à ivermectina, um tratamento antiparasitário anunciado por algumas personalidades como um remédio para covid, apesar das recomendações oficiais contra esse produto.

"Não temos mais (ivermectina) porque muitos clientes vieram comprá-la", disse à AFP Yoyon, chefe de uma associação profissional de farmacêuticos em Jacarta, que, como muitos indonésios, tem apenas um nome.

A situação sanitária também se agrava na África, continente que "acaba de passar pela semana mais desastrosa da história das pandemias (...) Mas o pior ainda está por vir, pois a terceira onda continua a se expandir rapidamente e ganhar terreno", disse Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para a África.

- Vacinas no Titicaca -

A propagação da variante Delta está fazedo reconsiderar o levantamento das restrições aplicadas na União Europeia que vem sendo feita graças ao avanço da vacinação.

Assim, a França recomendou aos seus cidadãos que não viajassem para Portugal e Espanha no verão, onde esta cepa está elevando os contágios entre a população jovem não vacinada.

Na América Latina e no Caribe, a região do mundo com o maior número de mortes pelo vírus, com quase 1,3 milhão, continuam os esforços para acelerar a imunização.

Navegando em pequenos barcos pelo Lago Titicaca, brigadas peruanas estão entregando vacinas chinesas da Sinopharm a centenas de indígenas que vivem nas ilhas flutuantes dos Uros.

De acordo com a contagem da AFP, 43 em cada 100 pessoas no mundo receberam pelo menos uma dose anticovid, mas há grandes disparidades entre continentes como África (3,84) e Europa (71).

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