Jogos Olímpicos de Tóquio se mantêm, apesar da situação de emergência

Andrew MCKIRDY
·3 minuto de leitura
Os anéis olímpicos que anunciam os Jogos de Tóquio, adiados para 2021, foram apresentados durante uma campanha de conscientização em 1º de dezembro de 2020

Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio insistiram, nesta sexta-feira (8), em que este evento esportivo adiado pelo novo coronavírus será realizado no próximo verão, conforme planejado e apesar de o governo japonês ter declarado estado de emergência.

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Ontem (7), o primeiro-ministro Yoshihide Suga anunciou o estado de emergência por um mês na área metropolitana de Tóquio a partir de sexta-feira, devido a um aumento de casos de coronavírus.

Os responsáveis pelas Olimpíadas Tóquio-2020 já declararam, em diferentes ocasiões, que não haverá um novo adiamento dos Jogos, que devem começar em 23 de julho. E, nesta sexta, reforçaram que o estado de emergência não mudará os planos.

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"Esta declaração de emergência oferece uma oportunidade para controlar a situação da covid-19 e conseguir que Tóquio 2020 planeje Jogos seguros para este verão. Em consequência, daremos continuidade aos preparativos necessários", disseram os organizadores em um comunicado.

Para os responsáveis pelo Jogos de Tóquio-2020, o estado de emergência não os desvia de seu objetivo.

Na quinta-feira, Suga afirmou que o Japão se comprometeu a organizar Jogos Olímpicos "seguros" e disse estar convencido de que a opinião pública mudará de opinião quando as campanhas de vacinação começarem - o que deve acontecer a partir do final de fevereiro.

O membro do Comitê Olímpico Internacional, Dick Pound, declarou ontem à rede BBC que não poderia "ter certeza" de que os Jogos aconteceriam segundo o planejado, porque as "ondas" de contágio da covid-19 são uma incógnita.

O Japão vem lidando com a pandemia com relativo sucesso até agora, em comparação com outros países, com menos de 3.900 mortes segundo números oficiais desde janeiro de 2020.

Desde novembro, porém, o país sofre uma terceira onda muito mais severa do que as duas primeiras. Cerca de 7.500 novos casos positivos foram registrados na quinta-feira em nível nacional, incluindo cerca de 2.500 em Tóquio, o que representa dois novos recordes.

O agravamento da pandemia aumenta a desconfiança popular em relação aos Jogos Olímpicos.

Nos últimos meses, várias pesquisas apontaram que a maioria dos japoneses é a favor de um novo adiamento dos Jogos, ou mesmo de um cancelamento, devido ao coronavírus.

Após o anúncio do estado de emergência, vários especialistas médicos indicaram que as medidas adotadas terão efeitos muito limitados.

Os restaurantes e bares deverão parar de servir bebidas alcoólicas a partir das 19h e fechar as portas às 20h.

Os cidadãos são aconselhados a evitar sair de casa, a não ser em casos de força maior, durante a noite, e as empresas são incentivadas a favorecer o teletrabalho. As escolas seguirão abertas.

No início da semana, o próprio Dick Pound declarou que os atletas deveriam ter prioridade na vacinação para garantir a disputa dos Jogos.

"É uma decisão que cada país deve tomar", disse o responsável canadense à Sky Sports na quarta-feira.

"Alguns dirão que eles devem entrar na fila, mas acho que é a maneira mais realista de seguir em frente", apontou.

O presidente do COI, Thomas Bach, garantiu, por sua vez, que a organização "fará grandes esforços" para garantir que o máximo de participantes e espectadores sejam vacinados antes dos Jogos.

Antes mesmo do anúncio das vacinas, os organizadores divulgaram um pacote de medidas antivírus que, segundo eles, permitirão que o evento aconteça mesmo que a pandemia ainda não tenha sido controlada.

Se os Jogos finalmente forem disputados, ficarão entre os mais caros da história: cerca de 16 bilhões de dólares, um orçamento ampliado devido ao adiamento e às medidas sanitárias.

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